Alergias alimentares em crianças estão aumentando

Publicado em 3.08.2010

Um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos fez um alerta sobre alergias alimentares. De acordo com eles, houve de 1997 para 2007 um aumento de 18% no número de crianças com algum tipo de alergia a comida, e no último ano cerca de três milhões de jovens menores de 18 anos apresentaram algum tipo de problema nesse sentido. A pergunta que se tentou responder, então, foi a seguinte: porque o número de crianças e adolescentes alérgicos está aumentando?

Inicialmente, levantaram duas teorias. Uma é a de que nos países industrializados, principalmente, há entre as crianças um contato muito maior com tipos diversificados de bactérias, que podem desencadear uma série de doenças e aumentam o risco de reações alérgicas. A outra era a de que hoje em dia as crianças começam a se alimentar mais cedo e com maior frequência de certos alimentos que provocam alergia em muitas pessoas, tais como nozes e frutos do mar. Um grupo de pesquisadores de Boston (Massachussets, EUA), resolveu investigar mais a fundo.

Um hospital da cidade registrou que as entradas clínicas por alergia alimentar sofreram um aumento superior a 100% entre 2001 e 2006. Baseados nesses milhares de casos, eles se concentraram nos sintomas apresentados e não nos diagnósticos dados à época. Motivo: as diferenças que ainda existem entre os médicos na interpretação de reações alérgicas.

Isso significa duas coisas: a primeira é que o aumento nas reações alérgicas não foi acompanhado de um aumento da atenção dos médicos a esse problema, devido à falta de informações sobre algumas delas. Além disso, quer dizer que o número de casos registrados está abaixo do número que realmente ocorreu, já que nem todas as alergias ocorridas no período foram diagnosticadas como tais.

Analisando os casos, eles descobriram que algumas dietas comuns ao ocidente, pelo menos, têm elevado as ocorrências alérgicas. Isso foi baseado em uma outra pesquisa, com crianças de uma vila de Burkina Faso (antigo Alto Volta), país do noroeste africano, em comparação com crianças do meio urbano em Florença, na Itália. Foram recrutadas 15 crianças de cada uma dessas populações, que tiveram suas floras intestinais observadas. Devido a uma dieta natural, livre de qualquer aditivo químico nos alimentos, as crianças do meio rural apresentavam menos propensão a alergias alimentares.

Na comunidade de Burkina Faso, eles produzem seu próprio alimento e vivem apenas disso, semelhante ao que toda a humanidade fazia há 10 mil anos. A dieta é principalmente vegetariana, já que é uma região onde raramente há disponibilidade de carne. Na população urbana de Florença, por outro lado, existe uma alimentação abundante em açúcar, alimentos calóricos ricos em gordura animal. Há uma maior variedade.

Em suma: a menor biodiversidade de bactérias no sistema digestivo dos africanos os tornava menos propensos a alergias alimentares.

E há nesse caso uma grande ironia: crianças que vivem em ambientes demasiadamente higiênicos tem maior tendência a alergias. Explicação dos pesquisadores: o sistema imunológico dos africanos está constantemente ocupado em combater as bactérias ingeridas devido à falta de higiene. No caso dos europeus, não há bactérias nocivas a combater, razão pela qual a atenção do sistema imunológico deles é desviada, para combater as bactérias inofensivas presentes em alguns alimentos. Assim a imunidade estaria lutando contra coisas que não deveria.

Recomendações gerais dos médicos: evitar que as crianças comam alimentos com alto índice de alergias, como nozes, amendoins e frutos do mar, até três anos de idade. Por vezes, a criança nasce com uma tendência genética a certas alergias alimentares, mas esta desaparece se ela não comer nenhum desses alimentos até determinada idade. Assim, é mais seguro dar à criança mais jovem apenas alimentos básicos. Até que a criança tenha idade suficiente para fazer um teste de alergias, não invente moda. [CNN]

Autor: Rafael Alves

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