Cérebro artificial simula falhas e habilidades humanas

Publicado em 4.12.2012

Spaun não é exatamente um prodígio: com seus 2,5 milhões de neurônios virtuais, ele leva algum tempo para responder uma pergunta. Se você pedir que ele memorize uma lista de números, ele vai falhar se ela for muito longa. E, da mesma forma que acontece com a maioria dos seres humanos, ele terá mais facilidade em se lembrar dos números que estão no começo e no final da lista.

Este modelo de cérebro (cujo nome é a sigla em inglês para “Rede Unificada Apontadora de Arquitetura Semântica”) é, segundo o engenheiro e neurocientistas Chris Eliasmith, o primeiro a desempenhar tarefas e ter um “comportamento”. “Há alguns detalhes muito sutis do comportamento humano que o modelo captura”, destaca o cientista.

O programa é capaz de realizar oito tipos de tarefas, como reconhecer números escritos com diferentes caligrafias, copiar o que “vê” e completar um padrão depois de ver alguns exemplos.

Outros modelos computacionais de cérebro, como o SyNAPSE, da IBM (que tem 1 bilhão de neurônios) e o Blue Brain, da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne (França), que tem 1 milhão de neurônios, não são capazes de desempenhar várias tarefas: inteligência artificial normalmente é especializada em fazer apenas uma coisa, como jogar xadrez ou reconhecer rostos em fotografias. O Spaun é, assim, excepcionalmente flexível.

Por mais complexo que seja, porém, ainda está longe de imitar a complexidade e a rapidez do funcionamento do cérebro humano (uma tarefa leva horas para ser processada). Contudo, o Spaun já pode ajudar cientistas a realizar simulações de doenças neurológicas ou dos efeitos de certas drogas no cérebro – experimentos que enfrentariam limitações éticas e técnicas se feitos em uma pessoa.

O próprio Eliasmith fez um experimento em que “matava” neurônios do Spaun em um ritmo semelhante ao causado pelo envelhecimento em um ser humano, para depois testar sua performance.

No futuro, modelos como o Spaun poderão ser muito mais ágeis, e ainda muito mais naturais. Talvez vejamos algum dia robôs com “falhas humanas” programadas intencionalmente. [LiveScience]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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