Cientistas descobrem uma droga que regenera os dentes, sem necessidade de obturações

Publicado em 10.01.2017

Pesquisadores do King’s College de Londres identificaram uma droga que pode regenerar os dentes de dentro para fora, possivelmente reduzindo a necessidade de obturações artificiais.

A droga foi usada anteriormente em estudos sobre a doença de Alzheimer. Ela funciona ativando células-tronco na polpa do dente, levando a área danificada a regenerar o material dentário duro que compõe a maior parte dos dentes.

“A simplicidade de nossa abordagem a torna ideal como um produto clínico dental para o tratamento natural de grandes cavidades, fornecendo proteção à polpa e restaurando a dentina”, disse o principal autor da pesquisa, Paul Sharpe. “Além disso, usar uma droga que já foi testada em ensaios clínicos fornece uma oportunidade real de levar este tratamento odontológico rapidamente para as pessoas”.

Melhor solução

Depois que um dente é danificado, a polpa macia em seu centro pode ficar exposta, aumentando o risco de infecção.

Para evitar isso, nossos corpos criam uma fina camada de dentina – o tecido duro e calcificado que compõe a maior parte de um dente -, o que ajuda a impedir que material externo entre.

Mas esse processo não é suficiente para impedir que grandes cavidades exponham uma área vulnerável, razão pela qual os dentistas perfuram essa cavidade e fazem uma obturação. Esse tratamento funciona, mas não é ideal.

“O dente não é apenas um pedaço de mineral, tem sua própria fisiologia. Você está substituindo um tecido vivo com um cimento inerte”, explicou Sharpe ao jornal The Guardian. “Se o dente pode reparar-se, certamente esse é o melhor caminho. Você está restaurando toda a vitalidade do dente”.

O experimento

Sharpe e sua equipe descobriram que podiam usar a droga Tideglusib para estimular as células-tronco dentro de um dente a criar mais dentina do que o habitual, regenerando toda a estrutura sem a necessidade de adicionar qualquer substância estranha.

Os pesquisadores usaram Tideglusib em dentes danificados de ratos para ver como a droga promovia a ativação de células estaminais. Ela foi aplicada na cavidade usando uma esponja de colágeno biodegradável.

Após várias semanas, a esponja de colágeno tinha se degradado, e os dentes tinham regenerado dentina suficiente para preencher a lacuna.

O processo em si é muito semelhante a uma obturação, mas em vez de colocar um enchimento artificial, os médicos estão incentivando o crescimento da dentina natural.

Próximos passos

Considerando que a técnica até agora só foi testada em ratos, mais pesquisas precisam ser feitas para confirmar se os resultados podem ser replicados em seres humanos.

A equipe planeja fazer testes clínicos com pessoas no futuro.

A boa notícia é que Tideglusib e esponjas de colágeno já passaram por ensaios clínicos para outros tratamentos, o que provavelmente acelerará o processo.

Ainda temos um longo caminho a percorrer antes que essa opção esteja disponível nos consultórios odontológicos de todo o mundo, mas os pesquisadores estão determinados a tornar os cuidados bucais menos horríveis o quanto antes.

O estudo foi publicado em Scientific Reports. [ScienceAlert]

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Natasha Romanzoti

é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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