10 maneiras em que seu smartphone está mudando seu cérebro

As mudanças tecnológicas mudaram completamente a rotina de quem tem acesso a elas. Se antes era necessário consultar um endereço ou número de telefone na lista telefônica com mapa, hoje só precisamos de um smartphone com acesso à internet para chegar a qualquer lugar sem precisar esquentar a cabeça. Mas se acomodar e ficar preguiçoso pode ter um preço para a nossa saúde mental. Confira 10 formas em que as tecnologias estão alterando o nosso cérebro:

10. Efeito da câmara de eco


Nos meios de comunicação de massa, uma câmara de eco é uma descrição metafórica de uma situação em que a informação ou ideias são amplificadas pela repetição em um sistema fechado, onde as visões opostas simplesmente não têm espaço.

Isso acontece nas redes sociais, onde graças aos algoritmos, apenas conteúdos do interesse de cada usuário são disponibilizados para ele. Assim, ele acredita que aquela é a realidade, sem ter acesso a visões contrárias.

Isso tem sido chamado de “filtro de bolha”, em que aqueles que costumam conferir as notícias através das redes sociais raramente recebem perspectivas diferentes.

9. Obesidade


Tendemos a associar pessoas acima do peso com hábitos que exigem pouco gasto energético, como ficar na frente da TV ou computador, mas o que a estatística nos diz sobre isso? Uma análise feita pelo Milken Institute, da Califórnia, focou em taxas de obesidade em 27 países, e fez uma revelação incrível: para cada 10% de aumento de investimento de um país em aparelhos eletrônicos, há um aumento de 1% na taxa de obesidade de sua população.

8. A internet reduziu o nosso tempo médio de concentração


Sabemos por experiência própria que a rapidez de oferta de informações da internet nos torna muito menos pacientes. Para averiguar como, exatamente, o nosso contato com a internet afetou a nossa concentração, uma longa pesquisa foi realizada no Canadá com o patrocínio da Microsoft.

A pesquisa foi realizada com questionários e exames de imagem do cérebro. A primeira etapa aconteceu em 2000, quando a maior parte da população comum passou a ter acesso à internet. Já a segunda etapa aconteceu em 2015.

O resultado: o tempo médio de concentração diminuiu de 12 segundos para apenas 8 segundos. Este é o tempo médio de concentração de um peixinho dourado. Isso significa que o tempo de concentração diminuiu 33% em apenas 15 anos. A boa notícia é que o mesmo estudo identificou que ficamos melhores em realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo.

7. On Demand acaba com a sua paciência


O aumento da oferta de vídeos e programas de TV On Demand parece estar nos deixando mal acostumados, sem paciência para esperar por qualquer coisa – especialmente entretenimento.

Uma pesquisa feita pela University of Massachusetts Amherst analisou o comportamento de mais de 6 milhões de consumidores de vídeos para determinar quanto tempo eles aguentavam esperar até que o vídeo carregasse. Resposta: dois segundos. Depois desse tempo, o consumidor abandonava o vídeo.

Esse comportamento está invadindo a vida real também. O consumidor mostrou que não quer esperar por serviços, e estão explodindo apps para reduzir o tempo de espera por Táxi e Uber e empresas de venda online de produtos estão oferecendo entregas no mesmo dia.

Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center (EUA) mostra que os efeitos colaterais dessa falta de paciência é a necessidade constante de recompensa instantânea.

6. GPS piora a nossa memória


O GPS já salvou muita gente de dar voltas e mais voltas até encontrar um endereço desconhecido. A maioria de nós nem se lembra como era pegar aquele mapa velho do porta-luvas e tentar se localizar para chegar ao destino. A comodidade e praticidade trazidos pelo GPS, porém, nos deixa preguiçosos.

Pesquisadores da McGuill University (Canadá) concluíram três estudos que sugerem que o uso de GPS afeta negativamente a nossa memória conforme envelhecemos. Isso acontece porque o hipocampo, a área do cérebro que controla a memória, também está associada à navegação espacial. Pesquisadores encontraram um maior volume de matéria cinzenta – e também mais atividade – no hipocampo de pessoas que têm hábito de usar a memória e navegação espacial quando tenta se localizar, ao invés de um GPS.

Um dos neurocientistas envolvidos no estudo chegou a sugerir que depender de GPS pode levar à demência precoce.

5. Tecnologia diminui a criatividade


É fácil imaginar que a infinita oferta de informações online ajudariam a melhorar o pensamento criativo. Mas o oposto parece acontecer.

A Universidade de Illinois e a Universidade Johns Hopkins se uniram para pesquisar os efeitos da abundância de informações na criatividade, e descobriram que essa saturação leva a pensamentos menos criativos. Quando os recursos são escassos, são utilizadas de forma mais criativa.

Na pesquisa, os participantes fizeram parte de uma dinâmica chamada “mentalidade limitada”, um processo mental motivado por escassez. Quando menos recursos, mais soluções criativas são necessárias para produzir o resultado desejado.

O estudo também notou que enquanto as notas de pensamento criativo têm caído desde 1990, o QI tem aumentado. Os dois efeitos são mais pronunciados em crianças entre cinco a dez anos.

4. Smartphones mudam o padrão de sono


Uma pesquisa de 2012 da revista Time envolvendo 4.700 pessoas mostrou que muitos concordaram com a frase: “eu não durmo tão bem quanto costumava porque estou conectado à tecnologia o tempo todo”. No grupo com idades entre 18 e 24 anos, 25% deles se identificaram com a afirmação.

A razão científica para essa mudança no padrão de sono está na iluminação. A luz vermelha, aquela vista no pôr do sol, sinaliza ao corpo que está na hora de começar a sentir sono, enquanto a luz azul típica do começo do dia sinaliza que é hora de acordar.

O problema é que essa luz azul é emitida por telas de TVs, computadores e celulares. Isso suprime a liberação de melatonina, o hormônio do sono. A luz azul também diminui o tempo de sono REM, a fase do sono em que os sonhos são mais vívidos.

3. Enviar mensagens piora a nossa capacidade de comunicação


Mandar mensagens se tornou a forma primária de comunicação de muita gente. Mesmo pessoas mais velhas estão adotando as mensagens e deixando de fazer ligações telefônicas.

Uma das dificuldades dos textos é que, sem a entonação e ritmo característicos da fala, o sentido da mensagem pode se alterar. Os emoticons nos ajudam muito nesse quesito, mas há um problema pior ainda. Segundo uma pesquisa, enviar mensagens ao invés de conversar oralmente está piorando a nossa habilidade de captar pistas emocionais e outras mensagens não verbais.

As pistas visuais são um componente crítico em uma conversa, e alguns psicólogos argumentam que a falta desse tipo de experiência pode ser maléfica para o desenvolvimento social de jovens.

Enquanto a maioria dos atuais adultos adquiriu o hábito de conversar por mensagens quando suas habilidades sociais já estavam formadas, as novas gerações já tiveram uma experiência diferente. Daqui para frente poderemos ver jovens com maior dificuldade em interações cara a cara.

2. O Google faz com que você retenha menos informações


Praticamente qualquer dúvida pode ser sanada em poucos segundos, com uma rápida busca no Google. Apesar da enorme praticidade, isso pode trazer um problema para nós. As universidades de Harvard e de Wisconsin se uniram para pesquisar o “Efeito Google”, a tendência da internet se tornar um tipo de HD externo para os nossos cérebros, fazendo com que nós nos lembremos de menos coisas.

Um dos experimentos envolveu uma habilidade chamada “autoestima cognitiva”, que é a opinião dos próprios participantes sobre a própria habilidade de lembrar das coisas. Os pesquisadores descobriram que usar a internet para conseguir respostas rápidas ajudou a aumentar a autoestima cognitiva, como se eles mesmos soubessem a resposta sem ajuda.

Em outras palavras, os usuários começaram a achar que a internet faz parte do próprio processo cognitivo ao invés de uma ferramenta externa, aliado à uma redução na tendência de lembrar informações novas.

1. Notícias falsas promovem a desinformação


A proliferação de notícias falsas em 2016 trouxer consequências concretas para a política mundial. Muitas vezes, a informação falsa é replicada de forma individual, mas em outras um site inteiro é criado imitando outros portais confiáveis, incluindo um link que parece legítimo.

Muitos podem pensar que esse tipo de notícia falsa seria desmascarada rapidamente, já que estamos na era da informação, e é fácil checar os dados na internet. Mas um estudo conduzido pela universidade de Stanford em 2015 mostra que isso não acontece.

Entre os participantes do estudo, estavam alunos do ensino fundamental, do ensino médio e do ensino superior. Eles precisavam avaliar o nível de legitimidade da informação online. Em uma das atividades, 80% dos participantes não conseguiram diferenciar uma matéria jornalística de um conteúdo publicitário patrocinado.

Em outra atividade, apenas 25% dos estudantes conseguiram diferenciar a conta de Twitter da Fox News de uma imitação, sendo que 30% afirmaram que sentiram essa dificuldade porque os elementos gráficos da conta falsa eram melhores.

O estudo aconteceu em 12 estados dos EUA e o resultado foi espantoso. O pesquisador principal, Sam Wineburg, afirmou: “apesar da fluência deles nas redes sociais, muitos alunos não conhecem convenções básicas que indicam informações digitais verificadas”. [Listverse]

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