Como a NASA resolveu com cinco dólares um problema de cem milhões

Publicado em 2.02.2012

Muita coisa pode dar errado em uma missão espacial, e alguns erros podem acabar transformando uma fortuna em prejuízo. Há alguns anos, um foguete da NASA passou por um probleminha aparentemente tolo, mas que poderia custar 100 milhões de dólares (174 milhões de reais) aos cofres da agência. Uma solução criativa, no entanto, acabou resolvendo o caso pelo preço de um almoço popular.

Tudo começou em meados de 2009, na fase final de construção do foguete Ares I. Concebido pela NASA como parte do projeto Constellation (cancelado pelo governo dos EUA no ano passado como corte no orçamento), cuja função era criar uma nova geração de naves espaciais, o foguete estava passando por ajustes nos controles internos.

Quando boa parte do projeto do Ares I já estava em desenvolvimento, os cientistas descobriram uma falha que poderia colocar tudo por água abaixo. Eles notaram que, devido ao desenho do foguete e às alterações físicas na máquina durante um lançamento, a vibração da cabine dos astronautas seria tão grande que eles não poderiam ler o que estivesse escrito em qualquer tela digital da cápsula.

Obviamente, não poderia haver missão se eles não pudessem ler nada.

A solução pensada, então, foi dar um jeito de fazer os astronautas vibrarem na mesma frequência da cabine. Algo como tornar os astronautas uma parte colada à cabine, vibrando com ela, de modo que os olhos poderiam acompanhar a vibração da tela. O problema é que, com a tecnologia disponível, mesmo a mais precisa das aproximações de vibração entre foguete e tripulação ainda seria imperfeita. O conteúdo da tela continuaria tão ilegível quanto antes.

Quando o desespero já tomava conta dos engenheiros e demais cientistas, surgiu uma ideia: ao invés de tentar ajustar a vibração no ambiente (no caso, a cabine), por que não ajustar a vibração na própria tela? Para isso, bastou um projetor de luz estroboscópica, aquela luz piscante que se usa em boates. Como a luz pisca em determinada frequência, acendendo e apagando, permite ver em poses estáticas e contínuas um objeto que na verdade está em movimento.

Esse foi o segredo: isolar cada momento de leitura da tela como um flash visual. Um projetor como esse é escandalosamente mais barato do que um novo sistema anti vibração de foguetes: de fato, custa não mais do que cinco dólares (o equivalente atual a R$ 8,70). Depois disso, bastou usar um acelerômetro (equipamento que faz exatamente o que diz o nome) para regular a vibração da luz estroboscópica com a do foguete, e, pronto, caso resolvido.

A tecnologia já foi aprimorada depois disso, e atualmente os problemas quanto à vibração em foguetes foram praticamente extintos. É uma pena que o projeto Constellation e o lançamento do Ares I tenham sido temporariamente suspensos devido ao corte de verba do governo dos EUA, mas a lição fica para todas as iniciativas espaciais que ainda virão. [Gizmodo]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

Quer copiar nosso texto? Siga estas simples instruções e evite transtornos.
Compartilhe este artigo

27 Comentários

  1. Pois eu não gastaria nem cinco dólares. É só colocar tudo que tá escrito no google tradutor que a mulherzinha lê o que está escrito. Tá cheio de programinha que faz isso, não é possível que a nasa não tenha um desses.

    Thumb up 2
    • Grande ideia, como a NASA não pensou nisso, e podemos colocar ainda a voz do Silvio Santos, os astronautas vão curtir muito e a Nasa ao invés de perder dinheiro vai é ganhar!

      Thumb up 5
  2. Na verdade custou os cinco dólares mais o acelerômetro, o amplificador, os cabos especiais e mais alguma coisa, tudo com “qualidade espacial”. Ou seja, entre 2.000 e 3.000 dólares, seria mais razoável…

    Thumb up 5
  3. Interessante notar como uma pessoa faz um comentário e outra no dia seguinte, faz um comentário similar, como se fôsse original…
    Isso demonstra que, além de habitualmente ninguém ouvir o que os outros têm a dizer, também não lêem as opiniões alheias.
    Imagino que a ordem ideal seria:
    1. ler o post.
    2. ler as opiniões.
    3. só então fazer algum comentário.
    Abrs/

    Thumb up 13
  4. Há uma história do início da corrida espacial entre EUA e União Soviética.
    Os astronautas americanos relataram que as canetas comuns não funcionavam no espaço devido à ausência de gravidade. Um ano depois (e após gastar alguns milhões de dólares), a NASA apresentou uma super caneta que funcionava nas situações mais extremas.
    Os astronautas soviéticos relataram o mesmo problema. Só que ao invés de desenvolverem uma caneta, eles levaram um lápis para fazerem suas anotações.
    Não sei se a história é real ou não, mas é muito boa para se contar em uma mesa de boteco.

    Thumb up 8
    • Após a moderação liberar, leia, logo abaixo, no comentário do Jonatas, a matéria que passei sobre esse assunto.

      Thumb up 0
    • Aparentemente, essa estória da criatividade russa com lápis é correta.

      Thumb up 3
    • Sinto informar mais a história é fake, apesar de bem interessante.

      Thumb up 0
    • Olá a todos !
      Também acho que esta estória é real.
      :-)
      Abraços

      Thumb up 1
    • Essa história do lápis não é real.

      Thumb up 0
  5. A genialidade está em criar soluções simples para problemas complexos.
    Isso é criatividade.
    Porque é muito mais fácil pensar em coisas complexas, do que em coisas simples. Basta ver qualquer livro de criatividade. Uma verdadeira arte e técnica.

    Thumb up 10
    • Verdade! hahahah!
      “O jeitinho brasileiro” :)

      Thumb up 3
    • É vdd, duvido que se ‘compre’ um projetor por menos de US$500,00!!!

      Thumb up 0
    • Não é projetor. LEIA A MATÉRIA !

      Veja que apenas uma luz estroboscópica, que é MUUIIITTOO mas barata que um projetor.

      Thumb up 4
    • de deus ou de pessoas q esdudaram a vida toda para trabalhar na nasa

      Thumb up 7
    • De Deus, ou de pessoas que estudaram a vida toda pra trabalhar na Nasa, mas que entendem de balada!

      Thumb up 9
  6. É isso aí. As vezes existem soluções simples para os problemas mais complexos.
    Não sei se é só mito ou tem um pouco de verdade, mas certa vez se pensou em como os astronautas poderiam escrever anotações no espaço, onde canetas esferográficas não funciona. Surgiu então estudos de como desenvolver canetas capazes de escrever em gravidade zero, até finalmente cair a ficha e se resolver o problema usando um simples Lápis.

    Thumb up 6

Envie um comentário

Leia o post anterior:
012512-02-500x400
Porque sentimos nojo

Em alguns lugares do...

Fechar