Artigo cientifico afirma que motor “impossível” da NASA funciona

Publicado em 1.01.2017

Lembra do motor “impossível” da NASA, aquele que de alguma forma gera impulso sem propelente, para sempre?

O chamado EM Drive fez manchetes em todo o mundo nos últimos tempos, mas parece que finalmente está deixando o campo da ficção para entrar no da realidade.

Uma equipe americana lançou um artigo revisado por pares demonstrando que seu protótipo funciona, bem como uma equipe chinesa afirma ter testado seu próprio modelo com sucesso.

Os físicos ainda não têm certeza sobre os resultados desses testes. Porém, se os artigos estiverem certos, estamos mais próximos do futuro da aviação espacial.

O teste americano

O experimento da equipe norte-americana foi o seguinte: eles uniram o motor a uma barra de metal pesada ligada a um eixo giratório. O EM Drive principal foi conectado a eletrônicos, incluindo um amplificador de frequência de rádio, sintonizado a uma frequência específica, fazendo com que partículas de luz saltassem dentro dele.

Toda a instalação ficou em um vácuo, e um sensor óptico foi apontado para o EM Drive. Se o pêndulo no sensor se movesse para a frente de uma certa maneira, significava que o impulso tinha sido detectado.

Os resultados foram um sucesso – o que é estranho, porque o impulso exige alguma força que atue na direção oposta em alguma superfície, de acordo com a terceira lei de Newton.

Por exemplo, quando você nada, exerce força para trás na água para empurrar seu corpo para a frente. Os pássaros fazem a mesma coisa com o ar, para voar. Quando você anda, você empurra para trás com seus pés. Foguetes liberam propulsor de seu sistema de escape, já o EM drive… Nada.

Críticas

Alguns cientistas expressaram preocupações sobre o fato de um experimento quebrar uma lei fundamental da física.

Ray Sedwick, professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Maryland, nos EUA, disse que a equipe deveria refazer o teste em uma instalação de vácuo maior, onde o EM Drive não estivesse tão perto da parede da câmara. Interações não explicadas entre o motor e a configuração experimental podem ter contribuído para o estranho comportamento de impulso.

George Hathaway, pesquisador independente de novos sistemas de energia de propulsão de Toronto, no Canadá, explica que a observação feita pode não ter sido de impulso, mas sim de energia térmica adicionada, que mudou o centro de massa do motor.

Eric Davis, físico do Instituto de Estudos Avançados em Austin, EUA, concorda com a avaliação de Hathaway, e cita ainda problemas com a conclusão especulativa do artigo. A maioria dos documentos científicos termina com uma seção de discussão, explicando os resultados e de onde eles vieram. Os físicos da NASA explicaram o impulso com uma ciência bastante “maluca” que, para ele, não faz sentido – basicamente, usando uma interpretação menos popular da mecânica quântica, o motor poderia ter se empurrado para frente no vácuo do próprio espaço.

O teste chinês

Quanto ao teste da equipe chinesa, a Academia de Tecnologia Espacial da China anunciou seus resultados positivos em uma conferência de imprensa, aparentemente se gabando para a NASA de terem construído seu próprio EM Drive.

De acordo com o IBTimes, a equipe está agora fazendo testes de gravidade zero a bordo da estação espacial Tiangong-2.

No entanto, os pesquisadores não liberaram dados de seus testes como a NASA fez. Logo, fica difícil analisar o trabalho.

Cautela

Mesmo que os testes de fato tenham sido bem sucedidos, ainda precisamos ser cautelosos sobre a aplicabilidade de tal motor.

O EM Drive produz apenas cerca de 2% do impulso que os mais poderosos propulsores disponíveis hoje. O pequeno empuxo oferecido só seria útil para missões espaciais de longo alcance, que de outra forma exigiriam enormes quantidades de propelente.

Sedwick não quer especular, mas a distância na qual se torna mais interessante um impulsor muito mais fraco seria certamente mais longe do que Marte.

Considerando que o EM Drive viajaria consideravelmente lentamente, é pouco prático no momento. [Gizmodo]

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Natasha Romanzoti

é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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2 Comentários

  1. De ” impossível”, esse motor não tem NADA!Expele radiação de microondas e REAGE a ela, apenas isso.Uma lanterna acesa, no espaço, tb se move

  2. Esse motor, só é ” impossível”, para a imprensa.Pressão da luz, EXISTE, é um fato.Uma lanterna acesa no vácuo espacial, deve se movimentar.

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