Humanos estão deixando animais obesos

Um macaco morbidamente obeso que vive perto de um mercado na Tailândia está surpreendendo quem passa por lá por causa seu tamanho. Com cerca de 15 quilos, o macaco gordinho, apelidado de “Uncle Fatty” (tio gordinho, em inglês) por turistas no parque, parece um gigante perto de seus parentes de tamanho médio, que tipicamente pesam cerca de 6 a 7 kg, diz Patricia Turner, patobiologista da Universidade de Guelph, no Canadá, que estuda a obesidade em macacos, e a culpa é dos alimentos humanos aos quais ele tem acesso fácil. O primata foi levado a um centro especial de salvamento dos animais selvagens para chegar a um estado mais saudável.

Mas como exatamente este simpático macaco se tornou tão gordo? Será que as causas e consequências da obesidade em animais são semelhantes às encontradas em seres humanos?

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“Como os seres humanos, macacos tornam-se obesos por consumir excesso de calorias – independentemente do tipo de alimento”, disse Turner ao site Live Science. Uma vez que os animais que vivem perto de seres humanos adotam os hábitos das pessoas, os animais também estão enfrentando taxas aumentadas de obesidade e doenças metabólicas, como diabetes tipo 2, disse Turner.

Peso pesado

No caso do Uncle Fatty, o problema é claro: muita comida. Ele vive perto de um popular mercado flutuante de alimentos (onde os produtos são vendidos a partir de barcos) frequentado por turistas que gostam de ver o macaco comer. Entre seus deleites favoritos são macarronetes, milho doce na espiga, milkshakes e melões doces. Macacos e seres humanos são fisiologicamente muito semelhantes, e para ambos, muitas calorias levam ao ganho excessivo de peso, explica Turner.

“Ele ficou gordo porque está comendo tudo o que as pessoas lhe dão”, conta Kawinoat MongKholtechaphat, organizador do grupo de conservação de primatas Monkey Lovers, que está ajudando Uncle Fatty a ter um peso mais saudável. “Ele não está doente, só precisa de ajuda, gosta de comer e há muitos visitantes e turistas que lhe dão comida o dia todo”.

No entanto, é mais fácil ganhar peso com certos alimentos do que outros, dizTurner. Comida açucarada é um dos principais problemas. “Quantidades excessivas combinadas com a falta de exercício e obesidade podem desencadear doenças metabólicas, incluindo diabetes”, afirma a especialista. Alimentos gordurosos, que embalam mais calorias por grama do que outros tipos de macronutrientes, também podem contribuir para o ganho de peso, acrescenta.

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Para combater o seu ganho de peso, o macaco foi levado 161 quilômetros longe de sua casa, perto do mercado flutuante, até um centro de vida selvagem, segundo o jornal The Mirror. Lá, ele será alimentado com uma dieta mais saudável e um regime de exercícios, incluindo uma rotina regular de corrida e balanço com outros animais para emagrecer.

Hábitos humanos

No passado, a obesidade era rara em animais selvagens. Mas como os seres humanos têm engordado, os animais que vivem perto de nós ganharam peso também. Por exemplo, um estudo de 2014 realizado pela Universidade do Alabama descobriu que 40% dos elefantes africanos de zoológico estavam acima do peso. Os primatas também não são imunes ao problema.

“Há um maior reconhecimento da obesidade como um problema para os macacos em cativeiro”, aponta Turner. “Tivemos a experiência infeliz de ver macacos muito obesos mantidos como “companheiros” em residências particulares”, conta.

Ela lembra de um indivíduo que encontrou pesando quase 45 kg, embora o animal pertencesse a uma espécie de macaco diferente – uma que pesa um pouco mais do que a espécie de Uncle Fatty, pondera.

Em um estudo de 2011 na revista Comparative Medicine, Turner e seus colegas descobriram que não eram apenas os animais em cativeiro que estavam em risco. Na meia-idade, macacos que vivem na natureza, mas vivem perto o suficiente de seres humanos para ter fontes de alimento amplas, também tendem a ter excesso de peso, assim como os humanos.

Para combater essa tendência à obesidade, as pessoas que trabalham com os animais ficaram criativas, disse Turner.

“Os cuidadores de animais tentam fazer guloseimas saborosas para macacos usando ingredientes com baixo teor de gordura e baixo teor de açúcar, e tentam pensar em maneiras criativas de retardar o processo de comer e encorajar a resolução de problemas, por exemplo, escondendo a comida em lugares novos, congelando as substâncias em contêineres ou criando enigmas que os animais devem resolver para acessar a comida”, explica ela.

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Animais com maior risco de diabetes, que aumenta os níveis de açúcar no sangue, também estão sendo treinados para cumprir os controles de açúcar no sangue, disse ela.

“Os pesos corporais são geralmente rastreados numa base mensal, e os animais que podem estar em risco de ter altos níveis de açúcar no sangue em jejum podem ser treinados para cooperar e apresentar um dedo para picada para monitoramento do nível de açúcar no sangue através de um glucômetro”, explica. [Live Science]

 

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