Grupo de psiquiatria diz aos membros que podem ignorar a “regra Goldwater” e discutir a saúde mental de Trump

Um importante grupo de psiquiatria disse a seus membros que eles não devem se sentir vinculados a uma regra de longa data em vez de comentar publicamente sobre o estado mental das figuras públicas – até mesmo o presidente.

A declaração, emitida neste mês num e-mail do comitê executivo da American Psychoanalytic Association a seus 3.500 membros, representa a primeira quebra significativa na frente profissional unida há décadas com o objetivo de impedir que os especialistas discutam os aspectos psiquiátricos do comportamento dos políticos. Isso possivelmente fará com que muitos de seus membros, agora, sintam-se mais à vontade para discutir abertamente a saúde mental do presidente Trump.

Justificativas

O ímpeto para o e-mail foi a “crença no valor do conhecimento psicanalítico na explicação do comportamento humano”, disse o ex-presidente da associação psicanalítica, Dr. Prudence Gourguechon, psiquiatra em Chicago. “Nós não queremos proibir nossos membros de usar seus conhecimentos de modo responsável”.

Essa responsabilidade é especialmente importante hoje, ela disse à STAT, “porque o comportamento de Trump é muito diferente de qualquer coisa que já vimos em um comandante em exercício”.

Um número cada vez maior de psicólogos e psiquiatras criticavam a restrição e a definiram como uma “regra de mordaça”. Alguns argumentaram que têm o “dever de alertar” o público sobre o que eles veem como um narcisismo em Trump, além de comportamentos como impulsividade, dificuldade de atenção, paranoia e outros traços que, segundo os médicos, interferem em sua habilidade para liderar.

Repórteres, especialistas e funcionários do governo “têm tropeçado tentando explicar o comportamento incomum de Trump” diante de sua conduta aparentemente compulsiva em um cargo de tamanha seriedade, disse o Dr. Leonard Glass, um psiquiatra da Harvard Medical School. A regra contra psiquiatras, que oferecem à sociedade sua análise das emoções, padrões de pensamento e crenças subjacentes a tais comportamentos, disse Glass, priva o público “de nosso julgamento profissional e nos impede de comunicar nosso entendimento do estado mental do presidente”.

Na semana passada, em um ensaio publicado na Psychiatric Times, Glass chamou a proibição de “uma violação inaceitável do meu direito e dever de discutir questões nas quais a perspectiva dos psiquiatras pode ser muito relevante e esclarecedora”. Ele encerrou a redação do texto anunciando sua renúncia à American Psychiatric Association, que adotou a regra em 1973. Ele era membro há 41 anos.

Ética profissional

Chamado a “regra Goldwater”, a proibição de opinar sobre o estado mental das figuras públicas foi adotada depois que alguns psiquiatras responderam a uma pesquisa de 1964 sobre se o senador Barry Goldwater, o candidato presidencial republicano naquele ano, era mentalmente apto para o Salão Oval. A regra afirma que não é ético oferecer uma opinião profissional sobre a saúde mental de uma figura pública, incluindo a presença ou ausência de uma desordem, sem o consentimento deste indivíduo e sem executar um exame padrão. Em março, a associação psiquiátrica reafirmou a regra. O grupo agiu, apesar de críticas crescentes de que a regra Goldwater está obsoleta e até mesmo antiética, para evitar que os psiquiatras apontem comportamentos que levantam questões sobre o estado mental de um funcionário do governo. Nenhuma outra especialidade médica adota tal regra; os cardiologistas não são proibidos de oferecer suas opiniões sobre o desmaio repentino de um funcionário, por exemplo, desde que deixem claro que não o examinaram.

Embora a oposição à regra Goldwater tenha existido durante anos, ela se intensificou com a candidatura de Trump e depois das eleições. Em outubro, o livro “O perigoso caso de Donald Trump: 27 psiquiatras e especialistas em saúde mental avaliam um presidente” será publicado.

“Quando o livro sair, será reacendido o furor sobre a regra Goldwater, já que aborda exatamente o que está errado com Trump”, disse o psiquiatra Dr. Lance Dodes, professor aposentado da Harvard Medical School, que agora atua no setor privado em Los Angeles.

Divergências

Vários psicólogos informaram à imprensa sobre o que as declarações e as ações de Trump podem revelar sobre seu estado emocional e cognitivo. Embora a Associação Americana de Psicologia “prefira” que seus membros não opinem sobre a psicologia de alguém que não tenham examinado, ela não adota a regra Goldwater e não considera implementar uma, disse um funcionário ao STAT.

A associação psicanalítica foi mais longe. Via e-mail, em 6 de julho, divulgou pela primeira vez uma declaração explícita de que a organização não segue essa regra. A posição esteve implícita durante anos, mas os líderes da associação se mostraram extremamente relutantes em emitir uma declaração e desafiar publicamente a American Psychiatric Association, de acordo com um membro da associação psicanalítica que preferiu não ser identificado.

Um raciocínio que sustenta a regra Goldwater é que os psiquiatras precisam examinar os pacientes para obter uma avaliação adequada. Ainda assim, durante décadas, o Departamento de Estado e outras agências federais pediram aos psiquiatras que ofereçam suas opiniões sobre o estado psicológico dos líderes estrangeiros, observou Glass. Esta é uma evidência de que funcionários do governo acreditam que é possível obter conclusões relevantes sobre estados mentais com base no comportamento público e nos discursos.

“No caso de Donald Trump, há uma extraordinária abundância de falas e comportamentos que se poderia avaliar”, disse Glass. “Não é uma conclusão definitiva, é uma hipótese informada, e devemos poder oferecê-la ao invés do silêncio colossal exigido pela regra Goldwater”.

A regra Goldwater tem o detalhe curioso de que sua violação que não acarreta penalidades. Em princípio, a associação psiquiátrica pode apresentar uma queixa junto ao conselho médico do estado. Isso, aparentemente, nunca aconteceu. A associação também jamais expulsou um membro por violar a regra Goldwater. Isso é algo que, na condição de associação privada, seria legalmente possível. [StatNews]

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7 respostas para “Grupo de psiquiatria diz aos membros que podem ignorar a “regra Goldwater” e discutir a saúde mental de Trump”

    • Dalton, você está acompanhando o que está acontecendo? O Trump não é de direita, senão não tinha negociado com os russos. E ele está enterrado até o pescoço nos interesses globalistas. Ou você acha que ele só tem empresas nos EUA?

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