Cientistas atômicos: estamos chegando perto do fim do mundo

O Boletim de Cientistas Atômicos afirma que a Terra está agora mais perto do juízo final causado pelo homem do que esteve em mais de 30 anos, e as razões são o aquecimento global e o armamento nuclear. Outros especialistas, entretanto, dizem que esta previsão é demasiado sombria.

O grupo de defesa fundado pelos criadores da bomba atômica mudou o seu famoso “Relógio do Juízo Final” dois minutos para frente nesta semana. Eles dizem que o mundo está há três minutos de uma meia-noite catastrófica, em vez dos cinco minutos que o relógio registrava anteriormente.

“Trata-se do fim do mundo, o fim da civilização como a conhecemos”, afirma a diretora-executiva do boletim, Kennette Benedict.

Ela chamou tanto a mudança climática quanto a modernização do armamento nuclear de ameaças iguais e inegáveis para a continuação da existência da humanidade, o que desencadeou os 20 cientistas no conselho a decidir mover o relógio para mais perto da meia-noite.

“A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta, e as ações necessárias para reduzir os riscos de desastres devem ser tomadas muito em breve”, alerta Benedict.

Outros cientistas, porém, não são tão pessimistas. Michael Oppenheimer, professor de geociências e assuntos internacionais na Universidade de Princeton (EUA), tem outra opinião. “Eu suspeito que os seres humanos vão se virar e sobreviver à situação do clima, tanto quanto sobrevivemos à situação das armas nucleares – diminuindo o risco através de ações de cooperação internacional e políticas internas paralelas”.

O boletim inclui a mudança climática em seu relógio do juízo final desde 2007. “O fato de que o relógio do fim do mundo mudou sua definição de fim do mundo mostra quão profundamente o mundo mudou. Eles tiveram que encontrar uma nova fonte de desgraça, porque a guerra termonuclear global é agora muito improvável”, analisa o psicólogo de Harvard, Steven Pinker.

Por outro lado, Richard Somerville, membro do conselho do boletim e cientista do clima no Scripps Institution of Oceanography, nos EUA, afirma que a tendência das emissões-estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis vai “levar a grandes perturbações climáticas a nível mundial. A urgência não tem nada a ver com política ou ideologia. Ela surge a partir das leis da física e da biologia e química. Essas leis não são negociáveis”.

Mas Somerville concorda que a ameaça da mudança climática não é tão “tudo ou nada” como a da guerra nuclear.

Mesmo com o fim da guerra fria, a falta de progressos no desmantelamento das armas nucleares, bem como o fato de que países como os Estados Unidos e a Rússia gastam centenas de bilhões de dólares na modernização de seus armamentos nucleares faz com que uma explosão atômica – acidental ou de propósito – seja a mais urgente e continuada ameaça, diz Benedict. Ela reconhece, entretanto, que o grupo tem alertado sobre uma catástrofe nuclear iminente com seu relógio desde 1947 e, para nossa sorte, isso ainda não aconteceu. [Phys]

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