Nova geração sofre de abstinência quando fica longe de tecnologias

Publicado em 21.03.2011

Cientistas descobrem uma nova condição: o Transtorno de Privação de Informação. Na sociedade de hoje, nada parece menos provável, devido à quantidade de informação existente por aí. Mas é justamente onde nasce o problema.

Pesquisadores pediram a voluntários que ficassem longe de todos os e-mails, mensagens de texto, e atualizações de redes sociais como o Facebook e o Twitter, por 24 horas. Eles descobriram que os participantes começaram a desenvolver sintomas geralmente observados em fumantes tentando abandonar o vício.

Alguns dos participantes relataram que se sentiram abstinentes, como se tivessem de largar um hábito como o de drogas pesadas, enquanto outros disseram que foi parecido como estar em dieta.

Segundo os pesquisadores, além de sintomas psicológicos, foram observados sintomas físicos. Tais resultados alimentam as preocupações levantadas por neurologistas e psicólogos sobre o impacto do uso excessivo da internet, jogos de computador e sites de redes sociais nessa geração de adolescentes e adultos jovens.

No experimento, voluntários em 12 universidades de todo o mundo passaram 24 horas sem acesso a computadores, telefones celulares, iPods, rádio, televisão, e até mesmo jornais. Eles foram autorizados a utilizar telefones fixos ou ler livros.

Os participantes tiveram que escrever sobre sua experiência. Os registros mostraram sentimentos inquietos, ansiosos ou isolados. Os pesquisadores sentiram uma dependência muito grande das tecnologias. As pessoas não usam relógios ou despertadores, porque usam seus telefones celulares para acordarem.

Apesar de sentirem falta de seus telefones celulares, e do sentimento de “estar por fora” por não usarem o Facebook, a abstinência que causou maior dificuldade aos participantes foi a de música .

Muitos disseram que o silêncio foi bastante desconfortável e constrangedor. Mas, assim que se acostumaram, os participantes começaram a notar mais coisas ao seu redor, como os pássaros cantando ou o que os seus vizinhos estavam fazendo.

Ou seja, ficar sem as tecnologias causou alguns efeitos bons também. As pessoas desenvolveram mecanismos de “enfrentamento”, e saíram para passear e visitar amigos em vez de sentar na frente de um computador.

Os pesquisadores contam que, nas reflexões sobre o que tinham passado, as pessoas admitiram abertamente que estavam experimentando sintomas de abstinência. Os alunos compararam a experiência a ficar de dieta, parar de fumar e parar de uma vez com um vício. A própria palavra vício foi recorrente.

Algumas pessoas não acharam a experiência difícil. Uma minoria odiou. A maioria teve de esforçar-se no começo, enfrentando esses sintomas, antes de desenvolverem os mecanismos que os ajudaram a se distrair.

A conclusão dos pesquisadores é que, se as pessoas se tornarem um pouco mais conscientes de como usam essa tecnologia, podem controlar o efeito que ela tem sobre eles. Uma sugestão é que todas as pessoas tentem ficar “desligadas” do mundo tecnológico pelo menos uma dia por ano. [Telegraph]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

Quer copiar nosso texto? Siga estas simples instruções e evite transtornos.
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8 Comentários

  1. Que novidade…aqui em casa tenho 3 adolescentes e já ficamos sem internet por uma semana, por pouco não soube, na prática, como era viver na Era Pré-histórica…eles quase se comeram…rsrsrsr…o mau humor imperou e a busca por lanhouse virou obsessão naquela semana. Já estão curados, graças à Telefônica, digo, a Deus!

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  2. É realmente óbvio o que se deve fazer, como em outras ocasiões.
    Ter que criar um hábito saudável e controlado nessas situações, exige muito de si mesmo, mas, vendo os resultados logo adiante, pode crer que transtornos mencionados no texto diminuirá bastante, ou nao haverá, mas claro, as pessoas que trabalham com teconlogia estão excluidas disso, pois se transforma uma rotina igual a muitas pessoas em redes socias.
    Tanto como estar na internet e ler um livro na biblioteca, são hábitos que cada um deve-se sujeitar a lidar, pois nos dois casos, há grande fruto de informações e descobertas.

    Muito interessante a parte em que afirma que os participantes começaram a notar mais coisas ao seu redor, como os pássaros cantando ou o que os seus vizinhos estavam fazendo, onde se percebe a diferença posta pela tecnologia e o nosso meio de vida atual.

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  3. Ah, com livro não vale!

    Pelo menos pra mim, Livro = Computador de papel.

    Eu gosto tanto de ler que não desgrudo da internet. Quando estou fora da rede, pego tudo o que vejo pela frente pra ler. Não sei como é para os outros, falo por mim.

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  4. eu felizmente não entendo essa dependência. Posso ficar vários dias sem estar no computador. Até posso ficar o tempo que quiser, o problema é mesmo a falta do que fazer. E a internet fornece muita coisa, embora 99,999999 por cento dessas coisas não entenda qual a sua utilidade.

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  5. A tecnologia é viciante. Inclusive levar pra cama tecnologia provoca insônia, as ondas irradiadas pelo celular perturbam e afetam a atividade cerebral durante o sono se deixado na mesinha de cabeceira ao lado da cabeça.

    Eu sou completamente viciado, trabalho o dia inteiro com desenvolvimento web, a noite, quando chego em casa, a primeira coisa que eu faço antes mesmo de ir ao banheiro se estiver apertado é ligar o micro,sem falar que o meu lugar preferido de casa é o escritório, de longe o ambiente onde acumula a maior parte das minha riquesas, gasto mais com meu micro que com meu carro. Não curto jogar mas curto desenvolver e estudar, estudar muito…sou completamente viciado em estudar sobre minha área de atuação profissional. E quero sempre saber mais que todos !
    Tenho 37 anos e sou assim, imagine a garotada

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  6. Para resolver isso precisamos criar habitos que não resulte em depender do computador.

    Pegue um livro na bibliioteca, converse mais com seus pais (livros e pais têm muitas histórias pra contar, pode apostar), visite amigos parentes próximos, academia, etc.

    Faço isso, é meio chato mas, não é de todo mal. É só revesar as tarefas.

    Novos Habitos, ajudam.

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