Você sofre de transtorno alimentar noturno?

Um novo estudo afirma que um distúrbio alimentar bastante raro, cuja assinatura é “assaltar a geladeira” à noite, não necessariamente compulsivamente, precisa de um estudo mais aprofundado, uma vez que pode ser sinal de outros problemas de saúde mental.

Os pesquisadores analisaram distúrbios alimentares e histórico de saúde mental em mais de 1.600 estudantes universitários e descobriram que cerca de 4% se encaixavam nos critérios para ter transtorno alimentar noturno.

“A síndrome do comer noturno ou transtorno alimentar noturno é caracterizada não só por comer à noite – certamente muitos estudantes universitários podem comer demais tarde da noite de vez em quando -, mas também por outras coisas, como a sensação de que você não pode comer na parte da manhã, e de que você precisa comer para conseguir voltar a dormir”, explica a Dra. Rebecka Peebles, do Hospital Infantil da Filadélfia e da Universidade da Pensilvânia (EUA).

A condição

No mais novo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que guia os profissionais de psiquiatria, o transtorno alimentar noturno é um diagnóstico distinto de outros distúrbios.

A síndrome é muitas vezes assinalada por aumento do apetite durante a noite, mas normalmente é mais um petiscar e procurar por comida a noite toda do que um comer compulsivamente – ou seja, é diferente do transtorno da compulsão alimentar periódica. Também pode incluir acordar no meio da noite para comer.

Muitas vezes, essa vontade de comer à noite está ligada ao sentimento que isso vai melhorar o sono ou permitir que a pessoa volte a dormir.

O estudo

Para ter uma noção de quão comum o transtorno era e que outras características ou fatores de risco andavam junto com ele, os pesquisadores analisaram dados de um grande estudo em 10 universidades dos Estados Unidos em 2008. Um total de 1.636 estudantes foi incluído na análise.

A pesquisa online incluiu informações sobre altura e peso, além de quatro questionários focados em comer a noite, transtornos alimentares em geral e qualidade da vida. Os cientistas tomaram o cuidado de diagnosticar separadamente participantes com transtorno alimentar noturno e transtorno da compulsão alimentar periódica (a compulsão alimentar recorrente foi definida como comer grandes quantidades de comida pelo menos quatro vezes durante o mês anterior).

Segundo os pesquisadores, os jovens tendem a comer mais à noite e os estudantes universitários que estão estressados e têm padrões de sono inconsistentes podem estar em risco maior de transtorno alimentar noturno.

Um total de 67 entrevistados (4,2%) tinha os critérios para a síndrome do comer noturno. Eles também eram mais propensos a ter baixa qualidade de vida e outros distúrbios alimentares, como usar excessivamente laxantes e fazer exercício físico compulsivamente, em comparação com os demais participantes.

Outros 222 estudantes (14%) pareciam ser comedores compulsivos. Dos 67 alunos com síndrome de comer à noite, 22 eram também comedores compulsivos. Excluindo-se os comedores compulsivos do grupo, a prevalência da síndrome caiu para 2,9%.

O transtorno alimentar noturno foi mais comum em estudantes com histórico de anorexia nervosa e nos alunos que já tomavam medicamentos para transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, de modo que essas outras condições podem desempenhar um papel na condição. Histórico de depressão e de automutilação também foram mais frequentes entre as pessoas diagnosticadas com a síndrome.

Em resumo, o estudo mostrou que a síndrome do comer noturno é geralmente associada a outros comportamentos de transtorno mental e alimentar, que podem levar a sérias consequências físicas e psicológicas.

De acordo com os cientistas, é importante que as pessoas com síndrome de comer noturno obtenham ajuda. Pais e amigos podem detectar sinais da condição observando flutuações no peso da pessoa afetada, notando se ela levanta com frequência à noite, e se comida desaparece misteriosamente da geladeira. [Reuters]




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