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Mais meninos do que meninas fazem xixi na cama

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Por em 29.03.2011 as 2:46

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Aproximadamente uma em cada 20 crianças (ou 5% da população infantil) molha a cama durante a noite, mas os meninos são duas vezes mais propensos a fazê-lo do que as meninas, diz um novo estudo sobre o assunto.

Após um experimento com mais de 6.000 crianças, os pesquisadores descobriram que cerca de sete em cada cem meninos e três em cada cem meninas urinam na cama pelo menos uma vez por mês.

“A enurese noturna é hereditária em quatro a cada dez casos”, explica Joseph Barone, urologista pediátrico do Hospital Infantil de Bristol-Myers Squibb em Nova Jersey, estados Unidos.

Às vezes, a razão para o descontrole durante a noite é o desenvolvimento ainda não completo na ligação entre a bexiga e o cérebro. Barone ainda explica que os meninos tem mais tendência a molhar a cama do que as meninas porque elas amadurecem mais rápido. “Entretanto, 99% das crianças conseguem superar o caso ainda durante a infância”, conta Barone, que não esteve envolvido no estudo.

Os investigadores pediram para os pais de 3 mil meninas e 3.100 meninos  preencherem questionários sobre a frequência com que filhos urinavam na cama. As crianças tinham entre 6 e 11 anos e a pesquisa se concentrou-se na cidade de Hong Kong, China.

Sem surpresa, os pesquisadores descobriram que a enurese diminui com a idade. Nove em cada cem crianças de seis anos de idade urinam na cama, contra duas em cada cem aos onze.

Na maioria das crianças, a melhor maneira de curar a enurese é a utilização de um alarme, segundo Barone. Trata-se de um sensor na roupa de baixo da criança, que se apaga quando é molhado. Ele é conectado a um alarme em uma pulseira ou ao lado de sua cabeça.

A média de preço fica na casa dos 50 a 60 dólares norte-americanos, embora alguns dos modelos mais sofisticados podem custar até 150 dólares. “Os sistemas de alarme são considerados a primeira escolha e eles funcionam em 80% ou até 90% dos casos se usados corretamente”, afirma Barone.

Se isso não funcionar, há também medicamentos, tais como acetato de desmopressina (conhecido como DDAVP) ou imipramina. “No entanto, eles têm efeitos colaterais e são um tratamento, não a cura”, ressalta.

Os pesquisadores, do Hospital Príncipe de Gales, na Universidade Chinesa de Hong Kong, também estudaram um grupo de crianças – cerca de 400 que apresentavam alto risco de apneia do sono, e 200 que não apresentavam – para ver se a apneia está ligada de alguma forma à incontinência urinária.

Eles descobriram que não. Cerca de nove em cada cem crianças – de ambos os grupos – fizeram xixi na cama. Essa é uma taxa superior à do maior grupo estudado, talvez porque essas crianças foram diretamente observados em um “laboratório do sono”.

Estudos anteriores mostraram uma ligação entre o distúrbio do sono – que afeta aproximadamente uma em 50 crianças, segundo a Academia Americana de Pediatria – e fazer xixi na cama.

Apneia do sono em crianças é geralmente tratado tirando as amígdalas ou adenóides das crianças. Se elas também molham a cama, esse problema também cessa em cerca de metade dos casos, explica Barone.

Bruno Calzavara é estudante do 4o ano de Jornalismo na Universidade Federal do Parana, mas não vai se formar neste ano. Está fazendo intercâmbio na Universidade de Pisa, na Itália. Volta em agosto. Já trabalhou em vários campos jornalísticos e agora lida com o mundo fascinante dos textos científicos de HypeScience. É dono de um blog de viagem.

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