6 plantas malévolas

Nada que tenha a ver com plantas parece remotamente interessante, não é mesmo? Mas a vida desses seres, por mais entediante que possa ser, possui lá seus desafios, o que exige que eles sejam muito criativos se quiserem sobreviver.

Ao longo de suas vidas, as plantas não têm muita opinião quanto ao local onde vivem. Suas sementes são dispersas pelo vento ou por animais, e podem acabar em um terreno baldio inútil. THE END.

Se por um acaso uma semente tem a sorte de germinar, ela está presa ao mesmo local para o resto de sua vida. Toda a sua comida, água e luz são fornecidas somente por aquilo que ela pode atingir com as suas raízes e folhas, se outras plantas não obtiverem primeiro – seu segundo grande obstáculo.

Se por um acaso conseguirem se alimentar bem e se derem bem com seus vizinhos, as plantas ainda enfrentam predadores. Nematoides, insetos, aves, mamíferos… Todo tipo de coisa pode querer mastigá-las, e elas não têm muito como se defender de serem comidas.
Tudo isso pode acontecer antes da planta atingir o seu objetivo final – a reprodução (que, inclusive, é o objetivo principal de todas as coisas vivas).

Até agora, estamos falando sobre o destino cruelíssimo das plantas, que ficam à mercê da sorte o tempo todo. Mas não é bem assim – nós só pensamos isso porque não sabemos que essas formas de vida imóveis desenvolvem técnicas para encarar suas batalhas diárias aterrorizantes que envolvem roubo, escravidão, espionagem e explosivos.

Confira:

Propulsão explosiva


Um dos maiores desafios enfrentados pelas plantas é lançar suas sementes em algum lugar seguro e longe o suficiente da mãe, para que os filhos não tenham que competir com ela por nutrientes, ou compartilhar suas doenças.

Se as sementes são leves, a planta mãe pode apenas flutuá-las para longe usando a brisa – por exemplo, como faz a dente-de-leão -, mas isso não funciona para plantas semeadas mais pesadas.

Assim, algumas delas, como a Impatiens glandulifera (vídeo acima), evoluíram a propulsão explosiva. Estas plantas têm frutos que, à medida que secam, criam uma tensão que explosivamente abre vagens de sementes, às vezes lançando-as por 60 metros com força suficiente para quebrar carvalho.

Plantação por formiga

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As formigas e as plantas têm um longo histórico de colaboração, tanto que muitas plantas têm evoluído estruturas especializadas que levam as formigas a trabalhar para elas.

Por exemplo, um delicioso pacote de tecido adiposo em suas sementes, chamado elaiossomo. Formigas adoram este saboroso lanche, de forma que arrastam a semente para o seu ninho, comem o elaiossomo, e depois descartam a semente em uma câmara vazia, efetivamente plantando-a e mantendo-a a salvo de predadores. Essa forma de dispersão, denominada mirmecocoria, é comum em áreas áridas da Austrália e da África do Sul, e relativamente incomum no Brasil.

Exército de formigas

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As formigas são muito territoriais, e as plantas sabem disso. Então, algumas delas evoluíram estruturas especiais que convidam formigas que picam a viver nelas, chamadas domatia. Por exemplo, na acácia, as domatia muitas vezes se formam em espinhos, e quando grandes mamíferos vêm pastar na planta, as formigas correm defender suas casas, picando os animais.

As plantas também podem evoluir estruturas de alimentação especializadas chamadas nectários extraflorais. Estes pequenos nódulos secretam néctar doce, que as formigas adoram. Em um esforço para manter o controle deste alimento doce, as formigas defendem agressivamente os nectários, afugentando predadores (e às vezes até mesmo insetos polinizadores benéficos).

Roubo de nutrientes

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Acredite ou não, as plantas têm um monte de decisões a tomar durante suas vidas. Será que devem fazer mais folhas, colher mais luz ou captar mais água? Tudo isso pensando em atingir a maturidade e se reproduzir.

Como acontece com os seres humanos, algumas plantas não aguentam a pressão de ter que fazer tudo sozinhas e podem apelar para atitudes antiéticas. Por exemplo, a Castilleja levisecta pode ser autossustentável, coletando sua própria luz e nutrientes, mas, se tiver uma chance, vai estender suas raízes até seu vizinho e formar estruturas especiais, chamadas conexões haustoriais, que permitem que roube água, açúcar e nutrientes das raízes de outras plantas. Como um bom parasita, esta planta não costuma matar seu hospedeiro; em vez disso, se aproveita dele por anos.

Espionagem

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As plantas podem coletar informações importantes observando sua vizinhança imediata. Elas são capazes de prestar atenção ao que ocorre com seus vizinhos enquanto eles estão sendo comidos por predadores, para mais tarde montar suas próprias defesas químicas especiais. As plantas que estão sendo comidas tendem a liberar compostos voláteis (responsáveis pelo cheiro da grama cortada, sálvia e manjericão picado), em parte para afastar os insetos. Plantas nas proximidades podem detectar estes compostos, e começar a “sequestrar” produtos químicos de gosto ruim ou venenosos em suas folhas para deter os herbívoros quando eles passarem para a próxima vítima. Cientistas mostraram que as plantas que têm esse tipo de comportamento são menos atacadas por predadores.

Algumas plantas também usam sinais químicos para mudar de sexo em resposta a seus vizinhos. Por exemplo, se uma planta está localizada em uma região cheia de produtos químicos vindos de plantas fêmeas, pode dedicar seus esforços reprodutivos para fazer esperma em vez de sementes, a fim de garantir sua reprodução.

Reprodução através de sexo com insetos

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O sexo no mundo das plantas é muito menos interessante do que para a maioria dos animais. No geral, as plantas nunca encontram seus doadores de esperma, porque o pólen (sim, o esperma da planta que é capaz de entrar em seu nariz e causar alergias) é normalmente levado pelo vento ou transportado pelas abelhas e pássaros de flor em flor.

Às vezes, é difícil para uma planta que um pássaro ou abelha pare em sua flor, se o seu parceiro mais próximo está a centenas de metros de distância em uma selva densa. Como fica sua reprodução, então?

Entra em ação a evolução. Para resolver esse problema, uma espécie de orquídea consegue imitar a aparência e, em alguns casos, o cheiro, de insetos do sexo feminino. Insetos machos inocentes são facilmente enganados, e podem passar vários minutos vexatórios tentando acasalar com uma flor, apenas para perceber que ela é uma planta. No entanto, até que isso aconteça, a orquídea já anexou um saco de pólen especial, chamada de polínia, ao inseto. Quando o pobre rapaz finalmente desiste e sai voando, leva o pólen até a próxima orquídea que conseguir enganá-lo. [io9]

Por: Natasha RomanzotiEm: 28.07.2014 | Em Meio ambiente, Principal, Super listas  |
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