O universo em um clique

Estrela explode e vira do avesso

Por em 2.04.2012 as 9:00

Há cerca de 300 anos (há pouco tempo, em termos espaciais), uma estrela explodiu na constelação de Cassiopeia, a aproximadamente 11 mil anos-luz da Terra. A movimentação que gerou a supernova resultante, chamada de Cassiopeia A (ou Cas A), está sendo reconstituída no observatório Chandra, da NASA (satélite lançado em 1999).

Aparentemente, a estrela “virou do avesso” depois de explodir. Como uma estrela pode virar do avesso depois de explodir?

Isso acontece devido aos elementos químicos que a estrela formou durante sua vida. O que os cientistas fizeram foi analisar imagens de raio-X que mostram o que sobrou da estrela explodida há três séculos, e comparar com a composição da estrela ainda inteira, antes da explosão.

A estrela antiga, conforme projeção dos pesquisadores, possuía ferro no núcleo, seguido por uma camada de enxofre e silício, e uma externa de oxigênio, neônio e magnésio. A superfície da estrela era composta de gases como hélio e hidrogênio.

As imagens recentes, coletadas pelo satélite, mostram um fenômeno curioso. Na distribuição dos elementos que sobraram do extinto corpo celeste, o ferro do antigo núcleo aparece justamente na parte mais externa dos restos da estrela.

Logo em seguida, já se percebem pontos de enxofre e silício, que compunham a segunda camada mais interna, e assim por diante. Para comprovar que os elementos realmente trocaram de ordem, os cientistas vasculharam a região central da massa estelar e não havia mais resquícios de ferro lá, que foi todo expelido para a camada externa.

A imagem de raio-X que mostra a distribuição dos elementos foi coletada durante um milhão de segundos (o que equivale a cerca de onze dias e meio), e, conforme explicam os cientistas, pode servir de base para um estudo mais apurado a respeito do mecanismo das supernovas. [Science Daily]

Dalane Santos Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

15 comentários

  1. Mas é claro que se vire do avesso. Em toda explosão, as matérias mais densas (pesadas) vão para a periferia e as mais leves ficam mais centrais. Na 1987A, O circulo ao redor do nucleo é de matéria mais densa. Excetuando-se o nucleo, que não explodiu, a parte intermediária é praticamente gasosa. Isto é uma das evidencia de que não ocorreu um big bang. Veja neste caso que existem mais matéria (galáxias) concentrada no centro e se rarefaz a medida que estão mais afastado deste centro (isto esta invertido quanto a uma explosão). O universo pode ser comparado a uma gigantesca galáxia. Só que uma galáxia é feita de estrelas e o universo é uma concentração de galáxias. Isto é repetitivo no universo.

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  2. Andhros /

    Como uma estrela pode virar do avesso depois de explodir??
    Mas é lógico que se até uma pipoca pode, uma estrela também pode!

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    • Excelente analogia, excelente, meus cumprimentos.

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  3. João da cruz /

    Bastante complicado estas narrações, estrela que viraram de banda, porque quando explodem só se ve fragmento, como que daqui da terra poderam os mesmo constatar esta metémôrfose?, é so pgar uma casa de tijolos e expludi´la, o que acontece depois de fragmenta-la? voce não ve ela neem di um lado nen de outro. só artefatos.

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  4. Observador /

    Olha aí o paraíso de uma grande mineradora, dá para imaginar que no futuro a busca por matéria prima se daria nas proximidades de supernovas, diamantes, metais raros e pesados como ouro, platina, prata e até mesmo urânio seria obtidos praticamente sem esforço.

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  5. André Luis /

    Um fenômeno muito interessante! Nunca imaginei que uma estrela explodindo pudesse fazer isso! Deve ser legal observar uma supernova por algum instrumento!

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  6. Outros exemplos legais e belos de nebulosas de supernova remanescente:
    Caranguejo Notem que no quadro da imagem de raios X ela revela o poderoso pulsar que vive em seu centro.

    Vela

    1987A
    A supernova que explodiu na Grande Nuvem de Magalhães foi vista em 1987, a supernova mais brilhante observada na história recente. Bonitos os anéis brilhantes, não? Até hoje são um mistério.

    E RCW 86
    A supernova mais antiga observada por nós. Astrônomos chineses registraram-na em 185 A.C., documentando uma misteriosa estrela muito brilhante que permaneceu no céu por oito meses. Ocorreu a 8.000 anos-luz. Essa nebulosa é monstruosa, ocupa 85 anos-luz no espaço e se fosse visível ao olho nu, seria maior que a Lua cheia em nosso céu.

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  7. Balacobaco /

    Se a constelação está a 11 mil anos luz, como se sabe de algo que aconteceu a apenas 300 anos? informação incoerente.

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    • Não exatamente, a reportagem leva em conta apenas o nosso tempo, e não o tempo espacial.
      A imagem da Nebulosa que levou 11.000 anos para chegar até aqui mostra uma nebulosa remanescente de 300 anos de idade estimada, tão logo a explosão física aconteceu no nosso tempo a 11.300 anos atrás. Tudo que vemos é passado, um passado dos 11.000 anos que a imagem levou pra chegar até aqui. Mas se essa explosão aconteceu a 11.300 anos, sua imagem levou 11.000 anos para chegar aqui, e só poderia ter sido vista 300 anos atrás, subtraindo a diferença.

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    • Emerson Brito /

      Tive a mesma dúvida…

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  8. Isso confirma que a nucleossíntese estelar é real, e que os átomos mais pesados se formam até o Ferro, já números atômicos maiores se formam apenas no momento extremo que é a Supernova. Essas camadas de elementos seriam bem definidas e divididas em conchas de fusão. A primeira concha seria a tradicional onde Hidrogênio se funde para formar Hélio, seguida de uma camada predominada por hélio até a concha de fusão seguinte, onde Hélio se funde para formar Carbono e assim por diante, como no exemplo:
    Red Supergiant

    O virar do avesso, que faz com que o ferro e o silício nuclear venham parar nas bordas da nebulosa remanescente, é consequência da explosão da supernova, cujo colapso começa justamente no núcleo, jogando a massa nuclear para longe numa velocidade e força muito maior do que quando a onda de choque chega nas camadas exteriores. Literalmente, a supernova é um colapso nuclear, e a estrela desmorona sobre si mesma.

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  9. Uma correçãozinha na matéria (para não confundir): Não foi a estrela que explodiu há 300 anos, já que dessa forma só seria possível captar imagens sobre ela 10.700 anos após, que é quando receberíamos as primeiras imagens da explosão. Na verdade ela explodiu há cerca de 11.300 anos.

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    • Gilberto M. /

      Obrigado, T-Guerra. Eu já estava me achando muito burro por não conseguir compreender como se sabia que a estrela explodiu a apenas 300 anos se ela está a 11 000 anos-luz daqui. Sinto-me melhor.

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    • Enquanto lia a matéria já estava pensando no comentário, ainda bem que li antes, senão iria questionar essa conta…

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