O ato de “comer emocionalmente” não é só psicológico, mas biológico também

Publicado em 26.07.2011

Não é segredo que a comida pode ser reconfortante. Seja o que sentimos tristeza, raiva, angústia, tomar um sorvete tende a nos deixar melhor.

Agora, os especialistas estão tentando descobrir como os alimentos gordurosos ou açucarados podem levantar nosso astral, ou, ainda, como os alimentos afetam nossas emoções.

O gosto e as lembranças agradáveis associados com alimentos denominados “porcarias” certamente desempenham um papel, mas não são os únicos fatores envolvidos no que é chamado “comer emocionalmente”.

De acordo com um novo estudo, hormônios em nossos estômagos parecem se comunicar diretamente com o nosso cérebro, independente dos sentimentos que temos sobre um determinado alimento.

A maioria das pesquisas sobre alimentos e emoção analisou a experiência global de comer: sabores, cheiros, texturas, nutrientes.

Neste estudo, no entanto, os pesquisadores levaram em conta a experiência subjetiva fora da mesa, alimentando os voluntários através de tubos no estômago.

12 participantes saudáveis, com peso normal, receberam uma das duas “refeições” no estômago: uma solução de ácidos graxos saturados, ou uma solução salina que serviu de controle.

Após a alimentação, os pesquisadores induziram sentimentos de tristeza nos voluntários, tocando música clássica triste e mostrando-lhes imagens de rostos com expressões tristes.

Mesmo neste ambiente artificial, a gordura saturada pareceu afastar as emoções negativas. Os voluntários do estudo ficaram mais otimistas depois de ouvir música triste e ver rostos tristes se suas barrigas estavam cheias de gordura saturada, o que sugere que comer emocionalmente opera em um nível biológico, bem como psicológico.

Ressonâncias magnéticas funcionais dos cérebros dos participantes ecoaram essas conclusões: em comparação com a solução salina, a solução gordurosa pareceu acalmar a atividade em regiões do cérebro envolvidas na tristeza e que responderam a música triste.

O estudo é um dos primeiros a mostrar que o efeito dos alimentos sobre o humor é independente de estímulos agradáveis: é ainda mais enraizado na nossa biologia.

Segundo os pesquisadores, os mecanismos biológicos envolvidos ainda não estão claros, mas os resultados sugerem que o estômago pode influenciar o cérebro, por exemplo, liberando hormônios.

Como, em um passado distante, a comida era escassa, a evolução fez os aspectos da alimentação os mais recompensadores possíveis, para que comêssemos mais. Hoje em dia, isso não é tão bom. Com a abundância de comida, tal situação pode levar à obesidade ou transtornos alimentares em algumas pessoas.

Os cientistas explicam que, dado o forte efeito calmante dos alimentos em um nível biológico, nós temos que trabalhar ainda mais para encontrar formas de nos confortar sem calorias. A longo prazo, isso é importante para gerir o peso, melhorar a autoestima, e proteger a saúde em geral.Terapias podem ajudar as pessoas a controlarem a alimentação.

Os pesquisadores ainda lembram de uma questão importante levantada pelo estudo: se as pessoas obesas respondem a alimentos gordurosos da mesma forma como os voluntários de peso normal. Isso não pode ser respondido ainda.

Mas, no final das contas, os cientistas acrescentam que não há nada de errado com comer ocasionalmente alimentos não saudáveis. Eles incentivam: “A evolução nos proporcionou, se quisermos, um remédio antiansiedade ou produto antitristeza. Se você está triste e sente que um chocolate pode ajudá-lo, vá em frente. Não se sinta muito culpado, mas tente limitar o que você come depois”.[CNN]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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4 Comentários

  1. É sempre uma via de mão dupla, mas, o nosso psiquismo determina em primeiro lugar o que vai ocorrer com nosso trato digestivo.

    A prova disso é que sempre comemos mais do que deveríamos por estarmos estressados, já se o ato de comer fosse de fato a solução, imediatamente nos daríamos por satisfeitos, mas como isto não ocorre, aí surgem as doenças psicossomáticas, que aqui no caso se traduz por obesidade.

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