Mente que divaga é mais inteligente

Publicado em 20.03.2012

Enquanto você lê esse artigo, as chances são altas de que você pense em outras coisas no meio. Na verdade, alguns estudos mostram que nossas mentes estão divagando metade do tempo, com pensamentos não relacionados ao que estamos fazendo.

Um novo estudo investigou a capacidade da memória de armazenar coisas ao mesmo tempo em que está fazendo outras atividades. Essa habilidade permite que você entre em casa pensando em abrir a janela do quarto, mas pare para alimentar o cachorro, coma algo, vá ao banheiro e ainda assim se lembre do que pretendia fazer.

Os pesquisadores pediram para que voluntários fizessem uma ou duas tarefas simples – pressionar um botão quando uma letra específica aparecia na tela, ou acompanhar a respiração de outra pessoa.

“Nós usamos, intencionalmente, tarefas que não precisavam de toda a atenção delas”, comenta o pesquisador Jonathan Smallwood. “Então perguntamos: como as pessoas usam suas fontes de ócio?”.

Durante as tarefas, os pesquisadores checavam periodicamente com os participantes se eles estavam concentrados ou “viajando”. No fim, eles mediram a capacidade de memória de cada um, classificada com uma série de letras que eles deveriam lembrar, com questões fáceis de matemática apresentadas no meio tempo.

Em ambas as tarefas, uma correlação apareceu. “Pessoas com melhor memória vagaram menos durante as tarefas”, afirma o pesquisador Daniel Levinson. Mesmo assim, o desempenho dos que divagaram não foi comprometido.

Esse resultado é a primeira relação comprovada entre a memória e a capacidade da mente de divagar. “O que esse estudo parece sugerir é que, quando as circunstâncias da tarefa não são tão complicadas, as pessoas com melhor memória conseguem pensar em outras coisas mesmo que ainda façam a tarefa”, afirma Smallwood.

Porém, quando os voluntários fizeram as tarefas simples, mas com muitas distrações sensoriais, a memória não deu conta, e a mente “viajou”.

Essa capacidade da memória já foi relacionada à inteligência, em testes de compreensão e de QI. Esse estudo agora revela sua importância para as situações comuns, e abre uma janela no mundo dos pensamentos.

“Ficar vagando não é de ‘graça’ – exige recursos”, comenta Levinson. “Você tem que escolher como vai usá-los”. Por isso, deixar a mente vagar ao mesmo tempo em que não se esquece das obrigações futuras lhe dá tempo para explorar outros aspectos do mundo – e ficar mais inteligente. Levinson está estudando agora a conexão entre os dois, e como as pessoas podem controlar isso. [ScienceDaily, Foto]

Autor: Bernardo Staut

é estudante de jornalismo e interessado por povos, culturas e artes.

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18 Comentários

  1. eu so achei estranho uma coisa! como é que eles dizem que a mente que divaga e mais inteligente no titulo e no texto eles disseram que as mentes que divagaram mais nao deram conta? nao soa meio contraditorio?

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    • Com o que eu saiba, mentes com Q.I elevado tem mais facilidade em se perder em coisas simples ou em esquecer as coisas bem mais fácil.

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  2. Ótima matéria. Eu cheguei ao post pelo Google e depois procurei mais sobre este assunto e achei algo que relaciona o divagar com infelicidade.

    http://dharmalog.com/2012/02/28/mente-distraida-e-mente-infeliz-psicologos-de-harvard-encontram-gene-da-infelicidade-na-divagacao-mental/

    Ou seja, inteligência nem sempre combina com felicidade e qual objetivo da inteligência se não for para produzir qualidade de vida? Paradoxos… bom, como diria o Almir Sater “Ando devagar pq já tive pressa…” e aproveito pra divagar…

    hehe Abraços!

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  3. Estou divagando ou tem um erro de tradução neste parágrafo?

    “Em ambas as tarefas, uma correlação apareceu. “Pessoas com melhor memória vagaram menos durante as tarefas”, afirma o pesquisador Daniel Levinson.”

    O original diz:

    “People with higher working memory capacity reported more mind wandering during these simple tasks,”

    Ou seja, pessoas com melhor memória de curto prazo relataram mais (reported more)e não menos devaneios durantes as tarefas simples.

    Só olhei o original porque a tradução parecia incoerente.

    Então continuei:

    “Porém, quando os voluntários fizeram as tarefas simples, mas com muitas distrações sensoriais, a memória não deu conta, e a mente ‘viajou’.”

    O texto original parece dizer que, na situação descrita, a relação entre a memória de curto prazo e os devaneios desapareceu. Isso porque solicitar maior atenção à experiência sensorial de fato nivelou as pessoas, já que não havia mais a capacidade ociosa da dita memória.
    Isso não é o mesmo que dizer que a mémória não deu conta e a mente viajou. Até mesmo porque a mente não viajou, pois era isso que fazia antes, parando de “viajar” ao ser mais exigida.

    Outra coisa:

    “Por isso, deixar a mente vagar ao mesmo tempo em que não se esquece das obrigações futuras lhe dá tempo para explorar outros aspectos do mundo – e ficar mais inteligente.”

    Essa frase não existe no texto original. A tradutora resumiu suas impressões das idéias apresentadas, mas a mensagem do pesquisador não permite chegar à conclusão de que ficar devaneando faz a pessoa ficar mais inteligente. Ele diz apenas que a maior capacidade da memória de curto prazo tem sido usada como forma de avaliar a inteligência, a exemplo dos testes de QI e a interpretação de textos. E o presente estudo revela como tal memória também é importante nas situações cotidianas, como quando estamos no chuveiro, no ônibus, etc., e como a tradutora inteligentemente resumiu, há momentos em que a mente que vagueia pode nos fazer perder o foco, o que pede maior entendimento, treinamento e controle dessa capacidade.

    Se eu estiver errado, perdoem o pitaco. Foi só um devaneio.

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    • Uma observação: O que nós antigos chamávamos de memória recente ou de curto prazo, hoje em dia denominam memória de trabalho.

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  4. Complicado é ir fazer alguma coisa, parar no caminho para fazer outra coisa, que logo te lembra de fazer mais alguma coisa… e no final esquecer o que ia fazer inicialmente… rsrsrs

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  5. Eu então, acho que tenho DDA. Só estou bem fazendo multi-tarefa. O problema, é quando estou a falar com alguém e de repente, esqueci o que estava a dizer.
    O melhor de tudo, é eu ter muitos conhecimentos acerca de muitos assuntos e mais criatividade.

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    • Sei bem o que é esquecer o que ia dizer, principalmente enquanto respondia e-mail e procurava a maneira mais rápida de resolver aquele probleminha urgente de que o chefe reclama a dois dias…

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  6. Muito legal isso , sempre ouvi dizer que as mulheres tinham a capacidade de fazer varias coisas ao mesmo tempo e os homens não , como tarefas domesticas , e levar filho na escola e pensar no que vai fazer o dia todo e nessa correria , estamos sempre vagando ! rs

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  7. Que triste. Acho que sou retardado, porque meus pensamentos sempre mudam constantemente ai não consigo me lembrar de nada, mesmo tendo uma criatividade enorme e uma visão espacial ótima.

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    • Sê ben-vindo ao mundo dos DDA. Trata-se de um problema neurologico semcura, mas é possível melhorar a situação, usando lembretes, anotações e gestão em geral. Aconselho a escrever um diário, ficará surpreendido, ao re-ler passado algum tempo.

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  8. Se isso for verdade eu acho q sou um gênio, tenho uma tal hiperatividade mental q chega a me incomodar, inclusive devido a isso tenho T.O.C

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    • kkkkkkkk…. Foi o que pensei tb… os adoradores da ervinha então são gênios…. kkkkkk

      Enquanto eu lia esse texto eu pensei 3x em pagar minhas contas, 6x em sexo, 1x no tabalho, 8x em sexo, 4x em como ganhar dinheiro e + 9x em sexo….

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