Como é possível sobreviver a um tiro na cabeça?

Publicado em 12.01.2011

O mundo inteiro se chocou com a notícia de um jovem conturbado que matou e feriu bastante gente em Tucson, Arizona. O atentado se dirigia, aparentemente, à Gabrielle Giffords, deputada americana.

No último sábado, a deputada levou uma bala na cabeça. Agora, ela permanece em estado crítico, porém os médicos estão otimistas sobre suas chances. A bala que a atingiu entrou na parte de trás e saiu pela parte frontal de sua cabeça, percorrendo o comprimento do lado esquerdo de seu cérebro.

Quando baleada, a deputada respondia a comandos de voz e chegou à sala de operação dentro de 38 minutos. Esses fatores são positivos. Embora possa levar semanas ou meses para os médicos determinarem a extensão permanente do dano, a trajetória da bala é o motivo para o otimismo dos médicos.

Como uma pessoa leva uma bala na cabeça e ainda sobrevive – com boas chances? Segundo os médicos, as chances de uma pessoa de sobreviver a um trauma no cérebro dependem das áreas do cérebro que são atingidas, da velocidade da bala e se a bala sai do cérebro.

Se uma bala atravessa ambos os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, ao invés de ficar confinada a um lado, como foi no caso da deputada, então o dano é provavelmente muito pior. Segundo eles, o cérebro é um pouco redundante. Às vezes pode tolerar a perda de uma “metade”. Uma pessoa cujo cérebro foi perfurado por uma bala em um só lado tem uma chance melhor do que alguém que sofreu prejuízo em ambos os lados.

Outro sinal positivo é se a bala não acertar partes do cérebro “de alto valor”, como o tronco cerebral e o tálamo. Essas estruturas cerebrais profundas são fundamentais para a consciência e as funções básicas, tais como controlar a respiração e os batimentos cardíacos.

Além disso, a pessoa definitivamente tem uma chance melhor de recuperação se a bala não acertar os principais vasos sanguíneos que levam oxigênio para as áreas onde ele é necessário.

O lado esquerdo do cérebro, onde Gabrielle foi atingida, controla a linguagem e a fala. O fato de que a deputada estava respondendo as pessoas depois de sua lesão mostra que ela pode ser capaz de compreender e processar a linguagem; um ótimo sinal para sua recuperação.

Uma bala que erra os ventrículos do cérebro (cavidades no centro do cérebro que são preenchidos com líquido cefalorraquidiano) também deixa uma pessoa em melhor forma do que aquela que atinge essas regiões. Se atingidas, as cavidades podem se encher de sangue, o que pode levar a complicações como a hidrocefalia (um inchaço do cérebro), que comprometem ainda mais a vítima.

A velocidade da bala faz diferença também. Uma bala de alta velocidade faz mais dano do que uma bala de baixa velocidade. Balas de alta velocidade, como as disparadas por uma AK-47 ou outras armas militares, causam danos mais periféricos às regiões do cérebro em torno de seu caminho do que balas mais lentas, como as disparadas por armas de mão.

Também faz mais danos a que permanece no cérebro, do que a bala que sai do cérebro, como no caso da deputada.

A vítima tem mais chances de sobreviver se não parar de respirar e se sua pressão arterial permanecer alta o suficiente – duas funções necessárias para manter um suprimento adequado de oxigênio para o cérebro. Alguns primeiros socorros podem ajudar a restaurar tais funções às vezes.

A equipe médica que trata Gabrielle removeu parte de seu crânio, pois isso permite que o cérebro inche sem tornar-se comprimido. Dentro do crânio, se o cérebro não tem nenhum lugar para se expandir, pode haver ainda mais danos. O confinamento pode evitar o fluxo de sangue, por exemplo.

Mais tarde, quando o inchaço diminuir, a parte do crânio que foi removida será substituída. O inchaço geralmente se agrava no terceiro dia após tal ferimento, mas no caso da deputada, os médicos podem esperar vários meses para substituir o osso. Eles podem estar preocupados que a bala tenha levado bactérias. É melhor se certificar de que não há evidência de infecção antes de substituir o crânio. [LiveScience]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 25 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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11 Comentários

  1. Reginaldo.

    Hora nenhuma diz que ficou alojado no cérebro …

    Até onde eu entendi o texto fala que ela saiu, porém só atingiu um dos lados

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  2. o termo projetil como voce diz lucas, talvez seja mais usado por pessoas que mexem com tal equipamentos, o termo “bala” esta correto, pois nao é um texto destinado ao menistro da defesa, e sim a maioria leiga.

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  3. Olá refaça a redação do texto não ficou bom o termo “bala” bala é um doce comestivel, altere para projétil é o termo técnico correto.

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  4. Curiosidade: Em 1848 Phineas Gage teve seus dois lobos frontais do cérebrao varados de baixo a cima por uma barra de metal medindo mais de um metro e pesando 6 Kg (a barra foi arremessada comtra a cabeça de Gage por uma explosão). Incrivelmente ele se levantou e caminhou ate a cidade e dice ao médico local: “Há aqui bastante trabalho pra vc”. Embora Phineas tenha sobrevivido por muitos anos depois do acidente sua perssonalidade mudou radicalmente, de conciencioso, trabalhador e bem relacionado e passou a impetuoso, irreverente e imcapaz.

    Fonte: AUDESIRK,T. & AUDESIRK, G. Biology – Life on Earth.5.ed. New Jersey: Prentice-Hall,1999 (adaptado)

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    • Eu li sobre isso, ele ficou com a barra “alojada” de um lado ao outro do cranio pelo resto da vida, por isso sua personalidade “mudou”

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  5. Uma bala de fuzil atravessa a tanta velocidade que virtualmente “liquidifica” os tecidos adjacentes ao percurso.

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  6. Uma coisa é certa e bom é não ser vítima de tal fato e pedir a D´us proteção nestes dias dificeis que a sociedade passa.

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  7. No começo do texto diz que a bala saiu da cabeça e depois diz que ficou alojada. Dá pra entender?

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