Meninas de 3 anos já querem ser magras

Segundo um novo estudo com crianças pré-escolares, até mesmo meninas de três anos já são emocionalmente envolvidas em serem magras, ao ponto de algumas evitarem tocar peças de um jogo que retratam uma pessoa obesa.

A pesquisa incluiu um grupo de 55 meninas do sudoeste dos Estados Unidos. Estudos em outras regiões dos EUA estão garantidos, antes de generalizar os resultados para o restante da população americana.

Segundo os pesquisadores, essa constatação é preocupante, uma vez que a pressão para ser magra tem sido associada a um maior risco de transtornos alimentares e depressão. Além disso, uma visão negativa de pessoas obesas não é boa. Provocações relacionadas com o peso também têm sido associadas a uma variedade de resultados negativos. Como as sociedades estão lidando com uma epidemia de obesidade, isso é especialmente perigoso.

Os pesquisadores acreditam que o desejo de ser magra pode acompanhar uma alimentação rigorosa ou outros comportamentos para atingir essa meta. A pesquisa atual sugere que meninas muito jovens entendem que a magreza é um valor da sociedade muito grande, e algumas meninas de 6 anos já estão de dieta para controlar seu peso.

Alguns especialistas palpitam que as meninas pré-escolares são muito suscetíveis a internalizar o ideal de magreza e, talvez, a tomar atitudes para ficar magra. Os pesquisadores então quiseram entender se as jovens já tinham esse ideal de magreza internalizado, no que se refere à medida que os indivíduos adotam o ideal cultural de um corpo esbelto como seu padrão pessoal.

Pesquisas anteriores sugeriam que as crianças são conscientes de suas crenças anti-gordura, mas se elas haviam internalizado essas crenças era difícil de saber, visto que nessa idade elas não são capazes de verbalizar pensamentos e sentimentos complexos. Então, nesse novo estudo, os pesquisadores tiveram que ser criativos.

Para descobrir se as meninas tinham pensamentos mais positivos sobre tipos magros do que gordos, eles pediram a meninas pré-escolares (3 a 5 anos) para olhar a três figuras idênticas em todos os sentidos, exceto pelo tamanho do seu corpo: magro, na média e gordo. As crianças tinham de associar 12 adjetivos (seis positivos e seis negativos) com as figuras.

A frase era: “Aponte para a garota que você acha que está/é ____”. Os descritores positivos eram: bonita, inteligente, amigável, elegante, fofa e tranquila. Os descritores negativos eram: malvada, estúpida, sem amigos, desleixada, feia e barulhenta. Uma média de 3,1 palavras negativas e 1,2 palavras positivas foram usadas para descrever pessoas gordas, em comparação com uma média de 1,2 adjetivos negativos e 2,7 adjetivos positivos para as figuras magras.

Em seguida, as meninas observaram nove fotos de outras figuras, três de cada tipo de corpo, e tiveram que circular as três com quem mais gostariam de brincar ou serem melhores amigas. As pré-escolares foram significativamente mais propensas a escolher a figura magra sobre os outros dois tipos como melhor amiga. Resultados semelhantes apareceram quando elas escolheram o círculo de amigos com quem brincar.

Finalmente, os participantes jogaram dois jogos de tabuleiro populares para essa faixa etária. As crianças tiveram que escolher três peças diferentes do jogo que haviam sido projetadas especialmente para esta tarefa, variando apenas no tipo de corpo: um era magro, um médio e um era gordo.

Para medir o investimento emocional em cada tipo de tamanho do corpo escolhido pelas meninas, depois que cada criança escolheu uma peça do jogo, o pesquisador pediu para trocar de peça com elas. Se a criança tinha escolhido uma peça do jogo com um corpo magro ou médio, o pesquisador pediu para trocar com o gordo, e se a criança tivesse escolhido uma peça de jogo gorda, o pesquisador pediu para trocá-la com uma média.

As respostas das meninas foram classificadas como: vontade de mudar (a criança imediatamente disse “sim” e não expressou nenhum tipo de desconforto ou infelicidade); relutância em mudar (a criança hesitou por mais de 5 segundos, se recusou a fazer contato visual com o pesquisador, ou olhou para os pais em busca de orientação), e não dispostas a mudar (a criança disse “não” ou abanou a cabeça negativamente).

Algumas respostas foram muito fortes. Várias participantes se mostraram relutantes até em tocar a peça do jogo que era gorda. Por exemplo, uma criança selecionou a peça magra como a menina que ela queria ser no jogo. Quando o pesquisador perguntou se ela estava disposta a mudar pela gorda, a criança enrugou o nariz e evitou tocar a peça gorda por completo. Ela pegou a peça de tamanho médio e disse: “Não, eu não vou trocar com você, mas posso usar essa”. Outras participantes fizeram comentários como: “Eu odeio ela, ela tem uma barriga gorda”, ou “Ela é gorda. Eu não quero ser aquela”.

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que as participantes tinham interiorizado o ideal de magreza. É provável que as questões de tamanho corporal tenham aumentado na população, porque a sociedade está cada vez mais obcecada com magreza e beleza.

As crianças, mesmo pré-escolares, estão expostas a inúmeros comerciais e mensagens a respeito de perda de peso, produtos de dieta e produtos de beleza. Essas imagens, juntamente com a campanha anti-obesidade, promovem a mensagem de que a gordura é ruim.

Por último, os pesquisadores deram algumas dicas para os pais e professores manterem as crianças saudáveis por dentro e por fora: focar na saúde, não no peso; comer em família (pesquisas indicam que crianças que jantam com suas famílias são menos propensas a sofrer de problemas alimentares); abster-se de fazer comentários sobre o seu próprio peso; elogiar as crianças nas coisas que elas fazem, ou nas suas características de personalidade, e não a sua aparência; limitar a exposição das crianças às fontes de mídia que enfatizam modelos muito magras ou colocam um valor alto na beleza física e ser um modelo de alimentação saudável e de prática de exercícios. [LiveScience]

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11 respostas para “Meninas de 3 anos já querem ser magras”

  1. Não há nada de errado em querer ser magro(a).

    Só que os pais devem educar a criança a conseguir isso através de exercícios físicos e dieta saudavel, não através de dietas malucas e coisas do tipo.

    Num mundo onde se tem cada vez mais pessoas passando por problemas causados pela obesidade, é bom saber que os jovens não querem ser gordos. Só devemos alertar o perigo da magreza extrema

  2. Tenho uma filha d 9 anos, c 38 k, e simplesmente não queria mais comer, a ponto d ficar sem forças,somente qd empressei ela na parede, foi q ela disse q estava se achando muito gorda, eu fiquei passada. Sentei c ela e conversamos bastante sobre isso, graças a Deus ela voltou ao normal, mas sem dúvida a mídia é muito cruel,tem mulheres q chegam a dar nojo d tão secas, fico pensando como é q um homem pode gostar disso, p mim eles tb tem problema. Se vc não for segura e equilibrada, pira mesmo, nunca pensei q fosse ouvir isso d um menina d 9 anos.

  3. Crianças sem infancia;estão perdendo um tempo maravilhoso em suas vidas por causa de uma mídia hipócrita que discrimina os mais gordinhos associando-os à derrotas por serem diferentes no peso,concordo que haja acompanhamento de responsáveis quanto à alimentação mas sem massacrar sonhos de criança,esses sim são importante…

  4. Isso é um absurdo, se a mídia não fosse tão hipócrita, disso de que “olha só, ela é magrinha, gostosinha perfeitinha, linda!” Porra! parem com isso! estão acabando com o futuro de uma geração! Vão afetar demais as mulheres e homens! Parem! Se querem falar de coisas assim! Falem da saúde! Comer saudavelmente não é a mesma coisa de comer pra emagrecer! Coloquem isso na cabeça de vocês! Por isso que temos hoje anorexia e bulimia, meninas de 12 anos estão morrendo de anorexia! Parem com isso!

  5. Pois é, a mídia. È muito raro vermos algum personagem infantil gordo que seja bonzinho ou inteligente. Pelo menos eu não estou lembrando de nenhum agora. Sempre eles são ou malvados ou idiotas. Exemplo: Madimbú (dragon ball), Brutus (“POPAI”), “INHONHO” ( Chaves ), ETC … A associação é imediata.

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