Marte: Encontramos as bases para a VIDA no planeta vermelho

É oficial: o rover Curiosity, que está vagando pelo deserto gelado de Marte, encontrou moléculas orgânicas em um antigo leito argiloso de lago, no fundo da Cratera Gale, além de notar também um pico breve na quantidade de metano no ar.

O metano detectado foi um pico rápido, cuja origem não foi determinada. Porém, só o fato da quantidade de metano subir e depois descer já é um indício que existem processos acontecendo até hoje em Marte – provavelmente. Só não se sabe se a origem do metano é biológica ou não biológica.

A detecção de moléculas orgânicas não é, em si, um sinal de vida, já que existem processos químicos simples que podem explicar a presença das moléculas orgânicas, mas deixa os cientistas mais esperançosos.

Afinal de contas, encontrar água, argila e moléculas orgânicas é meio caminho andado para encontrar a vida. As substâncias identificadas pelo robozinho, clorobenzeno e vários dicloro alcanos, como o dicloroetano, dicloropropano e diclorobutano, contém átomos de cloro, além de carbono e hidrogênio.

O diclorobenzeno, que aqui na Terra tem que ser manufaturado, é usado para criar pesticidas, herbicidas, adesivos, tintas e borrachas. O dicloropropano é usado como solvente industrial e é classificado como carcinogênico.

Os cientistas ainda não têm certeza se estas eram as substâncias que haviam nas rochas, ou se elas foram produzidas pelo método usado para detecção. Explico: o rover peneira a amostra e depois a aquece a uma temperatura de 875°C. Os gases que evaporam da amostra são analisados.

O problema é que, ao aquecer a amostra, podem ocorrer reações que transformam os compostos originais naqueles que foram detectados. A amostra conteria moléculas orgânicas, mas não as que foram detectadas.

Para quem está lembrado, um processo parecido com este causou consternação em 1976, quando a Viking fez uma análise semelhante, mas os cientistas não conseguiram provar que as substâncias encontradas, também cloradas, não eram da própria sonda.

Por conta deste problema, os cientistas passaram praticamente um ano e meio analisando todas as possibilidades. A amostra foi colhida em 30 de maio de 2013 e só agora foi feita a publicação dos resultados. Eles queriam ter certeza que as moléculas orgânicas detectadas eram de Marte e não alguma coisa que vazou ou evaporou de dentro do robô.

Como brinde, o Curiosity também analisou moléculas de água que estavam presas nas amostras de rocha, determinando a proporção de deutério e hidrogênio nelas. O resultado sugere que Marte perdeu sua água antes da formação da rocha que foi analisada. [PhysOrg, Nasa, Papers (Nasa), Palestra (Nasa)]

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2 respostas para “Marte: Encontramos as bases para a VIDA no planeta vermelho”

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