Primeiro paciente de transplante de traquéia vive bem após 2 anos

Se você faz parte dos cerca de 30 milhões de brasileiros que sofrem de rinite, deve argumentar que ninguém sofre mais do que você na mais básica das atividades do corpo humano: respirar. Mas existe uma condição médica menos comum, na qual a traquéia se contrai e é obstruída até tornar a respiração um verdadeiro martírio: a estenose traqueal.

O norte-irlandês Ciaran Finn-Lynch era, em 2010, um garoto de onze anos que corria risco de vida diante deste problema que se agravava rapidamente. Mas um ineditismo cirúrgico, o transplante de traqueia, foi mais do que bem sucedido para ele: dois anos depois da operação, a saúde do pequeno britânico não poderia estar melhor.

O milagre das células-tronco

A necessidade de um transplante para salvar a vida de Ciaran foi constatada no começo de 2010. Em março, arranjaram um doador: um homem italiano que havia acabado de falecer seria o responsável por ceder a traqueia a Ciaran.

O maior medo dos cientistas era que o corpo do menino rejeitasse o novo órgão. Para evitar isso, criou-se uma estratégia brilhante: retiraram todas as células do corpo do homem falecido que havia na traqueia, reduzindo-a apenas à sua estrutura de colágeno. Algo como o “esqueleto” do órgão.

A este esqueleto, adicionaram células-tronco de Ciaran, além do tecido epitelial e de uma injeção de citocinas (células que estimulam o crescimento de outras células). Em outras palavras, colocaram no corpo do paciente uma traqueia “crua”, que foi se adaptando a ele. E funcionou.

Mais de 24 meses após a operação, o organismo do garoto não mostra nenhum sinal de rejeição. Ele respira perfeitamente bem, já cresceu onze centímetros e leva uma vida normal.

O sucesso torna os cirurgiões otimistas quanto ao futuro, já que o procedimento em Ciaran foi emergencial e sob a consciência dos vários riscos. Agora, é uma nova esperança na luta contra graves problemas respiratórios que acometem boa parte da população global. [Daily Mail/UCL/BBC]

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