Revelada a história oculta da diversidade canina

Uma nova árvore genealógica de cães, com mais de 160 raças, revela a história oculta da diversidade canina.

Os pesquisadores examinaram os genomas de 1.346 animais para criar um dos mais completos mapas traçando a relação entre raças.

Ele mostra os tipos de cão que as pessoas cruzaram para criar as raças modernas, e revela que os animais criados para executar funções semelhantes, como caçar e pastorear, não compartilham necessariamente as mesmas origens.

A análise ainda sugere um tipo antigo de cão que poderia ter chegado às Américas milhares de anos antes de Cristóvão Colombo.

Origens múltiplas

O novo estudo pode surpreender os proprietários e criadores de cães, familiarizados com seu agrupamento em categorias.

“Você pensaria que todos os cães criados para pastoreio são relacionados, mas esse não é o caso”, explica Heidi Parker, bióloga e pesquisadora nos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).

Quando os geneticistas tentaram mapear linhagens de pastores no passado, não puderam fazer isso com precisão. Parker, ao lado de Elaine Ostrander, também bióloga do NIH, dizem que os cães de pastoreio surgiram através de cruzamentos seletivos em múltiplas vezes e em lugares diferentes.

“Em retrospecto, isso faz sentido”, completa Ostrander. “As qualidades que você quer em um cão que pastoreia bisontes são diferentes dos que pastoreiam cabras, que são diferentes dos que pastoreiam ovelhas, e assim por diante”.

Chegada na América

A maioria das raças no estudo surgiram de grupos de cães da Europa e da Ásia. Porém, foi indicado que os cães domésticos vieram para as Américas milhares de anos atrás, quando as pessoas atravessaram a ponte terrestre de Bering ligando o Alasca e a Sibéria.

Esses “cães do Novo Mundo” desapareceram quando cães europeus e asiáticos chegaram ao continente americano. Os pesquisadores têm procurado o legado genético de tais antigos caninos no DNA das raças modernas, mas poucas evidências foram vistas até agora.

A forma como duas raças sul-americanas, o cão pelado peruano e o cão pelado mexicano, são agrupados na árvore genealógica sugeriram a Ostrander e Parker que esses animais poderiam compartilhar genes não encontrados em nenhuma das outras raças em sua análise. Esses genes podem ter vindo de cães que estavam presentes nas Américas antes da chegada de Colombo.

Dois períodos históricos importantes

“Acho que nossa visão da formação de raças modernas de cães tem sido historicamente unidimensional”, explica Bob Wayne, biólogo evolutivo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (EUA). “Nós não consideramos que o processo tem um legado histórico profundo”.

Isso se estende ao que foi provavelmente o primeiro período de domesticação canina, no tempo dos caçadores-coletores.

Ostrander e Parker pensam que as raças de cães sofreram dois períodos principais da diversificação: um milhares de anos atrás, quando foram selecionados por suas habilidades, e outro algumas centenas de anos atrás, quando foram criados para determinados traços físicos.

Importância atual

Embora o estudo possa ajudar os pesquisadores a entender melhor a história do cão doméstico, existem várias razões práticas para criar um banco de dados como o produzido por Ostrander, Parker e seus colegas.

Uma razão é que pode ajudar no diagnóstico de doenças em cães domésticos. Outra é que pode auxiliar no estudo de doenças humanas.

Cães e pessoas sofrem de condições semelhantes, como a epilepsia. Nos seres humanos, pode haver centenas de genes que influenciam essa doença. No entanto, como as raças de cães são geneticamente isoladas, cada uma pode ter apenas um ou dois dos genes envolvidos na epilepsia. Logo, estudar cães permite um olhar individual e mais eficiente sobre cada gene. [Nature]

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