Por que meninas de 6 anos querem parecer sexy?

Publicado em 17.07.2012

Se você é mãe ou pai de filhas pequenas (por pequenas, leia-se a faixa etária de seis a nove anos), temos duas sugestões de livro de cabeceira: “O Efeito Lolita” (Meenakshi Durham, 2008) e “A infância perdida” (Diane Levin, 2009). Ambos escritos por autoras estrangeiras, mas já disponíveis na versão em português. Ambos tratam, por ângulos diferentes, do mesmo problema: a sexualidade cada vez mais precoce entre as meninas.

Os últimos anos já trouxeram numerosas pesquisas sobre o tema: por diferentes razões, que começam na própria criação familiar e passam por fatores como a influência da mídia e o ambiente escolar, as meninas têm entrado cada vez mais cedo no universo da sexualidade. Apesar dos alertas, no entanto, a tendência segue aumentando. Qual é, afinal, o motivo?

Sexualidade x Popularidade

Um estudo da Universidade Knox, em Galesburg (Illinois, EUA), abordou a questão da sexualidade infantil por um ângulo social: a popularidade. Será que as garotinhas desejam se tornar sexualmente atraentes mais cedo por razões “diretas”, ou existe uma pressão social em que isso é incluído para se tornar aceita sem que elas sequer saibam o real significado?

A resposta parece ser a segunda opção. O estudo reuniu 60 meninas entre 6 e 9 anos de idade, e a todas foram apresentadas duas bonecas: uma vestida em roupas discretas, cobrindo a maior parte do corpo, e a outra em trajes declaradamente sensuais.

Cada menina foi submetida a um questionário psicológico e social. Acoplado a isso, cada uma deveria escolher entre as duas bonecas em quatro quesitos: com qual das duas a entrevistada se julgava parecer mais, qual ela gostaria de ser, qual das duas seria a mais popular na sua escola, e com qual das duas bonecas ela gostaria de brincar.

Em todos os tópicos, a boneca “sexy” derrotou a “recatada”. Dois índices, em particular, foram considerados alarmantes pela equipe de pesquisadores: 68% gostariam de ser como a boneca sensual e 72% delas afirmaram que esta seria a menina mais popular entre o seu grupo de amigas.

A preocupação dos psicólogos se concentra especialmente neste último quesito. Aparentemente, não existe de fato nas meninas um crescente desejo de atrair os olhares dos meninos desde cedo, o que ficou comprovado com o perfil psicológico das garotas. A erotização precoce, desta forma, ocorre principalmente porque criou-se um senso comum, cujas origens já se perderam, de que uma aparência sexy está relacionada a vantagens na sociabilidade.

O que fazer, mãe?

Dica rápida: matricule sua filha em algum esporte. Segundo os pesquisadores, o índice de rejeição ao corpo sexy foi especialmente maior entre as que faziam atividades como dança ou ginástica.

A justificativa para isso, segundo eles, é simples: um esporte faz com que as meninas dêem mais valor ao potencial do próprio corpo como instrumento para desenvolver arte, habilidade e saúde, entre outros valores, de forma que a sensualidade passa a um segundo plano.

Embora isso pareça uma alternativa sadia, esconde um lado preocupante, segundo os psicólogos. Se uma menina de seis já precisa de um “artifício” como o esporte para poder fugir da visão do corpo como instrumento sexual, é sinal de que tal estereótipo entra imediatamente nas casas das famílias e na criação das meninas de maneira natural.

O papel da mídia

Muito já se falou sobre a influência da mídia e da indústria do entretenimento na criação do estereótipo, e os pesquisadores não descartam esta ameaça. Mais uma vez, no entanto, essa influência não acontece às claras.

Isso significa que os filmes, novelas e revistas jamais incentivam explicitamente a sexualidade infantil, e sim as vantagens que uma mulher adulta obtém na sociedade simplesmente devido ao “sex-appeal” que possui. No mundo infantil, isso se observa especialmente na popularidade, mas há outros reflexos. De um jeito ou de outro, no fim das contas, tudo contribui para o mesmo problema.

A atitude acertada seria, portanto, evitar o acesso das crianças aos meios de comunicação? Nem pensar, segundo os pesquisadores. A alienação não pode proteger a criança dos estereótipos negativos para sempre. Excluir a menina da realidade social em que vive só pode tornar as coisas piores.

É adequado que as filhas realmente assistam televisão, e de preferência junto dos pais. Uma ideia passada pela televisão pode ser modelada e trabalhada pela mãe para que não chegue “crua” à mentalidade das garotas que ainda não entraram na puberdade (esta realidade também foi comprovada em números pelo estudo). Uma instrução direcionada, de acordo com os pesquisadores, será sempre melhor do que a ausência de instrução. [Live Science/Fox News/Pacific Standard, foto de Jeanine com edições do HypeScience]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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13 Comentários

  1. Mal sinal.A prosmiscuidade,inserida em lares onde a moral não tem a menor importância,gera sem dúvida crianças e futuros adultos igualmente promíscuos e fúteis.O meio Social interfere tanto quanto a mídia.É…estamos evoluindo mesmo…só não sei em qual direção.

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  2. Andei observando e traçando um perfil dos hedonistas propagandistas do sexo irrestrito e me dei conta de que o meio artístico-filmográfico-novelístico, bem como o meio acadêmico-intelectual, está cheio desses caras. Eles acham que qualquer restrição à sexualidade é má e que nunca se deve limitar as formas do sexo ser propagado pelos meios de comunicação. E se você protesta eles ainda dizem que vão te processar!!

    É nisso que chegamos, parabéns a todos pelo estado decadente de coisas!!!

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    • Porque não processam os políticos safados que roubam o máximo e não fazem leis para aprimorar a cultura do povo e, principalmente das crianças? O maior número de pessoas tem que protestar pra ver se esses caras se mancam.

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    • Eu não gosto de comentar sobre questões de comportamento sexual porque tenho medo de ser preso (hehehehe) mas concordo contigo.
      Em Fortaleza, um pai italiano foi preso por ter beijado a filha, mas ensinarem os seus filhos a serem gays, promíscuos, adúlteros e depravados (através de novelas principalmente) não é crime. Muito pelo contrário, é um dever do estado.

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  3. É claro que a precocidade sexual infantil possui uma conexão direta com a pedofilia, apesar do negacionismo idiota daqueles que defendem a livre propaganda sexual na mídia.

    Já passou da hora de restringir a libertinagem sexual geral que reina nos meios de comunicação, novelas e filmes. Todo esse discursinho liberal de que o sexo é bom sempre e sob qualquer circunstância tem que ter um preço e o primeiro preço é a corrupção das crianças, porque elas são inocentes e facilmente impressionáveis.

    Todos os propagadores da liberação sexual hedônica deveriam responder por essa monstruosidade que estão fazendo com as crianças aqui no Ocidente. O Ocidente, que se considera evoluído, na verdade é decadente, está caindo aos pedaços de tão podre e ficará pior, como Roma.

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  4. Pra mim existem “n” fatores que contribuem para essa precocidade, não se pode julgar apenas uma coisa ou outra sendo que o problema central é que isto está virando parte da maioria das culturas, entre elas, aqui no Brasil mesmo já é assim, um lugar que não valoriza tanto as pessoas por suas capacidades e mais por sua aparência, querendo ou não este é um fato alarmante, mas que muitos estão alienados, ou mesmo não estão nem ai pro assunto. Os programas de TV em sua maioria só tem mulheres semi nuas, sendo que todos assistem, programas como Big Brother, que só tem baixaria(em sua maioria), e estão livres pras crianças, e mesmo com as classificações ninguém dá limites, e quando acontecem, o que elas não assistem, aprendem dos coleguinhas que tem acesso.

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  5. Acho que a mídia e os modelos padrão de beleza impostos são os responsáveis. O modelo de beleza hoje, dando um dos inúmeros exemplos, é ter um corpo do tipo “panicat”. O que tem de mulher puxando ferro na academia pra ficar bombada, bunduda, coxuda e peituda não está escrito. E eu, como homem, devo admitir que elas são muito gostosas visualmente falando. São muito atrativas sexualmente. Quem homem não sente tesão numa mulher torneada? E quem tem acesso a essas mulheres são os que tem grana. E elas querem esse nicho de mercado masculino também, afinal, do que adianta ser uma gostosona se não conquistar um macho (ou fama) que lhe dê todos os benefícios que merece em troca do “produto” que elas estão oferecendo? É uma troca. Eu te dou um corpão pra você exibir no seu programa em troca de fama e homens ricos. Esse é o mundo em que vivemos. Um mundo de consumismo onde pessoas são “coisas” negociáveis. Um mundo capitalista selvagem e horrendo. E infelizmente esses padrões inerentes ao mundo do consumo estão afetando nossas crianças.

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  6. “Por que as mulheres tem demonstrado uma vulgaridade crescente com a aparente sensualidade aumentando seios e bundas e fazendo questão de mostrar o corpo?”

    Resposta: Dinheiro, fama, dinheiro, beleza física, dinheiro, atrair homens (de preferência ricos), dinheiro, espaço na mídia…. hã…. acho que esqueci algo… ah sim… dinheiro! rsrs (essa é a minha opinião sobre as que são assim).

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    • Fala sério, são crianças. Se os país não conseguem controlar a pivetada, não chorem pelos tarados comedores de crianças. Embora um controle dos pais seja de fundamental importância, infelizmente ainda existe uma mídia que induz a esse tipo de mentalidade. Como explicar o ato de uma mãe achar normal sua filha passar batom, ouvir funk e rebolar igual uma dançarina de pole dance? Os valores hoje estão muito deturpados e eu nem sou moralista.

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