Coração partido pode matar?

Apenas um dia depois da morte de Carrie Fisher, fãs da atriz sofreram novamente ao saber da morte da mãe dela, Debbie Reynolds. A causa ainda não foi anunciada, mas a também atriz de 84 anos havia reclamado de problemas ao respirar, e foi resgatada por uma ambulância em Los Angeles.

Quando casais ou membros de uma família morrem em rápida sucessão, é comum atribuir a segunda morte ao coração partido. Mas é realmente possível que uma emoção seja tão forte ao ponto de matar uma pessoa?

“A síndrome do coração partido – que é, de fato, uma coisa real – é quando alguém fica sabendo de uma notícia muito forte, geralmente negativa, e há uma enorme liberação de hormônio de estresse na corrente sanguínea, e o coração é bombardeado com esses hormônios”, explica o psiquiatra Matthew Lober, do hospital Lenox Hill de Nova York.

Essa notícia forte pode ser a da morte de uma pessoa amada, e é daí que o nome “síndrome do coração partido vem”. Mas ela também pode ser a notícia de um divórcio ou até de uma demissão. Essa notícia pode até ser positiva, mas anunciada de maneira muito brusca.

Sintomas e pacientes

Os sintomas são dor intensa no peito, falta de ar e alterações profundas na pressão sanguínea. Quando os hormônios de estresse atingem o coração, eles causam mudança em seu ritmo, aumentando e diminuindo a velocidade do batimento. Isso causa dor e deixa a pessoa com dificuldade para respirar.

A síndrome geralmente acomete mulheres, com 90% dos casos. Além disso, pessoas com histórico de problemas neurológicos, como convulsões, e pessoas com histórico de doenças mentais também costumam sofrer com o problema.

A síndrome foi descrita pela primeira vez em 1990 por pesquisadores japoneses, e também é conhecida como Síndrome Takotsubo. Se o coração de uma pessoa que sofre com a síndrome for observado em um exame de raio-x, ele tem o formato semelhante ao takotsubo, uma armadilha japonesa para polvos.

Apesar de a hipótese do estresse ser o causador do problema, a causa precisa da síndrome ainda não é conhecida, de acordo com Kevin Campbell, cardiologista da Universidade de Carolina do Norte. A vítima da síndrome até pode exibir sintomas parecidos com os do ataque cardíaco, mas não há nenhum bloqueio no órgão. As artérias parecem completamente normais, mas o coração fica dilatado e muito frágil.

A boa notícia é que a maioria das pessoas que sofrem com a síndrome não morrem por conta dela. O tratamento é o mesmo de um ataque cardíaco, e normalmente não há danos que possam ser observados um ou dois meses depois do episódio.
[CNN]

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