10 comportamentos surpreendentemente humanos em macacos

Publicado em 14.08.2013

Como nossos parentes vivos mais próximos, não é surpreendente que os macacos apresentem um ou dois comportamentos em comum conosco, seres humanos. Obviamente, quando se trata de nossos corpos, somos extremamente semelhante e também claramente distintos.

Enquanto nós ainda estamos um pouco longe da realidade mostrada no filme “O Planeta dos Macacos”, os exemplos a seguir mostram que essa pode não ser uma ideia tão louca no final das contas. Confira 10 atividade totalmente humanas que os macacos também conseguem desempenhar.

10. Cozinhar


Kanzi é um macaco bonobo de 31 anos que vive na reserva “Great Ape Trust”, na cidade de Des Moines, Iowa, Estados Unidos. E ele pode fazer muito mais do que utilizar ferramentas para conseguir comida: ele sabe pode usá-las para cozinhar alimentos. Kanzi gosta de comer marshmallows assados, bem como fazer hambúrgueres em uma frigideira. Claro, ele não faz a sua própria frigideira, churrasqueira, e espátula. Mas você também não. E ele sabe utilizá-las muito bem.

Kanzi também acende seu próprio fogo. Ele dá uma procurada ao seu redor por gravetos secos e recolhe a madeira antes de riscar um fósforo e começar a cozinhar. Isso mesmo, ele usa fósforos. Os cientistas da reserva contam que ensinaram Kanzi após ele mesmo pedir, depois de assistir a um filme sobre homens das cavernas descobrindo o fogo.

Dizem que ele é surpreendentemente bom no que faz: risca o fósforo rapidamente e ainda toma cuidado para não se queimar. O macaco costuma ficar atrás da fogueira para manter a chama acesa, jogando lenha quando necessário.

9. Usar dinheiro


Graças a cientistas em Connecticut, Estados Unidoss, sete macacos aprenderam o conceito básico de dinheiro. A equipe passou alguns meses ensinando-os como trocar suas fichas por uvas, maçãs ou gelatina. Eventualmente, os macacos receberam 12 moedas para gastarem como quisessem.

Mas este não é apenas mais um caso de macacos realizando alguma ação sabendo que serão recompensados com alimentos. Uma vez que os cientistas foram capazes de estabelecer quais produtos eram os mais procurados, eles introduziram flutuações no seu preço, e os macacos mudaram seus hábitos de consumo.

Originalmente, um macaco poderia, por exemplo, comprar um cacho de uvas ou um cubo de gelatina com uma ficha. Mais tarde, eles passaram a poder usar aquela mesma ficha para obter um cacho de uvas ou dois cubos de gelatina. Quando os macacos perceberam isso, eles começaram a gastar mais do seu dinheiro em gelatina.

Os macacos sabiam que tinham uma quantidade limitada de dinheiro e deveriam gastá-la. Os pesquisadores notaram que, na maioria das vezes, os macacos escolhiam comprar o alimento mais barato, dando-lhes, assim, mais poder de compra.

8. Prostituir-se


Quando começaram o experimento, os pesquisadores do Hospital Yale-New Haven, provavelmente, nunca haviam imaginado que os macacos gastariam o dinheiro em algo que não estava no cardápio. Logo depois, eles aprenderam a roubar. Pior ainda, um dos macacos pegou uma das moedas roubadas e a deu a uma fêmea em troca de sexo.

A macaca prostituta, então, utilizou a ficha com a qual foi paga para comprar uma uva. Apesar de não ter sido planejado, essa cena mostrou que os macacos realmente tinham entendido que as fichas possuíam valor. Embora a prostituição tenha ajudado na pesquisa, os cientistas tomaram algumas medidas para evitar que esse tipo de comportamento ocorresse novamente.

7. Apostar em jogos de azar


A experiência de Connecticut está começando a parecer muito menos com ciência e muito mais com uma noitada em Las Vegas. Desta vez, os cientistas decidiram não usar as fichas e trocá-las por uvas. Eles prepararam dois jogos quase idênticos, com uma diferença chave: um foi feito para parecer positivo e o outro, negativo.

No primeiro jogo, o macaco que se aproximasse da mesa ganharia uma uva. A moeda foi jogada para cima e, se o macaco vencesse, ele poderia pegar outra uva. Se ele perdesse, ainda poderia manter a primeira uva. Na segunda situação de jogo, cada macaco começou com duas uvas. Se ele ganhasse, manteria ambas as frutas, mas se perdesse, só poderia continua com uma das uvas.

Assim, o resultado final era exatamente o mesmo: se eles vencessem, os macacos sairiam com duas uvas, se perdessem, ficariam apenas com uma fruta. Apesar dos resultados serem os mesmos, os pesquisadores descobriram que os macacos preferiram o jogo em que eles ganhavam uma uva em vez de perder uma das duas que eles já tinham.

Em outro experimento envolvendo macacos rhesus, os pesquisadores apresentaram duas luzes diferentes. A simples ação de olhar para uma delas garantia ao macaco uma certa quantidade de suco. A outra luz era uma aposta: se o macaco a mirasse, poderia acabar com mais ou menos suco do que o garantido na primeira luz.

Mesmo após a manipulação do experimento pelos cientistas para que luz que era uma incógnita desse menos suco, eles descobriram que os macacos preferiam apostar. Eles raciocinaram assim como muitos de nós, seres humanos: a emoção de ganhar compensa a perda real do suco. No final das contas, os macacos gostam da emoção de correr riscos. Os investigadores esperam que essa descoberta forneça informações sobre como o cérebro de viciados em jogos de azar funcionam.

6. Balançar a cabeça


Bonobos são ótimos macacos, assim como chimpanzés, gorilas, orangotangos e humanos. Tendo em vista que eles compartilham mais de 98% do nosso DNA, muitos cientistas consideram os bonobos nossos parentes vivos mais próximos. Nossas semelhanças se estendem para além das aparências – os bonobos são conhecidos por usarem uma ampla gama de linguagem corporal e vocal para se comunicar.

Um dos exemplos mais interessantes é que os bonobos, por vezes, balançam a cabeça para o lado para demonstrar desaprovação – assim como sua mãe. Darwin acreditava que nós adotamos este comportamento quando crianças. Ao serem amamentados, os bebês levantam a cabeça e, quando não querem mais serem alimentados, eles balançam a cabeça para o lado. Este comportamento fica conosco até nossa idade adulta e é por isso que nós associamos o aceno para cima e para baixo como uma reação positiva e o balançando para os lados como algo negativo. Embora posta em dúvida por alguns cientistas, esta teoria pode explicar por que os bonobos aparentemente compartilham esse mesmo comportamento conosco.

5. Usar ferramentas


Um dos mais importantes marcos para a evolução humana foi o uso de ferramentas. Nos últimos anos, o processo de pensamento semelhante ao dos humanos daquela época foi observado em macacos. Muitos foram vistos usando ferramentas para uma grande variedade de atividades, até mesmo na natureza selvagem. Por exemplo, o macaco-prego ganhou muita atenção dos cientistas recentemente depois de ter sido visto usando pedras para cavar buracos e abrir frutas.

Enquanto isso, os chimpanzés têm sido observados arrancando ramos de árvores, retirando as folhas e enfiando-os em buracos para capturar cupins. Eles até utilizam gravetos diferentes para tarefas distintas. Ao tentar “pescar” formigas, os chimpanzés utilizam uma vara mais longa e mais forte. Dessa forma, o macaco consegue ficar mais longe do formigueiro e evita ser mordido. Isso é significativo porque também mostra que os chimpanzés entendem que certas ferramentas são mais adequadas para determinadas tarefas.

Ainda é importante notar que eles costumam selecionar os ramos de arbustos ou de árvores para os auxiliarem, em vez de apenas utilizar aqueles que encontram pelo chão. Esta habilidade básica demonstra a racionalidade de “meio e fim” dos animais.

4. Transmitir cultura


A transmissão – ou aprendizado – cultural é a forma como a sociedade espalha novas informações entre seus semelhantes. Durante anos, pensava-se que os seres humanos eram os únicos animais com cultura, mas agora se sabe que isso não é verdade. O comportamento aprendido pode ser transmitido de um animal para o resto do seu grupo e mudar completamente a maneira como o grupo funciona.

Nenhuma história ilustra isso melhor do que a de Imo. Imo foi uma macaca japonesa nos idos dos anos 1950 que se tornou famosa entre os psicólogos em todo o mundo pelas inovações e pela influência que o animal levou ao seu grupo. Ela e seus semelhantes viviam em uma pequena ilha chamada Koshima, no Japão, onde eram alimentados com grãos e batata doce por pesquisadores.

Apesar do fato de que macacos tendem a se afastar da água, Imo levava as batatas que os macacos recebiam para comer para o mar e as lavava para tirar a areia que às vezes ficava na casca do tubérculo. Esse comportamento não só deixava as batatas mais limpas, como também a água salgada trazia-lhes um sabor melhor. Depois de um tempo, praticamente todos os macacos do seu grupo passaram a lavar suas batatas antes de comê-las.

Conforme o tempo passava, os macacos começaram a ir cada vez mais fundo na água, perdendo gradativamente o medo do mar – e muitos até mesmo começaram a se jogar e a nadar nele. Imo, então, veio com outra ideia revolucionária: ela passou a levar também os grãos com os quais eram alimentados e a jogá-los na água. Os grãos flutuam e a areia e a sujeira em geral afundavam, o que tornou muito mais fácil a separação dos grãos de areia.

3. Aprender linguagem de sinais


Os macacos são os primeiros animais que podem comunicar mensagens relativamente complexas uns com os outros, e, mais importante, conosco, seres humanos, também. Embora haja um considerável número de macacos que foram ensinados a utilizar a linguagem de sinais, o melhor exemplo é o de Koko, um projeto em andamento.

Koko, a gorila, começou a aprender a língua de sinais quando tinha apenas um ano de idade, e desde então aprendeu a se comunicar por meio de quase mil sinais, bem como a entender aproximadamente duas mil palavras em inglês. Ela consegue entender o inglês falado e responde usando os sinais.

Alguns pesquisadores permanecem céticos quanto às habilidades de Koko, alegando que ela não entende o idioma, apenas os sinais, a fim de ser recompensada. No entanto, os cientistas por trás do projeto discordam, e exemplificam com uma situação real. Quando tinha um ano, Koko pediu um gatinho de Natal. No início, ela ganhou um gato de brinquedo, mas ela o odiava. Então, eventualmente, ela foi autorizada a escolher um gato real para ter como animal de estimação. Quando o gato foi atropelado e morto por um carro, Koko usou suas habilidades de língua de sinais para transmitir quão triste e chateada ela estava.

2. Usar computadores


“Apps for Apes” (um trocadilho com os termos em inglês para aplicativo, “app”, e macaco, “ape”) é um programa da organização holandesa “Orangutan Outreach” que usa iPads para ajudar a manter os orangotangos estimulados intelectualmente. Os orangotangos são extremamente inteligentes, e esses iPads tem sido usados para o “enriquecimento mental” dos animais, para evitar que os macacos fiquem entediados ou até mesmo desenvolvam depressão.

Quando o iPad foi lançado, em 2010, o pesquisador Richard Zimmerman pensou que a novidade tecnológica seria ideal para os orangotangos brincarem. Atualmente, os macacos amam os tablets, principalmente os jogos infantis, mas eles também gostam de assistir a alguns documentários sobre a natureza.

O pessoal que trabalha diretamente com os orangotandos até tiveram que regular o uso dos iPads para eles, uma vez que os macacos apresentavam o comportamento de socar e quebrar as telas quando ficam frustrados com o mau desempenho nos jogos infantis (isso te traz alguma lembrança de sua infância e os videogames pioneiros?).

Alguns macacos foram treinados para participar de um jogo em que tinham que adivinhar a densidade de um objeto na tela e escolher entre “muito” ou “pouco denso”. Um palpite correto resultava no ganho de um agrado, mas uma resposta incorreta significava que os macacos deveriam esperar mais alguns momentos para a pergunta seguinte – e os macacos odeiam esperar. Eles também tinham a opção de pular a pergunta, situação em que os animais não sofriam nenhuma penalidade.

Os pesquisadores descobriram que os macacos se questionavam da mesma forma que nós: eles respondiam às perguntas sobre as quais se sentiam confiantes, mas decidiam ignorar as questões mais complicadas para eles. Isso pode não parecer grande coisa, mas para os pesquisadores foi. Os resultados sugerem que os orangotangos possuem altos níveis de autoconsciência.

1. Pescar


A tarefa de pescar está em um nível completamente diferente de habilidade, mas isso não impede os macacos de a realizar com destreza. Depois de ver seres humanos pescando com lanças, um orangotango em Bornéu decidiu tentar também. Embora não tenha sido capaz de pegar nenhum peixe que nadavam no ar, o macaco aprendeu a usar suas lanças para capturar os peixes apanhados nas redes dos pescadores cuja atividade ele estava copiando.

Outros macacos apresentam habilidades ainda mais surpreendentes na arte de pegar peixes na natureza. Embora eles pesquem sem ferramentas, alguns macacos na Indonésia têm sido observados capturando peixes com as mãos desde 1998. [Listverse]

Autor: Bruno Calzavara

Bruno Calzavara é recém-formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e está de volta à equipe do Hype após dois anos. Adora todos os esportes, exceto futebol. Gosta de chocolate e de sorvete, mas não de sorvete de chocolate.

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11 Comentários

    • Eu faria uma resalva quanto aos chimpanzés, pois eles podem ser tão “fuleragis” quanto os humanos. Ainda arrisco a dizer que, se os bonobos tivessem sido descobertos e estudados antes dos chimpazés, talvez nem Hitler tivesse usado a beligerância dos chimpanzés como argumento justificando que os mais fortes devem destruir os mais fracos.

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    • Desculpe,joselino,mas 98% de DNA idêntico diz que é. :)

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  1. Esqueceram de colocar que os macacos também andam de pé igual os humanos na lista rsrsrs Evolução do macaco uma OVA

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  2. Rsrs Que comparação ignorante, todo esse tabalho baseado em uma teoria com provas sem sentidos (somente uma TEORIA e falsa), PARENTES UMA OVA, é claro que pra quem levou anos nesse estudo de evolução do homem não vai querer reconhecer o que passaram desse conhecimento como falso, o que evolui é a matéria e a tecnologia.

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  3. Fiquei espantado, com a velocidade em que os macacos estão evoluindo, daqui alguns milhares de anos podem até ficar melhor do que nós eramos nessa época, pois estão aprendendo as coisas conosco e não aprendendo por si mesmos.

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