Metade das estrelas do universo podem estar flutuando entre as galáxias

Um novo estudo da luz de fundo do universo sugere que até metade de suas estrelas podem estar flutuando entre as galáxias. As medições foram feitas por duas câmeras enviadas para além da atmosfera em um foguete.

Depois de subtrair toda a interferência causada pela poeira e pelas próprias galáxias, a luz de fundo mostra ondulações que os autores do estudo atribuem a estrelas solitárias, arremessadas para fora das galáxias durante colisões galáticas. Outros cientistas acreditam que na verdade o que se vê são galáxias inteiras que estão muito distantes.

O professor Jamie Bock, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, um dos autores do relatório, descreve a luz extragalática de fundo (EBL, na sigla em inglês) como “uma espécie de brilho cósmico”. “Ela é muito tênue, mas mostra que os espaços entre as estrelas e as galáxias não são escuros. E isto é a luz total produzida por estrelas e galáxias durante a história cósmica”, diz ele.

Medições anteriores de foguetes e satélites haviam mostrado que havia mais flutuação neste fundo do que a soma total de galáxias conhecidas poderiam explicar. Pelo menos duas propostas foram feitas para explicar a luz extra: ela pode vir de muito tempo atrás, de galáxias distantes que se formaram quando o universo era muito mais jovem, ou pode vir de estrelas errantes fora das fronteiras galáticas.

O brilho e a cor azul da luz nas imagens é o que suporta a ideia de que se tratam de estrelas despojadas de suas galáxias. “É incompatível com [a luz que vem] das primeiras galáxias, porque ela seria muito mais vermelha”, explica o professor Bock. O relatório também diz que há tanta luz nas gravações que pode haver tantas estrelas fora das galáxias como dentro delas.

“Os astrônomos já sabiam destas estrelas flutuando entre as galáxias, mas estamos dizendo que elas são muito mais prevalentes”.

Outros investigadores são menos crentes nas implicações destes dados. Joanna Dunkley, professora de astrofísica na Universidade de Oxford, na Inglaterra, afirma não achar que a evidência para um vasto número de estrelas solitárias seja convincente – “apesar de, obviamente, ser realmente interessante se for verdade”.

“Esta é uma grande questão na mente dos astrônomos. De onde todo o resto de luz que nós vemos vem?”, questiona. Ela diz que o trabalho representa “uma medida muito boa” e concorda que a luz de fundo relatada provavelmente não poderia ter vindo das primeiras galáxias – mas argumentou que ainda há muito para saber sobre essas galáxias, e as que se seguiram logo após.

“Há tantas galáxias lá fora, galáxias muito tênues, muito distantes, e nós não temos um censo completo delas ainda”.

O professor Steve Earles, astrônomo da Universidade de Cardiff, também foi cauteloso sobre os resultados. “Quando você vê um resultado como este, você nunca diz ‘bem, sim, isso é obviamente certo'”, diz ele. Earles concorda que a interpretação de que essa luz vem de estrelas errantes é “perfeitamente possível”, mas seriam necessárias mais evidências corroborando com a afirmação.

Se existem tantas estrelas fora de galáxias, explica ele, espera-se encontrar mais exemplos entre as galáxias mais próximas da nossa. “Mas o problema é que, uma vez que estrelas individuais se afastam, elas são muito difíceis de ver.

“Não há como descartar a possibilidade, mas não há provavelmente nenhuma outra prova ainda que elas existam”, sinaliza. [BBC]

Por: Jéssica MaesEm: 9.11.2014 | Em Espaço, Principal  | Tags: , , , ,  
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