Este contraceptivo masculino passou no seu teste mais difícil até o momento

Um método contraceptivo masculino alternativo ao preservativo e vasectomia parece finalmente estar se tornando realidade. O contraceptivo acaba de ultrapassar seu maior obstáculo da fase de testes, ao bloquear com sucesso a reprodução nos machos de macacos Rhesus por mais de um ano.

O contraceptivo é conhecido como Vasalgel, e funciona ao bloquear o tubo em que o esperma viaja, o canal deferente, com um material de hidrogel flexível e esponjoso. A melhor notícia para quem não deseja ter filhos tão cedo é que para funcionar, não é necessário tomar uma pílula diária, como no anticoncepcional tradicional feminino, mas sim uma injeção única com efeito prolongado.

O teste

No último experimento, 16 adultos Rhesus foram injetados com Vasalgel e depois foram colocados em cercados ao ar livre com grupos de Rhesus fêmeas que iam de três a nove indivíduos. Eles compartilharam o espaço por pelo menos uma temporada de acasalamento. Sete machos ficaram com fêmeas por até dois anos. Nenhuma gestação aconteceu depois das injeções de Vasalgel, mesmo com o acesso livre dos machos às fêmeas em idade fértil.

Conforme havia sido observado em experimentos anteriores, não houve nenhuma evidência de complicações. O sistema imunológico dos macacos não apresentou nenhum problema.

Uma falha deste experimento é que não houve um grupo controle para comparar os resultados, e ele envolveu poucos indivíduos. Outro problema é que nem sempre os resultados observados em macacos acontecem em seres humanos.

Mas com base nestes experimentos e em outros realizados em coelhos, os pesquisadores da empresa produtora do medicamento, Parsemus Foundation, estão se preparando para começar os experimentos clínicos com pessoas.

Um porta-voz da Parsemus Foundation afirmou em 2016 que existe a expectativa de lançar o Vasalgel ainda em 2018, com preços acessíveis para homens de todos os países.

“O desenvolvimento de contraceptivos é um projeto muito caro. Mas neste não estamos nos estágios iniciais, estamos próximos do fim. Está na hora de terminar o trabalho que começamos”, diz a diretora executiva da Parsemus, Elaine Lissner.

Esta é uma ótima notícias para homens que querem controlar seu próprio destino familiar. Neste momento, as únicas opções para eles são a camisinha, que não funciona 100% das vezes, e uma vasectomia, que também pode falhar e nem sempre por der revertida em caso de arrependimento.

Outros testes com contraceptivos masculinos incluem hormônios e regulação química do esperma, mas até agora esses métodos apresentam muitos efeitos colaterais e complicações. Um dos experimentos que pareciam mais promissores foi interrompido em 2016 quando alguns homens participantes começaram a exibir sintomas de depressão e outros problemas de humor. O Vasalgel é diferente porque bloqueia fisicamente o caminho dos espermatozoides.

Ainda não ficou claro por quanto tempo os efeitos da injeção irão durar. Experimentos duradouros são necessários para sanar esta questão. Em coelhos, os efeitos desejados foram observados por um ano, e depois, quando o gel foi retirado do canal, a produção de espermatozoides voltou ao normal. O próximo passo é reverter o funcionamento do gel nos macacos para observar os efeitos posteriores.

Pelo menos três rodadas de testes devem acontecer com homens antes de o medicamento ser disponibilizado para a população geral, o que tornaria o prazo da empresa, de lançar o medicamento em 2018, um pouco apertado.

Mesmo se for comprovado que o método contraceptivo não é ideal para homens, ele ainda pode ser utilizado em animais, como forma de impedir a procriação descontrolada. No futuro, esta poderia ser uma ótima notícia para órgãos municipais responsáveis por animais urbanos, como gatos e cachorros de rua, além de interessar também a zoológicos que mantêm animais machos e fêmeas no mesmo cercado.

“Esperamos que o uso de Vasalgel possa ser uma opção para colônias de macacos em cativeiro, incluindo zoológicos, que podem administrar as taxas de reprodução enquanto permitem que todos os animais interajam”, diz Angela Colagross-Schouten, veterinária responsável pela pesquisa. [Science Alert]

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