Focas podem achar seu local de nascimento através de seu “GPS”

Publicado em 22.11.2011

Talvez você conheça uma história assim: o cachorro de estimação fugiu de casa, rodou dezenas de quilômetros pela cidade a esmo, mas de algum jeito sobrenatural, achou o caminho de volta. Se isso parece uma façanha no mundo canino, é habilidade natural entre algumas focas. Pesquisadores britânicos descobriram que certas espécies podem localizar exatamente o local em que nasceram depois de cinco anos perambulando pelo mar.

O estudo que fez essa descoberta foi conduzido por cientistas do Centro de Pesquisas Britânico na Antártica (BAS, na sigla em inglês). Eles se instalaram nas proximidades de um local onde o lobo-marinho-antárico (uma espécie de foca) costuma dar à luz seus filhotes. Durante o tempo de pesquisa, instalaram pequenos rádios transmissores nos corpos de 335 lobos marinhos recém nascidos.

Com o rastreamento garantido, os cientistas passaram a observar o itinerário das focas pelo mar. Descobriram que elas passam cinco anos sem se fixar em um lugar, período no qual se alimentam, crescem e atingem a fase adulta. Em certo momento, quando às vezes já se afastaram tanto do Pólo Sul que estão quase no Uruguai, elas dão meia volta para dar à luz.

As focas têm o hábito de retornar ao lugar em que nasceram para ter seus filhotes. Mas não estamos falando de voltar para uma vasta região, onde elas nasceram nas proximidades: a foca dá à luz a menos de dez metros do exato local onde foi gerada. Algumas delas, conforme mediram os cientistas, puderam voltar a um corpo de distância do local onde foram originadas.

Ainda não se sabe explicar, exatamente, qual a razão dessa capacidade superior à de um potente GPS (que indica um local com margem de erro de cinco metros, precisão que foi superada pela maioria dos animais testados). Além de encontrar o caminho certo para parir, os lobos marinhos usam esse engenhoso sistema de localização para demarcar territórios e se comunicar.

Alguns outros animais aquáticos, além das focas, também possuem impressionantes habilidades de navegação, mas boa parte do funcionamento desse mecanismo permanece um mistério. [Telegraph]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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1 comentário

  1. Um GPS comum, desses que temos acesso, tem precisão em torno de 10 metros.

    Quem compra os dados do sistema GPS (militares americanos) ou do GONAD (militares russos) ou mesmo do novo Galileo (militares da união européia), tem precisão de menos de 1 metro. Ou até menos.

    É um sistema fantástico. E gratuito para essa precisão comercial que temos.

    Thumb up 0

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