Maridos abusivos: o que os torna agressivos

Publicado em 2.08.2012

Um novo estudo da pesquisadora Julianna Nemeth, da Universidade Estadual de Ohio (EUA), mostrou o principal fator que instiga os homens a abusar violentamente das mulheres.

Ao analisar conversas telefônicas entre presos condenados por abuso e suas mulheres e/ou esposas, os cientistas tiveram uma visão inédita e direta dos casais envolvidos em casos de violência doméstica, sem depender de analisar o que eles falaram para a polícia, advogados, prestadores de cuidados de saúde, etc.

17 casais heterossexuais, em que o homem foi detido em um presídio no estado de Washington (EUA) por crime de violência contra o parceiro íntimo, foram estudados. As vítimas tinham sofrido ferimentos graves durante os ataques, incluindo traumatismo craniano grave, necessidade de internação hospitalar, mordidas, estrangulamento e até gravidez perdida. Os casais sabiam que suas conversas telefônicas estavam sendo gravadas.

O que os pesquisadores descobriram foi um fator comum a quase todos os eventos violentos: a acusação de infidelidade. “O que estávamos procurando era o precursor imediato – o que aconteceu imediatamente antes da violência, o catalisador da violência”, disse Nemeth. “Os resultados me chocaram. Nunca soubemos que era a acusação de infidelidade que tendia a desencadear a violência”.

Os cientistas também descobriram uma variedade de outros estressores crônicos nas relações desses casais que podem ter contribuído para o abuso. Além da suspeita de infidelidade, presente em quase todos os relacionamentos, o uso de drogas e álcool também era um gatilho para a violência e um problema crônico.

Álcool ou drogas ajudaram a “piorar” o que começou como uma discussão, transformando-a em violência grave. Muitos dos casais também discutiram necessidades de saúde mental, como depressão e preocupação com o suicídio. Aliás, estudos já provaram que há uma ligação forte entre violência doméstica e saúde mental. As mulheres são drasticamente mais propensas a desenvolver distúrbios mentais em algum momento de suas vidas se tiverem sido vítimas de estupro, agressão sexual, perseguição, ou violência doméstica, entre eles depressão, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, abuso de substâncias, ou ansiedade.

Papel da mulher x papel do homem

A ideia de uma mulher “trair o seu homem” é inaceitável para muitos maridos, já que nossa sociedade ainda contém muitos machismos, apesar da busca pela igualdade de gênero. Prova disso é que o homem que “pega” muitas mulheres é garanhão, e a mulher que “pega” muitos homens é galinha.

Sendo assim, os pesquisadores perceberam que uma das chaves para compreender essas relações violentas foi a extensão em que os casais aceitavam papéis de gênero heterossexuais tradicionais, muitas vezes justificados através da religião.

“É comum ouvir os casais discutirem como as mulheres devem se casar e ter filhos, e como os homens devem ser fortes e estar no controle”, disse Amy Bonomi, coautora do estudo. “Os homens tendem a usar esses papéis tradicionais de gênero para justificar o uso da violência”.

Por exemplo, um preso justificou o estupro de sua mulher “porque ela queria ser mãe de qualquer maneira”. 5 dos 17 casais falaram sobre violência grave durante a gravidez e duas mulheres discutiram uma gravidez perdida como resultado da violência.

Em cerca de metade dos casais que tinham aceitado claramente papéis tradicionais de gênero, a religião distorcida foi usada como justificativa. Em um caso, o agressor disse à sua vítima que seu ataque foi para “limpar sua alma”.

Os resultados do estudo devem levar a mudanças e novas estratégias para os defensores das vítimas e outros profissionais de saúde mental. Defensores de vítimas de abuso doméstico muitas vezes preparam planos de segurança para determinar quanto perigo uma mulher corre e o que ela pode fazer para se proteger. Perguntar especificamente sobre ciúmes e infidelidade sexual pode ser importante. “Se é uma questão que os casais estão discutindo, é uma bandeira vermelha de que o relacionamento pode ser volátil”, diz Nemeth.

A pesquisa também sugere que deveríamos prestar atenção nas pessoas com problemas de drogas e álcool e de saúde mental para sinais de violência doméstica, uma vez que todas estas questões podem ser relacionadas.

Além disso, um remédio pode surgir em breve, já que um estudo da Universidade do Sudeste da Califórnia (EUA) fez um avanço significativo no desenvolvimento de drogas que diminuem a agressão patológica, um componente muito comum em distúrbios psicológicos.[MedicalXpress]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 25 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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9 Comentários

  1. o que adianta ter essa lei se as companheiras não denunciam; deveria haver, outra forma para saber se a mulher esta sendo agredida, pelo companheiro, como lesões e se anda deprimida.

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    • Verdade.

      A maioria cai naquele abismo chamado: ” Ele vai mudar dessa vez. “

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  2. Traição é inaceitável, seja por parte do homem ou da mulher. Mulheres, vocês querem mesmo conquistar o seu espaço na sociedade, copiando as futilidades dos homens e não impondo suas próprias qualidades?
    Se continuarem assim vão morar em um barraco com 11 filhos e nem vão saber quem são os pais. rs

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  3. é triste isso, mas a mulher tem culpa às vezes, na maioria pois nunca denuncia o companheiro e quando denuncia as autoridades se omitem.

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    • A culpa é do agressor, nunca do agredido. Você mesmo se contradizeu e respondeu a sua própria pergunta. Você diz que a mulher tem culpa porque ela não denuncia, mas aí você segue dizendo que quando ela denuncia as autoridades omitem. Soma 2+2. Mulheres não denunciam por exatamente esse motivo. Tirando aquelas que tem esperança de que o marido vá mudar (e mesmo assim a culpa não é delas), as mulheres não denunciam por medo do marido, medo de denunciarem e não fizerem nada. Essa coisa de culpar vítima é ridícula. Vai na cara de uma vítima de abuso e fale isso em sua frente. Se você não teria coragem, é porque sabe que um absurdo desses não é certo. Culpar a vítima é algo muito ultrapassado. Ela não pediu pro marido bater nela. A culpa é do animal que não sabe se controlar.

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    • São 2 seres humanos. O agredido tem que valer o próprio cérebro, raciocinar e agir para evitar novas agressões.

      Acredito que as mulheres tem os mesmos direitos, e obviamente também tem os mesmos deveres.

      Afinal, a polícia não tem entre os encorporados, médiuns espiritas ou pais de santo.

      Não vamos tratar as mulheres como seres não-pensantes e inferiores, são humanos e ponto final.

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    • Culpa delas? O único culpado é o agressor. O motivo pra uma mulher não denunciar o parceiro pode ser vários, e mesmo que ela cometa um erro por não denúnciar a culpa continua sendo do agressor. Quem agrediu foi ele, quem causou a situação de agressão foi ele, não faz sentido jogar a culpa pra mulher.

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  4. Como já dizia o guru Reginaldo Rossi: “Todo corno é revoltado, e tem toda razão!”

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