Crianças que assistem muita TV são mais fracas

Publicado em 17.07.2012

Existem algumas associações entre televisão e saúde que muitos estudos já confirmaram, e que o próprio senso comum nos permite fazer. Por exemplo, ficar sentado o dia todo no sofá equivale quase sempre a comer mais e se exercitar menos, ou seja, leva a obesidade.

Esta, por sua vez, é fonte de inúmeros outros males na sociedade moderna, como diabetes e doenças cardiovasculares, principal causa de morte no mundo todo.

Enquanto pesquisas anteriores já haviam afirmado que crianças que assistem muita televisão são mais propensas a comer porcarias, ter problemas para dormir e se tornarem obesas, um novo estudo da Dra. Linda Pagani, da Universidade Hospital Sainte-Justine (Canadá), estabeleceu pela primeira vez uma ligação precisa entre o tempo passado na frente da tela e medidas específicas de aptidão física.

Conclusão: quanto mais as crianças assistem TV no início da vida, mais espessas ficam em volta da cintura e mais fraca fica sua força muscular.

1.314 crianças de Quebec (Canadá) participaram do estudo. Os pais relataram o número de horas que elas passavam assistindo TV toda semana.

No início do estudo, quando as crianças tinham 2,5 anos de idade, elas assistiam cerca de 8,8 horas de TV por semana, em média. Ao longo dos próximos dois anos, o tempo de TV aumentou para 14,8 horas semanais em média. Com a idade de 4,5 anos, cerca de 15% das crianças do estudo estavam assistindo mais de 18 horas de televisão por semana.

Segundo os pesquisadores, cada hora adicional de TV por semana entre a idade 2,5 e 4,5 anos foi associada com um aumento de um pouco menos de meio milímetro na cintura a cada ano escolar. Por exemplo, uma criança de 4,5 anos que assiste a 18 horas de televisão por semana terá ganhado 7,6 milímetros extras até a idade de 10 anos.
Pode parecer pouco, mas não é. O tamanho da cintura, em particular, é associado à obesidade e às medidas de gordura visceral, o tipo de gordura particularmente perigosa em termos de saúde cardiovascular e metabólica.

Outro dado alarmante foi de um indicador de aptidão física, a força nas pernas. Crianças de 8,5 anos tiveram seu desempenho medido numa atividade de salto à distância. As que assistiam mais TV quando ainda eram pré-escolares tinham mais probabilidade de terem pior desempenho. Cada hora gasta assistindo TV por semana com a idade de 2,5 anos correspondeu a cerca de um terço de perda de centímetros no salto à distância.

Esse indicador de habilidade esportiva é importante não só para quem quer ser atleta, mas para todas as crianças, pois a potência muscular é associada a diversos marcadores de saúde, como melhor aptidão cardiovascular e menor propensão a lesões.

Como as crianças e jovens ainda estão em fase de desenvolvimento muscular e esquelético, não se mover ou fazer exercícios, algo bastante comum quando eles passam muito tempo em frente à TV, pode ser um grande problema.

Se você tem pelo menos mais de 20 anos, deve se lembrar de subir em árvores, correr descalço, escalar paredes. Hoje, tudo que as crianças fazem é ficar no computador ou em frente à TV. Essa mudança está causando muitas condições de saúde.

Essa pesquisa não é a primeira a mostrar que o abandono de atividades tradicionais está deixando crianças de 10 anos fisicamente mais fracas do que as de uma década atrás. Outro estudo também descobriu que a exposição à televisão na infância é associada com atrasos na linguagem e problemas de atenção, porque crianças e seus adultos responsáveis pronunciam menos vocalizações, usam menos palavras e conversam menos na presença de televisão audível.

O limite

A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças com mais de 2 anos de idade não assistam mais de duas horas de televisão por dia. Crianças mais jovens do que isso? Nem devem ver TV.

Pesquisas recentes indicam que para crianças até 2 anos de idade a televisão é mais prejudicial do que o normal. As consequências das horas gastas em frente à TV nessa idade são queda no interesse pelas aulas e rendimento escolar, decréscimo na quantidade de atividades físicas no cotidiano, inclusive nos finais de semana, o que leva a dificuldades de relacionamento, alto consumo de refrigerantes e aumento da massa corporal, ambos causando males à saúde.

Segundo os especialistas, o aparelho de TV distrai a atenção total da criança de brincadeiras mais lúdicas e saudáveis.
Além disso, pode distrair os próprios pais nos momentos em que brincam com os filhos, o que evita que haja interação total entre o adulto e a criança.[CNN]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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1 comentário

  1. Concordo plenamente e assino embaixo, mas acho que isso devia ser publicado na mídia no horário nobre.

    Thumb up 5

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