O universo em um clique

Você não pode ver, mas pode ouvir os animais do Ártico

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Por em 18.05.2011 as 17:37

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Quando alguém observa essa vasta extensão de gelo, toda branca e fria, não consegue distinguir nenhum movimento ou som. Sim, vendo por esse ângulo, é fácil confundir o Ártico com um deserto.

Mas se você chegar até a borda do gelo, fazer um buraco com profundidade suficiente para chegar a água, e inserir ali um hidrofone (um microfone subaquático), a quantidade de coisas que você ouvirá é surpreendente.

No mar de Chukchi, a paisagem sonora da primavera é dominada, sempre, pelos longos trinados dos machos da foca barbuda (Erignathus barbatus). Os cientistas acreditam que eles emitem esses sinais como uma exposição do sexo masculino, seja para defender seu território ou para atrair uma companheira.

Seus trinados são onipresentes em todos os oceanos do Ártico. Embora sejam vistas apenas uma ou duas focas barbudos perto do cabo Barrow, é evidente a partir dos dados acústicos que existem muitas delas “cantando” de uma só vez dentro de poucos quilômetros do cabo.

Durante a migração de primavera, a baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus) produz uma variedade de sons, incluindo canções que podem servir a uma função similar à da foca barbuda. As baleias também produzir sons mais simples: gemidos e grunhidos que provavelmente ajudam muito na comunicação entre os animais (e que também ajudam os humanos a navegarem em águas com pedaços de gelo).

A baleia-branca ou beluga (Delphinapterus leucas) também nada por ali, assobiando, relinchando e guinchando conforme passa. Tudo isso acontece mesmo quando não há nenhuma pista na superfície da existência destes animais. De vez em quando, o gelo range e as rachaduras gemem.

É assim em todos os oceanos do mundo: em qualquer lugar que você colocar um hidrofone, é provável que você aprenda algo novo sobre os animais que passam despercebidos.

A comunicação acústica é fundamental em um ambiente escuro, coberto de gelo. Para as baleias, esse sentido é essencial, pois fornece informações de seu habitat (a presença e o estado comportamental de outros animais nas proximidades).

O som propaga-se bem na água. Certos sinais podem ser ouvidos a distâncias muito maiores do que os animais podem ser vistos. Sons de alta frequência, como os feitos pela baleia beluga, viajam apenas curtas distâncias, enquanto frequências de som menores, como as produzidas pela baleia-da-groelândia, podem ser ouvidas a muitas dezenas de quilômetros de distância.

As baixas frequências usadas pelas baleias se sobrepõem ao som de navios de grande porte e de exploração de petróleo. Estas fontes artificiais são propensas a aumentar os níveis de ruído conforme o gelo marinho continua a diminuir no verão e rotas marítimas cruzam o Ártico durante os verões sem gelo.

É possível que esse aumento de ruído afete principalmente as baleias, fazendo com que elas mudem as frequências que usam para se comunicar, ou a duração das chamadas que produzem, ou ainda restrinjam as faixas com as quais se comunicam.

Atualmente, dados acústicos coletados de gravações de longa duração (meses ou anos) estão sendo recolhidos e analisados para avaliar a extensão dos efeitos de ruídos produzidos pelo homem sobre baleias no Ártico, e mamíferos marinhos no mundo todo.

Para ouvir alguns dos sons, visite a página:[NewYorkTimes]

Natasha Romanzoti tem 22 anos, é jornalista, apaixonada por futebol (e corinthiana!) e livros de suspense, viciada em séries e doces e escritora nas horas vagas.

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2 comentários

  1. rodrigo libertari /

    “fizer” um buraco, certo?

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  2. “se você chegar até a borda do gelo, FAZER um buraco”

    FAZER?

    Peloamor…

    Gostei deste comentário ou não: Thumb up 5

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