Novo sistema de alerta rastreia asteroides potencialmente perigosos

Publicado em 25.09.2016
2008 TC3 no céu do Sudão

2008 TC3 no céu do Sudão

Um novo sistema de alerta pode acelerar nossos cálculos e previsões de quando e onde asteroides poderiam atingir a Terra.

Ao monitorar observações de objetos espaciais recentemente notificados, um programa de computador chamado Scout pode identificar rapidamente os potencialmente perigosos, e enviar mensagens automáticas a fim de que os astrônomos façam o acompanhamento desses corpos.

“Estes são objetos que observadores relatam e suspeitam de que sejam asteroides”, explica Paul Chodas, gerente do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da NASA, ao portal Space.com. “Eles são os asteroides mais prováveis, mas precisam ser confirmados por outros observadores”.

Enquanto asteroides de médio porte são frequentemente identificados muito antes de atingir a Terra, objetos menores são mais difíceis de detectar e classificar com um certo tempo de antecedência. Classificar corretamente esses objetos e determinar suas órbitas necessita de várias observações. E, especialmente para asteroides potencialmente perigosos, quanto mais cedo melhor.

Impactos

Em 7 de outubro de 2008, uma rocha de 80 toneladas atravessou nossa atmosfera, explodindo sobre uma área remota no Sudão. O asteroide, chamado posteriormente de 2008 TC3, foi descoberto apenas 19 horas antes de aterrissar no deserto africano, tornando este o primeiro objeto rastreado antes de colidir com a Terra.

No entanto, o curto prazo de tempo entre a identificação do objeto e a colisão levou um pesquisador do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra, Davide Farnocchia, a criar um programa para monitorar automaticamente novas observações e alertar colegas astrônomos.

Se Scout estivesse ativo oito anos atrás, teria dado um aviso prévio aos observadores para acompanhar 2008 TC3.

O sistema

Quando os astrônomos localizaram uma rocha espacial de 3 a 9 metros em novembro de 2015, Scout levou apenas 45 minutos para determinar que o objeto não colidiria com a Terra.

Funciona assim: quando um cientista identifica um objeto interessante, posta suas observações em um site hospedado pelo Minor Planet Center (MPC) em Cambridge, Massachusetts, EUA.

Outros astrônomos podem usar essa informação para estudar o objeto, aprendendo mais sobre ele e sua órbita. Mas tudo isso leva tempo; os pesquisadores precisam verificar o site do regularmente, e se as observações são publicadas a partir de diferentes fusos horários, eles podem demorar várias horas para checá-las. Para objetos prestes a colidir com a Terra, essas horas podem ser críticas.

Entra Scout. O programa revê automaticamente o site do MPC. Quando um novo objeto é publicado, ele leva apenas cerca de 10 minutos para calcular seus potenciais caminhos. Se a rocha pode ameaçar o planeta, Scout alerta todos os astrônomos participantes por e-mail e mensagem de texto da necessidade de observações de acompanhamento.

Pessoas de todo o mundo podem contribuir com o rastreio do objeto, enquanto Scout continua a revisar a página, refinando seus cálculos da órbita da rocha.

Sentry

Scout monitora somente os objetos cujo status como asteroides ainda não foram confirmados. Uma vez que o Minor Planet Center classifica um corpo como asteroide, o objeto é movido para outra página onde é monitorado por um programa chamado Sentry.

Sentry é um sistema de impacto que realiza monitorização a longo prazo. Enquanto Scout acompanha os objetos apenas cerca de um mês no futuro, Sentry faz previsões uma década à frente.

Se um potencial impacto é identificado, a NASA faz contato com a Agência de Gestão de Emergência dos EUA e outras agências para se preparar para futuras catástrofes. [Space]

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Natasha Romanzoti

é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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