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Pele de sapo pode um dia curar o câncer

Por em 7.06.2011 as 20:19

Cientistas irlandeses descobriram que proteínas presentes na pele de sapos possuem diversas propriedades curativas. Dentre as doenças tratáveis estão o diabetes, o derrame e até mesmo o câncer. Pacientes que acabaram de passar por cirurgia de transplante também podem ser beneficiados já que as proteínas regulam o crescimento de vasos sanguíneos.

As proteínas são encontradas em secreções na pele da espécie Phyllomedusa sauvagii e do gênero Bombina. Os cientistas capturam os animais e delicadamente extraem as secreções antes de liberá-los de volta à vida selvagem. Os sapos não são prejudicados de alguma forma durante este processo.

A pesquisa liderada pelo professor Chris Shaw identificou duas proteínas, ou “peptídeos”, que podem ser usadas de forma controlada e orientada para regular ‘angiogênese’ – o processo pelo qual os vasos sanguíneos crescem no corpo. A descoberta tem potencial para desenvolver novos tratamentos para mais de setenta das principais doenças que existem atualmente, que afetam mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

Shaw conta que as proteínas descobertas possuem a habilidade de tanto estimular quanto inibir o crescimento de vasos sanguíneos. “Ao ‘desligar’ a angiogênese, uma proteína dos Phyllomedusa sauvagii têm o potencial para matar tumores”, afirma. Ele explica que a maioria dos tumores chegam a um ponto em que necessitam que novos vasos sanguíneos lhe forneçam oxigênio e nutrientes vitais. “Impedir o crescimento dos vasos faz com que o tumor tenha menor probabilidade de disseminação e pode eventualmente matá-lo”, diz. “Isso tem o potencial de transformar o câncer de uma doença terminal em uma condição crônica”.

Por outro lado, uma proteína encontrada no gênero Bombina, segundo Shaw, tem o poder de estimular o crescimento dos vasos sanguíneos. “Isto pode ser usado para tratar uma variedade de doenças que exigem a reparação rápida de vasos sanguíneos, como cicatrização de feridas, transplantes de órgãos, úlceras diabéticas, e danos causados ​​por derrames cerebrais ou doenças do coração”, elenca.

Por causa do seu enorme potencial, a angiogênese tem sido um dos principais objetos de pesquisas e desenvolvimento de drogas ao longo dos últimos quarenta anos. Porém, apesar de um investimento acumulado já estimado em cerca de 4 a 5 bilhões de dólares, cientistas e empresas farmacêuticas de todo o mundo ainda procuram desenvolver uma droga que pode efetivamente acertar o alvo de controlar e regular o crescimento de vasos sanguíneos.

“Estamos absolutamente convencidos de que o mundo natural tem as soluções para muitos dos nossos problemas, só precisamos fazer as perguntas certas para encontrá-las”, acredita Shaw. “Seria uma grande vergonha ter algo na natureza que é potencialmente a droga milagrosa no tratamento contra o câncer e não fazermos tudo que é possível para conseguir usá-la em nosso benefício”.[ScienceDaily]

Bruno Calzavara é estudante do 4o ano de Jornalismo na Universidade Federal do Parana, mas não vai se formar neste ano. Está fazendo intercâmbio na Universidade de Pisa, na Itália. Volta em agosto. Já trabalhou em vários campos jornalísticos e agora lida com o mundo fascinante dos textos científicos de HypeScience. É dono de um blog de viagem.

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