Conheça o asteroide gigante que se parece com um planeta

Publicado em 29.03.2012

Ele tem um enorme diâmetro de 530 quilômetros (cerca de um quarto da lua), uma superfície dominada por crateras e uma série de características rochosas que lembram a Terra. Por estes motivos, astrônomos ainda se perguntam se devem mesmo classificar o asteroide Vesta (segundo maior asterioide conhecido) neste grupo de corpos espaciais.

Descoberto em 1807, o asteroide Vesta só passou a ser estudado mais aprofundadamente duzentos anos depois, quando a NASA lançou ao espaço a sonda Dawn. Em julho do ano passado, o veículo entrou na órbita do Vesta, e ficará por um ano fazendo a exploração do asteroide.

Os astrônomos têm razões para acreditar que o Vesta pode estar em uma “fase de transição” para se tornar um protoplaneta (um planeta ainda em fase de formação, geologicamente falando). A composição superficial do asteroide, conforme apuraram os cientistas, está em fase de mudanças.

Um dos critérios adotados para esta asserção é a topografia. Em planetas como a Terra, a topografia representa apenas 1% do raio. Isso significa que a cratera mais profunda mede duzentas vezes menos do que o diâmetro do planeta. Na maioria dos asteroides, que têm formato irregular, as crateras medem 40% do raio, ou mais. No Vesta, a topografia representa apenas 15%; ou seja, estaria mais para planeta do que para asteroide.

Outros indícios geológicos apontam nesta direção. A partir de um estudo da sua superfície, os astrônomos acreditam que o Vesta possa ter experimentado colisões com outros componentes do espaço em um passado recente. Além disso, há evidências de que já possa ter havido atividade vulcânica no asteroide, algo que definitivamente o colocaria como um futuro planeta.

A sonda Dawn deve ficar ao redor do Vesta até julho deste ano. De lá, partirá para o único “asteroide” de tamanho maior do que ele: o planeta anão Ceres, onde a nave deve chegar em abril de 2015. [BBC]

Autor: Dalane Santos

Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

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29 Comentários

    • CARAMBA !!!

      Muito legal !

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  1. Não seria um bom lugar para instalar um telescópio robótico? Ou talvez para mandar o Fernandinho Beiramar cumprir pena perpétua?

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    • O melhor lugar para se colocar um telescópio é um cometa em seu retorno, infelizmente a instabilidade superficial destruiria o equipamento.
      Mas se fosse possível, seria ideal porque a órbita extremamente alongada do Cometa levaria nosso telescópio de carona aos confins do Sistema Solar, passaríamos por Pleno Cinturão de Kuíper e mais além, sem precisar de combustível como seria para uma sonda interplanetária.

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    • ta, e como os dados seriam enviados para a Terra dessa dsitância?

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    • Sim, as Voyagers I e II foram ainda mais longe e ainda enviam. Isso mesmo tendo sido fabricadas no século passado!!! Imagina o que poderíamos usar hoje.

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    • Mas qual a vantagem de o telescópio estar sobre uma superfície fisica???
      Ele poderia seguir a mesma órbita do cometa sem estar fixo nele…

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    • Fabio, boa observação, é bem comum as sondas usarem órbitas programadas e aceleração gravitacional dos planetas para ganharem espaço. Mas a órbita dum cometa, que seria ideal a uma missão aos confins do Sistema Solar, é muito difícil, praticamente impossível, de programar a uma nave que sai da Terra. As trajetórias dos Cometas têm sua origem lá longe, na nuvem de Oort, e não aqui. Por isso a minha ideia.

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  2. Esse planetoide esta a que distancia da terra mesmo hein? Tomara que num venha pra ca.

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    • Fica tranquilo, ele vive entre Marte e Júpiter, a pelo menos 3 vezes a distância da Terra ao Sol. Se viesse pra cá, nem todas as armas nucleares poderiam deter-lo, ele é milhares de vezes maior que aquele que extinguiu os dinossauros.

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    • Sei não !!!Porque a Nasa colocou um satélite para orbitá-lo tão de perto, se não há perigo eminente de ele se aproximar da Terra ?

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    • Bom, eu estudei um pouco planetologia e leis de Kepler, e nenhuma probabilidade orbital exista que possa colocar o Vesta em nossa direção, a não ser que ocorresse uma anomalia bizarra totalmente improvável, como uma estrela ou um planeta invadir subitamente o sistema solar, mas aí Vesta seria a nossa menor preocupação.

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    • porque todo mundo faz perguntas do tipo “espera que isso não aconteca comigo” ou “espero que isso não venha para cá”
      Isso é muito improvável tem uma chance a cada 20000000000000000000000000000(28 zeros)
      de chance de acontecer na terra hj até cerca de 4000D.C
      e cair bem onde vc está é muito mais improvável quase impossível

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  3. Vamos lá Hype! Poste uma matéria sobre a galáxia retângular!!! Seriam legais os comentários, já que desafia as leis da física!

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  4. Se realmente houve atividades vulcânicas em Vesta, não tem motivo para ser um mero asteróide. Vesta até lembra um tipo de Lua!

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    • Não só isso, Vesta não é um corpo homogênio como os outros asteróides, mas tem uma estrutura planetária interna em camadas como os astros esféricos maiores, com crosta, manto e núcleo;

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    • E esse pseudo-planeta tem órbita ao redor do Sol ?

      Engraçado que retiram Plutão da classificação de planeta, mas querem colocar outro pequeno rochoso nessa classe…

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    • Todo asteróide, planetóide ou planeta-anão tem órbita ao redor do Sol como os Planetas, a diferença é que vivem em cinturões de asteróides e outros astros de tamanho igual ou maior que o seu, logo não dominam a massa de sua região como os Planetas principais.

      Vesta orbita o Sol e sua órbita fica entre a de Marte e a de Júpiter. Na verdade, a reportagem não foi bem específica: Vesta deve no máximo vir a ser catalogado como um Planeta Anão, mesma classe que Plutão. A diferença é que Plutão é um plutóide, o tipo de planeta anão além da órbita de Netuno, que tem também Haumea e MakeMake, no cinturão de Kuíper. Vesta pode vir a ser classificado como um planeta-anão Ceristóide, mesmo tipo de Ceres, até então o único planeta anão reconhecido no Sistema Solar Interior.

      Até então, essa é a configuração do S.Solar:

      Planetas Internos: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
      Planetas Anões do Cinturão de Asteróides: Ceres e dois candidatos: Vesta e Palas.
      Planetas Externos: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
      Planetas Anões do Cinturão de Kuíper: Plutão, Haumea, MakeMake e dezenas de candidatos como Orcus, Varuna, Íxion.
      Planetas Anões do Disco Disperso: Éris, e mais alguns candidatos pouco conhecidos.

      Te juro, eu decorei esses nomes, e ainda o nome de muitas luas principais.

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    • Cara, o Hype está pisando na bola quando deixa que outros façam esse tipo de matéria…

      Você deveria estar publicando esse material astronômico… Suas explicações são muito mais completas que as matérias que são publicadas…

      #ficaadica p/ o HypeScience !!!

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    • Você é foda hein cara.
      Me diz uma coisa se todos tem orbitas ao redor do sol As orbitas são como nos desenhos uma a frente da outra ou cada uma em um angulo diferente com em um átomo?

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    • Olá, André, valeu.
      Em ciências, é muito comum pegarmos um objeto que melhor conhecemos como referência antes de criar uma nova grandeza ou padrão de grandezas. Na química, por exemplo, pegamos o Carbono. No espaço plantário, a Terra. Assim, existe a Unidade Astronômica, UA, 1 UA é a distância da Terra ao Sol, por exemplo, Urano está a 20 UA de distância do Sol.
      Quanto a inclinação orbital, o padrão do átomo é o mais parecido mesmo os planetas tendendo a orbitar em paralelo ao equador do Sol, todos tem uma órbita levemente inclinada em relação à órbita terrestre, a qual chamamos eclíptica. Não que suas órbitas sejam tortas e a nossa reta, mas como pegamos a nossa por referência, a nossa tem 0° de inclinação, a de Júpiter tem 1,305°. A de Plutão passa de 17°, e a de Éris chega a 44°. Estima-se que alguns asteróides ou cometas possam fazer um inclinação de 90°, ou seja, totalmente perpendicular ao eixo da Terra. Mas isso é raro, em termo de massa concentrada, o melhor desenho pro sistema solar ainda é um disco paralelo ao equador solar.

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    • Valeu Emerson, seria legal, mas acho que isso é mais pra jornalistas e pessoas do meio. Um abraço.

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    • Então quer dizer que Vesta é um tipo de planeta “morto”?

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    • Bom dia. Na verdade, a melhor descrição seria um “Planeta Abortado”, porque ele não conseguiu completar a acreção de massa que o faria crescer e s tornar um Planeta legítimo, basicamente, sua formação foi interrompida, os astrônomos chamam Vesta de Planeta-Embrionário ou mesmo Proto-Planeta. A culpa desse “aborto”, calcula-se, é do peso pesado do Sistema Solar, Júpiter, que em sua formação foi um super agregador de massas e qualquer planeta que tentasse se formar perto dele não conseguiria sucesso. E Vesta está justamente entre Marte e Júpiter. Existe muita controvérsia em torno da tal teoria, mas ela ainda é a mais forte.

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  5. Com certeza Vesta deve entrar na classe dos Planetas-Anões. Ele satisfaz todos os critérios da classificação planetária assim como Ceres, que até então o único planeta anão catalogado no sistema solar interior.

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    • cara Jonatas sinceramente mano acho que voce com essa experiencia todo e inteligencia bem alta no minimo deve trabalhar para algo ou alguem importante.estou certo ou errado.ah e uma pergunta se satelites focem colocados nesses asteroides para viaja por milhares e milhares de kms vc ja disse que ele poderia sim nos mandar informacoes de tao longe que estivesse mas como isso poderia ocorrer?Voce pode achar minha pergunta meio simplista de mais, mas eu estou comesando nisso agora e eu tenho fome de sabedoria. flw te mais

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    • Na verdade minha ideia de telescópio foi em um cometa e por duas razões, o Cometa tem uma órbita alongada que o faz ir na fronteira do Sistema Solar depois de passar perto daqui para que possamos instalar o equipamento nele, e a outra razão é poupar o combustível e os cálculos necessários a uma viagem tão longa, indo de carona como o “Pequeno Príncipe” (desenho animado).
      Mas Vesta também seria um bom lugar pra por telescópios por estar mais longe do Sol e não ter atmosfera. Havia, ou há, um projeto da Nasa de por um telescópio numa órbita distante ao redor de Júpiter para abarcar grande área de espaço sem ser ofuscado pelo Sol, o objetivo é procurar exoplanetas (planetas de outros sóis). Mas não sei se com o orçamento apertado a Nasa seguiu ou seguirá no futuro a iniciativa.

      Thumb up 4

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