Mãe e filha podem protagonizar primeiro transplante de útero

Publicado em 15.06.2011

Uma família está prestes a fazer parte da história da medicina: a filha, que nasceu sem útero, pode receber o órgão de sua mãe no primeiro transplante semelhante do mundo.

Sara Ottoson, de 25 anos, possui a rara Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH, ou agênese vaginal), caracterizada pela ausência de algumas partes do sistema reprodutivo. Para ajudá-la a ter filhos, os médicos de sua cidade natal, na Suécia, estão considerando a remoção do útero de onde a própria Sara saiu – ou seja, o órgão de sua mãe Eva, de 56 anos – para transplantá-lo no corpo de Sara.

“Minha filha e eu somos pessoas muito racionais e nós duas pensamos ‘é apenas um útero’”, comenta Eva sobre a polêmica de sua filha receber o órgão de onde ela mesma nasceu. “Ela precisa do útero e se eu sou a melhor doadora para ela… bem, vamos em frente. Ela precisa mais do que eu. Eu tive duas filhas, meu útero já me serviu bem”, acrescenta.

Sara também não vê problema algum na cirurgia inédita. “Eu sou professora de biologia e sei que o útero é apenas um órgão como qualquer outro”, explica. “Minha mãe estava um pouco receosa no início e me perguntou se isso não era estranho”, conta. “Não, não é. Minha preocupação é quanto à saúde de minha mãe por conta dessa grande operação”, completa.

Ela está esperançosa de que o transplante vá funcionar, mas admite não criar muitas expectativas para não ficar desapontada caso a operação não seja um sucesso. “Nós temos pensado sobre adoção por um longo tempo e, se o transplante falhar, ainda temos essa opção”, diz Sara.

Além de toda essa questão de mãe/filha, o transplante, se bem sucedido, pode ser inovador. Apenas cerca de 1 em cada 5 mil mulheres possuem a síndrome MRKH, mas muitas outras perdem o útero por demais motivos. O sucesso desse procedimento poderia dar a todas a esperança de conceber uma criança com o órgão transplantado.[Jezebel]

Autor: Bruno Calzavara

Bruno Calzavara é recém-formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e está de volta à equipe do Hype após dois anos. Adora todos os esportes, exceto futebol. Gosta de chocolate e de sorvete, mas não de sorvete de chocolate.

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