Fotos amadoras identificam rota de um cometa

Publicado em 24.04.2011

Aficcionados que costumam tirar fotos do céu, e observar fenômenos astronômicos interessantes, podem se tornar importantes colaboradores da ciência na era da Internet. Dois astrônomos profissionais conseguiram traçar a órbita ainda desconhecida de um cometa, no último mês, graças a uma série de fotos amadoras disponíveis na web às quais eles tiveram acesso.

Um dos astrônomos é da Universidade de Princeton (EUA) e o outro de um instituto astronômico em Heidelberg, na Alemanha. Em outubro de 2007, o cometa 17P/Holmes foi considerado pela astronomia o corpo celeste mais brilhante do sistema solar, o que levou uma legião de curiosos a tentar fotografá-lo.

Usando um simples mecanismo de busca na Internet, eles encontraram 2.476 fotos do Holmes. A partir de um site especializado em astronomia, 1.299 delas foram consideradas fotos noturnas legítimas, nas quais se podia estudar. Calculando onde cada foto situou o cometa no tempo e no espaço, foi possível identificar a rota completa por onde passa o Holmes, e a astronomia agora já conhece sua órbita.

A dupla de astrônomos parece animada com os resultados obtidos. Tanto é que já planejam o próximo trabalho baseado exclusivamente em fotos amadoras da rede mundial. Será para definir o itinerário de outro cometa, o Hayakatuke, que aparece em 3.500 fotos diferentes apenas no site Flickr. [Pop Sci]

Autor: Bruno Calzavara

Bruno Calzavara é recém-formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e está de volta à equipe do Hype após dois anos. Adora todos os esportes, exceto futebol. Gosta de chocolate e de sorvete, mas não de sorvete de chocolate.

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4 Comentários

  1. Legal Cesar!
    Gosto muito de ler os seus comentários; são sempre instrutivos e bem escritos. Parabéns.

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  2. Nem sempre os cometas possuem rotas permanentes. Os antigos já os chamavam de “os sem regras”, os “vagabundos” do cosmos. O Hale-Bopp mudou sua rota dia-a-dia à medida que se aproximava do Sistema Solar interno, causada pelo arrasto eletromagnético de sua enorme cauda.

    Quanto maior o cometa, maior a descarga elétrica entre o Capacitor Solar e o corpo cometário, e maior o efeito do arraste de cauda. O Hale-Bopp era um cometa gigante, em comparação aos que nós temos visto pelos telescópios desde que foram inventados.

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  3. EP, os cometas seguem uma trajetória elíptica alongada consequência da atração gravitacional. Sir Isaac Newton, mais de 300 anos atrás, foi o primeiro a demonstrar isto com segurança. Entretanto, vista da Terra, a órbita deles parece um pouco complexa, mas isto tem uma razão simples também: a Terra não é um ponto de observação fixo. À medida que o cometa se aproxima do Sol, a Terra avança em sua própria órbita, e a posição que nós vemos o cometa no céu é consequência da projeção destes dois movimentos.

    Se a coisa parece complexa, imagine que você está em um carro, em uma free-way, ultrapassando outro carro. Do seu ponto de vista, o carro está indo para trás, mas o carro também está avançando. Agora imagine que você está indo em direção a uma intersecção feita com vias elevadas, e observe um carro que está em uma via que cruza a via que você está. Olhe para o carro e anote mentalmente a direção que você teve que olhar para ver o carro, e pense, se você não pudesse perceber que o teu carro estivesse em movimento, em como você descreveria o movimento do outro carro. Faça este exercício e você vai perceber por que uma órbita simples, como uma elipse alongada (uma parábola do nosso ponto de vista) pode parecer descrever um loop, por exemplo.

    Outra coisa, a foto mostra um trecho da órbita do cometa, só que não diz quanto tempo o cometa levou para percorrer aquele trecho, mas pode contar aí, devem ter sido alguns meses. Ou seja, você não vai ver, em uma noite, o cometa fazer uma cambalhota no céu…

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  4. Cientistas amadores e desprovidos de verbas já conseguem descobrir muitas coisas. Agora imaginem o que grandes centros, como a NASA, podem descobrir.

    Eu adoraria saber porque cometas seguem um percurso sempre definido. É como eles fossem controlados (que fique claro, não estou dizendo que são ETs, só estão dizendo que é interessante a forma que eles se comportam no Espaço, devido às condições variadas que tem)

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