Teria o Triângulo das Bermudas algo a ver com o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines?

Quase uma semana depois de seu desaparecimento, o destino do voo MH370, da companhia aérea Malaysia Airlines, permanece um mistério absoluto.

O avião viajava entre Kuala Lumpur e Pequim com 239 pessoas a bordo, a maioria (153) cidadãos chineses. Enquanto as autoridades de vários países e dezenas de aviões e barcos vasculham todos os cantos, incluindo o Mar da China, no Oceano Pacífico, a Baía de Bengala e outras regiões do Oceano Índico, algumas pessoas se perguntam se o Triângulo das Bermudas não poderia ter algo a ver com o acidente.

O avião desapareceu dos radares uma hora depois da decolagem, sábado passado, às 0h40 de Kuala Lumpur. As condições climáticas eram consideradas boas e nenhum sinal de alerta foi recebido. A aeronave é considerada uma das mais seguras do mundo. Até ontem (13), a área rastreada para procura do avião já cobria mais de 10 países e quase de 27.000 milhas náuticas, o que equivale a 90.000 quilômetros quadrados.

O desaparecimento do Boeing 777 provoca nada mais nada menos do que perplexidade entre especialistas e governos. Diversas hipóteses já foram formuladas, de uma explosão a bordo até um sequestro ou suicídio do piloto. Para coroar a confusão, parentes de passageiros garantem que telefonaram para seus entes queridos, e os celulares chamaram, mas não houve resposta.

Sendo assim, era inevitável que o desaparecimento evocasse comparações com a suposta parte infame do oceano em que navios e aviões “desaparecem sem deixar vestígios”. Alguns dias atrás, um político malaio escreveu no Twitter: “Novo Triângulo das Bermudas detectado em águas do Vietnã, dispositivos sofisticados bem equipados não servem a nenhum uso!”, como piada em referência à busca sem pistas realizada na área. O comentário indignou muitas pessoas, que o consideraram insensível, e mais tarde ele se desculpou.

O Triângulo das Bermudas e por que ele é falso

A expressão “Triângulo das Bermudas” foi cunhada em 1964, mas só se tornou conhecida em todo o mundo uma década depois, quando Charles Berlitz escreveu um livro sobre isso. Berlitz acreditava que o lendário subcontinente perdido da Atlântida era real e de alguma forma responsável pelos desaparecimentos misteriosos ao largo da costa da Flórida (EUA).

Desde então, muitas teorias foram apresentadas para explicar o mistério. Alguns escritores têm expandido as ideias de Berlitz sobre a Atlântida, sugerindo que a mítica cidade pode estar no fundo do mar e usar “energia de cristal” para afundar navios e aviões. Outras sugestões mais fantasiosas incluem portais de espaço-tempo e extraterrestres – incluindo rumores de bases alienígenas subaquáticas. Outros ainda acreditam que a explicação está em algum tipo de fenômeno geológico ou hidrológico extremamente raro da região.

A mais nova sugestão é de que o avião da Malaysia Airlines desapareceu sobre um pedaço de oceano que está na exata parte oposta do globo do Triângulo das Bermudas – não é uma coincidência bizarra?

Não. De fato parece muito misterioso e assustador, até que você consulta um mapa e observa que a área de pesquisa da aeronave não é mais ou menos no lado oposto do Triângulo das Bermudas (que é no Atlântico Norte), mas em vez disso no Mar do Caribe.

Geografia enviesada à parte, a verdade é que ninguém sabe onde o avião desapareceu. Poderia ter sido no Mar da China, ou ao largo da costa oeste da Malásia, ou em qualquer outro lugar. Alguns pesquisadores suspeitam que o avião nem sequer caiu no mar, mas em vez disso está nas selvas montanhosas do Vietnã, para onde equipes foram enviadas. Uma vez que o avião pode ter feito qualquer coisa nas horas após a sua última aparição no radar, a área de busca é muito grande.

Além do mais, o Triângulo das Bermudas não existe – simples assim. Ele foi desmascarado na década de 1970, quando o jornalista Larry Kusche pesquisou supostos estranhos desaparecimentos na área, reexaminando o que outros escreveram sobre o assunto, e descobriu que a história foi basicamente criada por erros e fraudes.

Em seu livro “The Bermuda Triangle Mystery – Solved” (em português, “O Mistério do Triângulo das Bermudas – Solucionado”, Prometheus Books, 1972), Kusche observou que poucos escritores se deram ao trabalho de fazer uma investigação de verdade – em sua maioria, só coletaram informações repetidas de outros escritores anteriores, que fizeram o mesmo. Em alguns casos, não há registro dos navios e aviões que eles dizem terem sido perdidos no cemitério triangular aquático, pois eles nunca existiram. Em outros casos, os navios e aviões eram reais, mas “desapareceram misteriosamente” durante fortes tempestades.

Também é importante notar que a área dentro do Triângulo das Bermudas é fortemente explorada por navios de cruzeiro e de carga; logicamente, mais navios deveriam afundar lá do que em áreas menos viajadas, como o Sul do Pacífico, mas o “triângulo infernal” não tem um número anormalmente elevado de desaparecimentos misteriosos.

Enquanto o desaparecimento do voo MH370 é um verdadeiro mistério, não significa que qualquer coisa inexplicável ou sobrenatural aconteceu com ele. Seu destino ainda é desconhecido, mas um esclarecimento poderia emergir a qualquer momento. [LiveScience, Estadao, EM]

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12 respostas para “Teria o Triângulo das Bermudas algo a ver com o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines?”

  1. Esta história destas chamadas a celulares envolvidos neste episódio soa bem estranha . Aliás, todo este caso é muito estranho . O que mais lamento , no entanto , é o desaparecimento de quase 240 pessoas .

    • Há operadoras aqui mesmo no Brasil que faziam o som de chamada, mesmo sem o aparelho haver sido encontrado pelas torres, coisa que pode levar vários segundos. Simplesmente porque deixar o aparelho mudo antes de encontrar o aparelho destino da chamada faz com que as pessoas tentem novamente e acabem sobrecarregando a rede de maneira desnecessária.

  2. 1. Se os celulares chamaram, acredito, pode-se fazer um rastreamento do aparelho por triangulação para pelo menos saber aonde eles estão (será que não havia nenhum celular com o OS Android a bordo? Nenhum passageiro com um iPhone ligado?) Como ninguém pensou nisso? Que mistério.

    2. Pelo que eu saiba, o Triângulo das Bermudas existe sim. Como diz o velho ditado, “O povo aumenta mas não inventa”.

    • Celular chamando no meio do oceano é estranho já que as torres tem que estar a uma distância módica. No fundo do oceano é ainda mais complicado.

    • Geograficamente o Triângulo das Bermudas existe sim. Mas fora isto, não há nada demais. Já foi provado que a quantidade de acidentes na região é proporcional a qualquer outra parte do planeta e a maioria dos acidentes relacionados a região sequer existiram. O cara escreve uma historinha sobre o lugar, o outro acredita, aumenta um pouco e coloca novas histórias, e assim foi indo.

    • Quanto aos cells, ja foi esclarecido que, os cel. chamam por um tempo s, msm sem achar o celular dest., esse intervalo é o tempo em que as torres procuram pelo cell. E quanto ao t. das bermudas, na minha opnião, existe sim alguma força diferente, natural ou n, que atua sobre a area, afinal já foi provado que a area não é confiavel, apresenta rapidas mudanças radicais no clima, e tempestades mais frequentes que o normal. há tbm casos de a. que entraram em tempest. e apareceram em cidads a hrs

    • João Matos, as forças que atuam no “Triângulo das Bermudas” são as mesmas que atuam em qualquer região sujeita a tempestades e furacões, são as forças meteorológicas.

      É importante notar que o livro “Triângulo da Bermudas”, do Charles Berlitz, tem exageros e fraudes. Ele colocou dentro do tal triângulo alguns naufrágios e desaparecimento que ocorreram bem longe dele…

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