FIFA alerta para o abuso de analgésicos entre jogadores de futebol

Publicado em 19.06.2012

Segundo o Dr. Jiri Dvorak, chefe médico da FIFA, o abuso de analgésicos pode colocar as carreiras e a saúde dos jogadores de futebol em perigo, em longo prazo.

Um estudo pedido pela equipe médica da FIFA, que requisitou uma lista de medicamentos que os jogadores tomavam antes de cada jogo na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, publicado no periódico British Journal of Sports Medicine, revelou que os níveis de uso de analgésicos estão maiores do que nunca: 39% dos jogadores tomaram medicação para dor antes de cada jogo na Copa.

As diferenças variavam bastante entre os times. E advinha que países tomavam mais analgésicos? Os da América do Sul e do Norte, que tiveram o maior relato de uso de medicamentos por partida e por jogador. “Acho que podemos usar a palavra abuso aqui”, disse Dr. Dvorak.

Como esses remédios são facilmente acessíveis, cada vez atletas estão lançando mão desse “recurso”. Segundo Dvorak, a situação é alarmante. O abuso de medicamentos é visto até nas competições sub-17, por cerca de 16 a 19% dos jogadores.

O curioso é que um estudo recente da Universidade de Heidelberg (Alemanha) concluiu que os atletas, de ambos os sexos, têm maior tolerância à dor do que não atletas. Não é que eles são mais resistentes que o resto da população, mas sua percepção da dor é diferente – eles a aguentam mais.

Será que esse resultado é honesto, ou tem a ver com o tanto de analgésicos que eles andam tomando? O que está por trás disso?

Segundo o médico da FIFA, os jogadores mais jovens estão imitando os mais velhos e tomando muitos medicamentos para dor, às vezes antes mesmo de senti-la. Isso corresponde à pressão sofrida pelos atletas – em alguns casos pelos médicos dos clubes também – para jogar e estar sempre bem, na sua melhor forma.

Ou seja, o médico que deixa algum jogador fora de alguma partida pode se tornar o vilão. E com certeza muitos jogadores nem sequer procuram os médicos em face de algumas dores, se esforçando ao máximo para permanecer em campo com medo de perder sua vaga para outro atleta – o analgésico então entra em ação.

Futebol é garra e negócios. Se você quer ganhar, se quer continuar sendo valorizado, precisa jogar o máximo de partidas possível, na sua melhor forma. Se o time precisa de você, não dá para ignorar isso. Caso conhecido, por exemplo, é do jogador Júlio César, que no Campeonato Brasileiro do ano passado, pelo Corinthians, sofreu uma grave fratura exposta no dedo mínimo da mão esquerda e continuou defendendo o gol, porque seu time já havia feito as três substituições permitidas por jogo.

As consequências

Jogadores que tomam analgésicos antes mesmo de sentir dor correm grandes perigos. Como eles provavelmente não vão perceber o sinal do corpo que diz que já estão esgotados ou no seu limite, podem acabar se machucando mais gravemente ainda – ou seja, o contrário do desejado ocorre.

Especialistas afirmam que os analgésicos podem ser particularmente perigosos no esporte profissional. Em exercícios de alta intensidade, como o futebol, os rins de um jogador são continuamente “cobrados”, o que os torna mais vulneráveis a danos causados por medicamentos fortes.

Também, os efeitos dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) – grupo de remédios que controla a inflamação, reduz a dor e combate a febre – não estão apenas confinados a danos no rins e fígado.

Segundo o especialista na utilização destas drogas por atletas Stuart Warden, da Universidade de Indiana (EUA), existem preocupações sobre o impacto dos AINES ao coração (relacionado a outros fatores de risco). “Há um risco elevado de efeitos colaterais cardiovasculares em quase todos os AINEs, que aumenta com a duração do uso. É melhor limitar sua ingestão para indicação médica no tratamento de dor e inflamação agudas”, diz.[BBC, LiveScience]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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