Oceano Ártico é “termômetro invertido” da Terra

Publicado em 1.06.2011

Cinco pesquisadores norte-americanos passaram as últimas seis semanas de sua vida viajando pelo Pólo Norte da Terra. O objetivo era conseguir novas informações sobre a razão pela qual o gelo no Ártico está derretendo em um ritmo tão acelerado.

Um dos cinco cientistas é Victoria Hill, uma oceanógrafa da Universidade Old Dominion, em Norfolk (Virgínia, EUA). Ela explica que o Ártico influencia diretamente na regulação do clima no planeta. E mais: de maneira inversamente proporcional.

O motivo está relacionado com a especialidade de Victoria, os mares. Funciona da seguinte maneira: os oceanos do mundo estão em constante movimento devido às correntes marítimas. Tais correntes são diretamente influenciadas pela temperatura da região e a salinidade da água em questão. Logo, quando o mar é quente, a água tende a evaporar, deixando maior proporção de sal naquela área.

Dessa forma, o mar de uma região quente tende a ficar mais denso, porque tem mais sal do que água. E águas mais densas, naturalmente, diminuem a velocidade das correntes marítimas. E é justamente aí que está o problema: o aquecimento dos mares do Ártico deve começar a diminuir a velocidade das correntes marítimas pelo mundo.

Se isso acontecer, pode ter um efeito catastrófico, já que alguns lugares dependem da circulação das correntes para serem aquecidos no verão. No norte da Inglaterra, por exemplo, a lentidão das correntes pode impedir que as águas quentes do sul alcancem a região, o que deve baixar drasticamente a temperatura. Logo, quanto mais quentes ficarem as águas do Ártico, mais fria ficará aquela região.

Até hoje, poucos dados realmente sólidos foram confirmados; a maioria do que existe à disposição são estimativas. As mais recentes são alarmantes: projetam que os verões no Ártico não terão simplesmente mais nenhum gelo até a metade desse século, talvez até o final dessa década.

A metodologia que a equipe de Victoria usou para chegar às suas conclusões foi interessante. Eles coletaram amostras de água a mais de 500 metros de profundidade, e observaram de que maneira os oceanos absorvem a energia do sol, e como isso interfere no derretimento das calotas. A teoria formulada por eles é a de que não existe um simples aquecimento da água por parte dos raios solares.

Seriam os microorganismos do oceano, que dependem do Sol para sobreviver, que estariam ajudando a derreter o gelo. A absorção da energia solar, por parte de todos eles, seria um fator determinante nesse processo.[BBC]

Autor: Bruno Calzavara

Bruno Calzavara é recém-formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e está de volta à equipe do Hype após dois anos. Adora todos os esportes, exceto futebol. Gosta de chocolate e de sorvete, mas não de sorvete de chocolate.

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6 Comentários

  1. O Universo é muito mais complexo do que podemos entender, a nossa percepção do tempo e espaço é muito pequena diante de tanta grandeza e grande demais para observar o que ocorre no microcosmo , ainda estamos longe , muito longe do entendimento, faltam instrumentos mais precisos, mais sensiveis e mais evoluidos tecnicamente , porem devemos acima de tudo cuidar melhor do nosso planeta, talvez único com vida inteligente , tal como cada um de nós somos um ser único ,tambem somos um único universo só nosso,em busca sempre da mesma resposta , da criação e do criador, tudo isso tem resposta … Deus, e Deus é inexplicavel – Luis Carlos Brasil .

    Deus é inexplicavel: Luis Carlos brasil.

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    • Puxa… esse comentário realmente esclareceu muita coisa!!! Puhhh…

      Thumb up 0
  2. Essa teoria já tinha sido mostrada há muito tempo naquele filme, “O dia depois de amanhã”. Alguém lembra?

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