Cinco fatos sobre armas nucleares que vão fazer você perder o sono

Por , em 17.08.2017

Será que os governantes têm responsabilidade para administrar as armas nucleares que criaram? Alguns fatos históricos mostram que, talvez, precisemos investir mais em segurança.

Confira:

5. Centenas de códigos de lançamento nuclear dos EUA foram definidos com a combinação 00000000

No auge da Guerra Fria, os Estados Unidos tinham mais de mil mísseis intercontinentais Minuteman, com tecnologia nuclear de ponta, para servir como nossa principal estratégia de intimidação. Isso causaria muitas mortes para que fosse possível acompanhar o estrago, então o Secretário de Defesa Robert McNamara considerou que cada míssil teria bloqueios especiais instalados (chamados de Links de Ação Permissiva – os PALs, em inglês). Qualquer pessoa que quisesse disparar um desses bebês não poderia fazê-lo sem inserir um código secreto de oito dígitos. Pedimos a equipes militares despreparadas, futuros terroristas e aliados que guardassem um pouco seus mísseis enquanto nossos pais estavam na cidade – nenhum deles poderia lançar os ICBMs sem a autorização do governo.

E a adoção dos PALs era, na verdade, quase impossível de se ignorar. Eles poderiam ter reduzido muito o risco de um lançamento nuclear não autorizado – isso se os generais responsáveis não tivessem definido os códigos de autorização com uma série de números bastante previsíveis: 00000000.

Eles temiam que não fosse possível rastrear os códigos com rapidez suficiente, caso a necessidade real existisse. Então, em vez disso, eles definiram o código com, literalmente, a primeira coisa que alguém adivinharia antes mesmo de tentar. Oh, mas não se preocupe – de acordo com Bruce Blair, que trabalhou como oficial de lançamento em Montana, o código de todos os zeros “só” permaneceu em vigor por cerca de uma década.

4. O Paquistão controla seus mísseis nucleares em veículos sem sinalização

A maioria dos países mantém segredo sobre a localização das suas armas nucleares. O Paquistão levou essa lógica ao seu extremo mais insano: eles estão conduzindo suas armas nucleares por todo o país em veículos de estilo civil sem qualquer marcação, nem defesas visíveis, operando em ruas movimentadas no fluxo regular de tráfego. Isso significa que, se você roubar um veículo no Paquistão, há uma pequena chance de encontrar uma arma nuclear na traseira do carro.

O Paquistão não tem muitos lugares apropriados para esconder suas armas nucleares. O problema do terrorismo atinge toda a extensão do território, até o próprio governo, e mesmo golpes militares são meio comuns por lá. Por isso, faz sentido que o país queira manter a localização dessas armas restrita ao menor número possível de pessoas.

Por outro lado, um local de interesse terrorista e de Estado instável não parece ser o melhor meio ambiente para conduzir armas nucleares à solta, como adolescentes entediados. O Paquistão poderia ser como um azarado paralamas fugindo de um homem louco fazendo todo o Islamabad de refém.

3. Esquemas de segurança nuclear não são lá tão seguros

Quando um avião caiu sobre a Carolina do Norte em 1961, ele derrubou consigo as duas bombas de hidrogênio que carregava, cada uma das quais possuindo mais força e potência do que as bombas que destruíram Hiroshima e Nagasaki. Devido ao impacto violento, uma das bombas presumiu que estava em um cenário de guerra e se comportou exatamente como uma arma nuclear que encontra essas condições: seus disparadores foram ativados e cinco dos seis bloqueios de segurança fechados na sequência correta. Apenas um interruptor tecnicamente “falhou”, e não detonou uma ogiva nuclear trapaceira por engano. Como o Secretário de Defesa McNamara afirmou: “Com a menor margem de chance – literalmente, a falha de dois fios que se cruzavam – uma explosão nuclear foi evitada”. Ocorreria uma explosão nuclear como nenhuma população civil jamais viveu, e cujos efeitos teriam atingido Washington, Baltimore, Filadélfia e até Nova York.

E para que ninguém pense que este tenha sido um incidente isolado, temos mais notícias. A Guerra Fria não foi mais “fria” por sorte. Um estudo de armas nucleares nos EUA registrou mais de 1.200 acidentes entre 1950 e 1968, o que quase resultou numa catástrofe. Isso em menos de duas décadas. O mundo passou por quase-apocalipes por ocasiões que sequer podemos imaginar.

2. Num momento de crise, o presidente tem quatro minutos para fazer uma chamada de retaliação

Se, como e quando implantar uma arma nuclear, são provavelmente as decisões mais pesadas que um ser humano pode ter que encarar. Medir adequadamente todos os fatores e potenciais para o desastre, tanto previsíveis quanto imprevisíveis, é algo praticamente impossível de se fazer sozinho. É por isso que o protocolo nuclear é projetado especificamente para remover qualquer tomada de decisão real que o presidente possa tomar, deixando-lhe um intervalo de quatro minutos para escolher entre um conjunto de opções limitadas – como optar entre valores de uma refeição no McDonald’s.

A reação dos militares dos EUA a um lançamento nuclear detectado baseia-se na ideia de uma greve de retaliação. De acordo com Walter Slocombe, ex-subsecretário da Defesa, o intervalo de tempo para o lançamento de uma arma de retaliação sob ataque é inferior a 30 minutos. Mas a maioria desse tempo se passa em etapas mecânicas, como detectar o lançamento do inimigo, retransmitir e confirmar essa mensagem através dos canais certos, e finalmente, informar ao presidente. Depois de tudo isso, ele tem apenas alguns minutos para decidir se gostaríamos ou não de viver em um terreno desolador de chuva radioativa.

Isso significa que, sempre que há um alarme falso em nosso sistema de detecção – e certamente houve falsos alarmes (inclusive próximos de nós) -, uma reação em cadeia começa e termina em pouquíssimo tempo, enquanto o presidente precisa decidir o que fazer. Quaisquer que sejam nossas opiniões sobre as personalidades políticas em exercício, isso não pode ser reconfortante.

1. A Rússia tem mais segurança em suas casas noturnas do que nas armas nucleares

Em 1991, quando a União Soviética entrou em colapso, a Rússia passou de uma economia “comunista” para uma economia “agarre tudo o que puder”. Como você pode imaginar, isso teve alguns efeitos negativos em seu armazenamento nuclear. Em meados da década de 90, um oficial russo que investigava o roubo de urânio altamente enriquecido disse: “Mesmo as batatas provavelmente estão muito mais bem guardadas hoje do que os materiais radioativos”.

O incidente que inspirou essa citação ocorreu em 1993 em um estaleiro “seguro” perto de Murmansk. Um ladrão havia atravessado uma das várias brechas na cerca de madeira. Depois, usou uma serra para cortar um cadeado comum e roubar três conjuntos de combustível de urânio altamente enriquecido – o combustível radioativo usado para abastecer submarinos nucleares. O material roubado foi posteriormente escondido na casa de um oficial da marinha russa, que presumivelmente pensava estar guardando uma velha bicicleta, a julgar pelo esquema de segurança que adotou.

Embora tenha melhorado nos últimos anos, o município ainda está com uma baixa classificação em termos de segurança nuclear. Os materiais nucleares no mercado negro continuam chegando por uma fonte que chama muita atenção, como revelaram três amostras quase idênticas de material preparado para bomba. Isso significa que tudo o que está impedindo uma pessoa muito ruim de colocar suas mãos em uma quantidade substancial de material nuclear é uma pilha inteira de rublos. Felizmente, estamos em boas relações com a Rússia e os países ultra-ricos no dia de hoje… ou, ao menos, esperamos que sim. [Cracked]

1 comentário

  • Rodrigo Rodrigues Silva:

    A crise na Rússia no final dos anos 80 até final dos 90 foi causado pelo comunismo e sua política econômica. Detalhe importante!

Deixe seu comentário!