Hubble vê a luz fantasma de galáxias mortas

A uma distância de 4 bilhões de anos-luz existe um superaglomerado de galáxias, chamado de “Aglomerado de Pandora”, ou Abell 2744, com uma massa tremenda. No meio dele, ficam os restos de galáxias mortas.

Examinando este grupo, o Hubble registrou a luz fraca de estrelas expulsas de antigas galáxias que foram feitas em pedaços por forças de maré gravitacional alguns bilhões de anos atrás.

São estrelas que não fazem parte de nenhuma galáxia atualmente, mas os exames feitos sugerem que elas pertenceram a pelo menos seis galáxias que se aproximaram demais do centro do aglomerado, e foram despedaçadas pelas intensas forças de maré no local, durante um período de 6 bilhões de anos. Algumas das galáxias que foram destruídas eram tão grandes quanto a nossa Via Láctea.

Os astrônomos já suspeitavam da existência destas estrelas e esperavam encontrar a luz delas, mas como se tratam apenas de estrelas em um grupo de galáxias brilhantes, elas são ofuscadas pelo brilho das galáxias, e muito difíceis de identificar.

Entretanto, a luz destas estrelas tem uma característica única: brilha muito no infravermelho próximo, e o Hubble é bastante sensível a luz infravermelho mesmo extraordinariamente fraca. Desta forma, os astrônomos conseguiram identificar esta luz e obter algumas propriedades das estrelas a partir destas medições.

A medição da luz das estrelas fantasmas mostrou que elas são ricas em elementos mais pesados como oxigênio, carbono e nitrogênio, o que indica que são estrelas de segunda ou terceira geração. Uma estrela de segunda ou terceira geração se forma a partir de uma nebulosa molecular que contém elementos mais pesados, com mais prótons que o hidrogênio, e são o resultado de uma supernova.

O aglomerado Abel 2744 faz parte de um programa chamado Frontier Fields, que tem a intenção de fazer com que o Hubble e outros telescópios vejam mais longe usando a gravidade de superaglomerados para “dar um zoom” em partes mais distantes do universo, através do efeito de lente gravitacional.

Além do Pandora Box, que tem massa equivalente a 4 trilhões de sóis, existem outros cinco aglomerados supermassivos, e a equipe pretende examinar todos para encontrar esta mesma “luz fantasma” – os restos de galáxias mortas há muito tempo, o legado que elas deixaram vagando solitárias no frio vazio do espaço. [Phys.org]

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