Razões para pensar duas vezes antes de tomar Viagra

Publicado em 28.04.2011

Uma jornalista americana, Judith Newman, resolveu fazer um minucioso dossiê dos prós e contras de se tomar remédios para disfunção erétil. Como parte do estudo pretendido fazer era empírica, ela teve de recorrer à ajuda do marido, que se submeteu ao uso do Viagra para chegar a algumas conclusões. Baseada neste caso e em entrevistas com casais e especialistas, Judith traçou um rico perfil do impacto social destes medicamentos.

A reação imediata do marido da jornalista, que nunca havia precisado de Viagra, foi de medo: e se ele não conseguisse mais voltar a ter ereções sem o remédio quando parasse de usar? Judith assegurou que se tratava de uma lenda, já que o uso do Viagra não implica em dependência. Isso de fato acabou não acontecendo: uma semana depois de interromper o uso, o esposo dela já havia recuperado o antigo ritmo sexual, segundo ela. Ponto para o comprimido.

Mas nem tudo são flores. Para começar, a própria bula do remédio já especifica que pode haver dores de cabeça e do estômago. A principal raiz do problema que Judith levantou, no entanto, é sobre avaliar causas e efeitos do uso dos medicamentos (além do Viagra, os mais famosos no mercado são Levitra e Cialis, e juntos eles compões uma indústria que movimenta mais de um bilhão de dólares) para os casais.

O medicamento pode ser mais nocivo para a saúde do que se imagina. As interferências em vasos sanguíneos já o tornam contra-indicado para quem tem problemas cardíacos. Existem outras coisas, além do comprimido, que podem alargar os vasos. Entre elas, está a nitroglicerina (remédio perigoso, ministrado em doses ínfimas), mas também coisas comuns, como bronzeamento ao sol e bebidas. Alcoólatras precisam ter cuidado redobrado antes de se aventurar com Viagra.

A título de conhecimento, uma descrição básica sobre o funcionamento do medicamento. O pênis atinge a ereção através do aporte de sangue nos vasos sanguíneos que o compõem. Com a idade ou algum problema de disfunção, estes vasos tendem a se estreitar (a rigor, todos os vasos sanguíneos do corpo se estreitam, não apenas os do pênis), o que dificulta a ereção. Tudo o que as pílulas fazem é inibir a enzima responsável por esse estreitamento, de modo que a dilatação dos vasos ocorre mais facilmente e dura mais tempo.

Além disso, o remédio também diminui o “descanso” entre um orgasmo e outro. Isso, por si só, já pode implicar em um problema, porque nem sempre a mulher (que afinal também sofre mudanças no corpo com a idade) “acompanha” o novo ritmo sexual do homem. Médicos ressaltam que o uso do Viagra deve ser tomado em comum acordo entre o casal, porque a mulher pode simplesmente não desejar mais sexo. Existe, de fato, uma “obrigação social” de que o homem tome uma providência caso não esteja atingindo ereções.

Mesmo que a mulher deseje o sexo, as mudanças corporais posteriores à menopausa podem ser um problema. A diminuição da lubrificação vaginal, por exemplo, pode tornar o sexo intenso – que não seria obtido por um homem da mesma idade em condições naturais – muito mais dolorido. As mulheres mais velhas, de maneira geral, querem vinte, no máximo trinta minutos de relação sexual, e não uma maratona de duas horas. Além do desconforto, podem haver problemas ainda mais graves, tais como feridas na vagina e exposição direta a DSTs.

Falando em desejo sexual, existe outro mito a ser derrubado: o Viagra não aumenta a libido do homem. A jornalista cita um caso engraçado de um casal americano. Insatisfeito com seu “baixo aproveitamento”, o marido foi ao médico, que lhe receitou Viagra. Apesar de ter seguido à risca a orientação de tomar a pílula uma hora antes, ela não funcionou. O motivo? Durante esta uma hora, ele ficou assistindo um jogo de baseball enquanto ela esperava ansiosa, no quarto. A lição disso é que o Viagra deve ser tomado apenas se houver desejo, e pode ser prejudicial quando não houver.

Em busca de se adequar ao poder de fogo recém-adquirido pelo marido, algumas esposas recorrem a algumas práticas onde a medicina ainda tem pouca experiência, tais como a reconstituição vaginal, além de implantes de silicone e outras cirurgias plásticas. Se ela não fizer isso, segundo alguns psicólogos, aumentam as chances de a mulher ficar com auto-estima piorada e temer que o homem busque experiências extraconjugais que possam satisfazê-lo.

A jornalista afirma não estar desaconselhando ninguém a considerar o uso do Viagra. Afinal segundo ela, estudos recentes indicam que o homem pode acabar com a depressão graças ao Viagra. Isso porque os remédios antidepressivos inibem a ereção, e o Viagra restaura essa função. Voltando a ter vida sexual satisfatória, o homem pode simplesmente abandonar a depressão de forma “natural”. Entre 15% e 25% dos homens na faixa dos sessenta precisa de Viagra, e essa taxa fica em 5% para homens em seus quarenta anos.

O que Judith Newman aconselha é que não haja hipocrisia: qualquer mentira que vise disfarçar a situação real é considerada nociva. Se a mulher acha que precisa de lubrificante para tornar o sexo mais confortável, deve comprá-lo, se ela prefere apenas cinco minutos de sexo ao invés de uma hora, deve dizê-lo. A pílula da ereção, em resumo, deve ser tomada quando for “honesta”. [msnbc]

Autor: Bruno Calzavara

Bruno Calzavara é recém-formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e está de volta à equipe do Hype após dois anos. Adora todos os esportes, exceto futebol. Gosta de chocolate e de sorvete, mas não de sorvete de chocolate.

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13 Comentários

  1. tenho 48 anos e tomo 1/4 do comprimido de 50mg de viagra, não tenho efeito colateral e é um absurdo de bom, eu fico super excitado mas só se tiver estímulo, na primeira vez achei que meu penis ficou um pouco sem sensibilidade e demorei para gozar, mas agora é bem normal.

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  2. Oie Vicente ., acho que estas muito atrazado pois a ciencia trabalha para melhorar nossas vidas, em 1950 um homem com 50 anos era conciderado um pobrem velho , hoje a humanidade não tem mais data para morrer , pois tenho 78 anos e estou fazendo curso de computação para atender meus negócios com mais eficiencia , tu deves ir a um medico para ver o que esta acontecendo contigo mesmo que tenhas 90 anda podes , tomar um viagra e tranzar , ai avida vai sorir para ti não te mixa guri, sou viuvo minha mulher é 55 anos mais jovem que eu e olha que ela esta se vendo mal com o viagra , digo, comigo , abração para todos principalmente para os oitentaãos

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  3. Já faz um ano que tomo (só a metade) antes da transa, vou ser sincero: nem nos meus 20 anos tenho uma ereção tão poderosa, pelo fato de tomar só a metade, quase não sinto efeito colateral nenhum, e outra: o genérico é bem mais em conta.

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  4. O viagra como qualquer outros vasodilatadores,vieram para nos dar uma melhor qualidade de vida. Pois é bom sabermos que a ordem da vida é esta: Vinda a velhice,o organismo sofrerá quedas e perdas,eo viagra como outros farmacos desta natureza, são descobertas vinda do céu para o bem estar da vida do Ser humano. E sexo não é um projeto de Deus apenas para procriação, mas é um complemento do verdadeiro amor.

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  5. Uma coisa é certo…devemos aceitar tudo aquilo que a vida nos oferece,entre elas,o ato de saber envelhecer com dignidade!!…O pior na vida é quando não sabemos aceitar a passagem do tempo!!! Porque,sofrer uma mudança biológica em seu corpo quando a natureza já disse:basta???agente sempre sai perdendo!!!

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  6. Oi Eduardo
    É exatamente o contrário, o viagra, por fazer uma vasodilatação arterial, pode provocar um AVC (derrame).
    Pois a vasodilatação não ocorre sómente no pênis, mas sim no corpo todo (sistêmica). Principalmente se combinado com alcool, vasodilatadores cardíacos, temperatura ambiente, ansiedade. Pode também fazer rompimento de pequenos vasos em membros inferiores (varizes).

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    • ola, eu nunca tumei viagra mas gostava de tentar,.
      pois tenho 33anos e por veses nao consigo ter forzas no penis
      se tumar metade nao faz mal?????
      nao acredito com33anos nao sinto muita forza no penis

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  7. Cada caso é um caso. Quem deve decidir é sempre o casal, de forma sincera e democrática. Realmente estes remédios causam mais transtorno físico do que resultados satisfatórios, porque a natureza nos fez utilizar o ato sexual apenas para fins pro-criativos e tanto o homem como a mulher depois dos cinqüenta anos, já não tem muito interesse sexual devido aos fatores naturais como diminuição da testosterona e outros hormônios sexuais. Normalmente as pessoas nesta faixa etária passa a ter um interesse mais sensual e prazeres outros (dança, viagens, gastronomia, diversão intelectual e convivência platônica,etc)o que pode ser muito mais desejável e saudável.

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  8. Vi em um artigo certa vez (desculpem, não achei o link desse artigo), q o viagra tb pode trazer benefícios ao cérebro, por justamente dilatar o vasos sanguíneos, fazendo com que maior quantidade de oxigênio seja transportado para o cérebro…
    Será verdade tb?

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  9. Solução é simples… Tem um ditado aqui na minha terra q diz… “Pra cavalo velho, capim novo.”

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