Tecnologia engorda, mas não do jeito que você pensa

Publicado em 6.08.2013

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É repetição lembrar que a tecnologia nos deixa preguiçosos. Toda a ideia da tecnologia é baseada no objetivo de facilitar a vida e diminuir o nosso esforço, ou seja, nos deixar acomodados. Mas o que está nos engordando é outro motivo, que Kathy Sierra explica, baseado em um estudo realizado em 1999 por Baba Shiv.

“Em 1999, o Professor Baba Shiv (atualmente em Stanford) e seu coautor Alex Fedorikhin fizeram um experimento simples com 165 estudantes. Metade dos alunos teve de memorizar um número de sete dígitos, e a outra metade um número de dois dígitos. Depois de completar a tarefa de memorização, foi oferecido um lanche aos participantes: eles poderiam escolher entre bolo de chocolate ou uma tigela de frutas.

Os participantes que memorizaram os números de sete dígitos eram quase 50% mais propensos do que o outro grupo a escolher o bolo ao invés da fruta.

A implicação não é sutil, mas importante. Trabalhar o seu cérebro de alguma forma (lembrando cinco dígitos extras) enfraqueceu sua capacidade de ser eficaz em outro (mantendo a força de vontade). Isso significa que seu cérebro é como uma máquina de tanque de combustível. Isso também significa que quanto mais você forçar o seu cérebro a fazer alguma coisa, menos eficiente ele será para o resto das suas funções.

Este é o mesmo princípio adotado por CEOs e outras importantes personalidades inteligentes, que limitam as escolhas que temos de fazer em um dia vestindo a mesma coisa todos os dias. As poucas opções que você tem para fazer em um dia, mesmo as triviais, tornam seu cérebro menos eficaz para outras atividades. O experimento mostrou, no entanto, que não são só decisões sobre o trabalho que acabam afetadas, mas a força de vontade própria. Seu corpo começa a trabalhar no instinto. Ele almeja a comida que sabe que gosta, ou diz ao seu patrão chato “Vá para o inferno”, ou apenas se senta no sofá, porque o esforço é como a morte – e, mais uma vez, é por isso que nós inventamos a tecnologia.

O mesmo princípio foi demonstrado em um estudo com cães. Os animais foram orientados a ficar parados por vários minutos antes de serem colocados na frente de um prato de comida. O resultado observado é que aqueles que ficaram parados comeram muito mais do que os que estavam soltos. A força de vontade daqueles que exerceram autocontrole foi diminuída, e seus cérebros foram concentrados em um nível puramente instintivo.

E como isso nos afeta? Se seu celular vibra com uma notificação, você o tira do bolso ou deixa lá, porque está em uma conversa? Você decide olhar para ele, você desbloqueia o telefone para responder ou o coloca de volta em seu bolso?

O ponto dos cientistas é que o que chamamos de boa tecnologia e design muitas vezes ainda nos faz tomar decisões, usar os nossos recursos cognitivos. Faz com que a gente coma o bolo.

Então, qual é o ponto aqui? Não que você deve parar de ver as notificações que recebe sobre coisas que você precisa saber. Você sempre vai ter e-mails importantes ou mensagens instantâneas ou tweets ou que que seja. Mas vale a pena lembrar que uma boa experiência, sem tecnologia e aplicativos, é algo que vale para o cérebro – e talvez sua cintura também. [Gizmodo]

Autor: Ana Claudia Cichon

é jornalista e curitibana, que agora tenta a vida em São Paulo. Apaixonada, doente e viciada por futebol, do tipo que troca o aniversário da mãe ou do namorado para ir ao estádio.

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