10 maneiras que a evolução nos confunde

Por , em 27.10.2013

A evolução moldou nossos corpos e comportamentos, instintos e metabolismo. Mas também alteramos nosso próprio ambiente pela nossa cultura, e ainda não tivemos tempo de ficar bem adaptados para essa nova realidade. Isto acaba gerando alguns efeitos colaterais curiosos e intrigantes. Confira aqui 10 maneiras que fomos sabotados pela evolução:

10. Salgado e doce

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Você já se perguntou por que somos todos dominados por desejos de alimentos que não são saudáveis, com altos teores de sódio e açúcar, por exemplo?

Os seres humanos evoluíram para sobreviver a partir de três grandes grupos de alimentos: proteínas, gorduras e vitaminas/minerais. Era o que havia disponível aos nossos ancestrais, na forma de carne, peixes, frutas e verduras. Naturalmente, evoluímos para gostar destas coisas por que traziam vantagens para a sobrevivência, e serviam como forma de decidir se um alimento era saudável.

O resultado é que gostamos do sabor doce das frutas e a salinidade natural das carnes. [ScienceMags, HuffingtonPost]

9. O efeito “Tubarão”

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Alguma vez você já assistiu um filme assustador e então ficou com medo de fazer algumas coisas, como ir ao porão? Imagine que você é um dos ancestrais humanos que acabou de testemunhar alguém ser devorado por um leão. Seria vantajoso ser capaz de aprender com eventos como este.

E é o que acontece – toda vez que você experimenta uma situação similar à do ataque do leão, você sente uma ansiedade extrema e uma necessidade de evitar a situação, identificada através dos odores e do aspecto da área. O seu cérebro agora conecta rapidamente os cheiros e aspecto com a ideia de ser comido por um leão, e trata de evitar a situação.

Atualmente, não é comum ver alguém ser devorado por leões, mas ver filmes assustadores é. Testemunhamos monstros e fantasmas fictícios fazendo coisas horríveis às pessoas, o que é suficiente para disparar o instinto. A evolução não antecipou este tipo de distração, e o filme “Tubarão” é um exemplo perfeito disso.

As pessoas que assistiram ao filme sabiam que era uma ficção, mas durante algum tempo evitaram praias. Nossos instintos não entendem ataques fictícios de tubarão, e o resultado foi que quem assistiu “Tubarão” experimentou ansiedade real. [ScienceDaily, About Phobias]

8. Empatia com animais

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Você já se perguntou por que você sente afeto por animais? Nossos ancestrais tinham que matar e comer animais para sobreviver, então não seria vantajoso sentir qualquer tipo de compaixão ou empatia por eles. Por que então algumas vezes temos estes sentimentos?

A empatia evoluiu como uma ferramenta para ajudar na cooperação útil entre humanos. Os seres humanos cooperativos tinham melhores chances de sobreviver que os solitários. A empatia é uma ferramenta que nos ajuda a perceber sinais como a linguagem corporal, choramingos e expressões faciais, de forma que podemos sentir o que os outros sentem e estar mais inclinados e capacitados a cooperar de forma mutuamente benéfica.

Nos tempos modernos, não precisamos matar animais pessoalmente para sobreviver, assim o instinto de empatia pode se ampliar e se aplicar aos que apresentam os mesmos sinais sociais descritos acima, como choramingos e expressões faciais. Fatores culturais, como filmes que mostram animais que falam e têm personalidades humanas, também perpetuam este efeito. [GreaterGood, PsychologyToday]

7. O Bom Samaritano

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Você já se perguntou por que às vezes sente vontade de dar algum troco a um mendigo? O motivo é parecido com o anterior – é outro exemplo de empatia acontecendo de forma errada em um contexto moderno.

Da mesma forma que no caso anterior, a empatia evoluiu como um instinto de sobrevivência grupal. Os primeiros humanos se reuniam em pequenos grupos para sobreviver, então qualquer um com quem você interagisse era provavelmente alguém próximo, que você deveria confiar para te ajudar.

A evolução não antecipou ambientes como as cidades modernas, onde você interage com centenas de estranhos que não afetam a sua vida de forma nenhuma. O resultado é que o instinto ainda funciona e você se sente compelido a dar um troco a um mendigo.

Se você visse alguém em situação semelhante 200.000 anos atrás, provavelmente seria um membro importante de seu grupo de sobrevivência, e portanto um trunfo importante para manter e desenvolver camaradagem. [JSTOR, Nature.com]

6. Interesse sexual

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Você já se perguntou por que as mulheres têm menos interesse em sexo que o homem? Elas podem ficar grávidas e parir aproximadamente uma vez por ano. O homem, por outro lado, pode engravidar dez mulheres por dia, resultando em 10 nascimentos. Esta é uma diferença biológica bastante drástica.

O resultado disso é que as mulheres são mais relutantes e seletivas. Instintivamente, elas não querem desperdiçar suas limitadas chances anuais de gravidez. O fato de agora termos acesso fácil a métodos contraceptivos não anula 200.000 anos de evolução.

O instinto permanece – os homens tipicamente tem uma atitude mais descuidada e promíscua em relação ao sexo, porque biologicamente não há custos envolvidos. Uma mulher, por outro lado, geralmente se sente desconfortável com um estilo de vida assim, porque os instintos lhe dizem “você só terá uma chance de engravidar por ano, então nada de desperdícios”. [Trivers, R. (1972) Parental investment and sexual selection. In B. Campbell; Shackelford, Schmitt, & Buss (2005) Universal dimensions of human mate preferences]

5. Divórcio

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Você já se perguntou as possíveis razões pelas quais os casais se divorciam? Sociólogos e demógrafos descobriram que os casais que tem pelo menos um filho têm menos risco de divórcio que casais que têm somente filhas. Por que isso?

Como o valor de um homem como parceiro é bastante influenciado pela sua riqueza, status e poder, enquanto o valor da mulher é determinado pela juventude e atração física, o pai tem que se certificar que seu filho irá herdar seus bens, status e poder, não importando de quantos estamos falando.

Em contraste, existe muito pouco que um pai (ou mãe) pode fazer para manter sua filha jovem ou fisicamente atraente. A presença (e investimento) constante pelo pai é mais importante para o filho, mas não tão crucial para a filha. A presença de filhos, desta forma, diminui as chances de divórcio ou de abandono da família por parte do pai, muito mais que a presença de filhas – evolucionariamente falando. [TheBigQuestions, PsychologyToday]

4. O “Efeito do Inseto Fantasma”

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Você já deve ter notado um inseto caminhando no seu braço, só para continuar sentindo como se ele estivesse sobre sua pele, mesmo depois de tê-lo afastado. Por que isto acontece?

Trata-se do instinto de hipersensitividade. Se há a mínima chance de que um inseto esteja sobre você, seu cérebro entra no modo “melhor estar seguro do que arrependido”. E se você acabou de afastar um inseto, provavelmente existem outros por perto, e nossos ancestrais aprenderam da pior forma que eles podem ser venenosos ou perigosos.

Há uma vantagem em se tornar hipersensitivo a insetos imediatamente depois de sentir ou ver um. Seu cérebro sinaliza “é melhor dar uma segunda verificada nesta história de inseto no braço”.

Bônus: combinando este instinto com o efeito “Tubarão”, dá para explicar fenômenos como o avistamento de fantasmas. Você ouve histórias de fantasmas, ou vê um filme, e por causa do “Efeito Tubarão”, seu instinto começa a achar que fantasmas são reais. E quando você está em um lugar arrepiante, como um cemitério, você se torna hipersensibilizado e acaba vendo fantasmas que não estão lá.

As pessoas juram ter visto fantasmas, e podem ter mesmo visto, mas isto não significa que eles estavam lá. Pode ser simplesmente o cérebro tentando mantê-las seguras, criando a imagem de um fantasma, exatamente da mesma forma que cria a sensação de um inseto que não está lá. [DrBeetle]

3. Crise da Meia-Idade

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Talvez você já tenha se perguntado por que alguns homens casados acabam passando por uma “crise de meia-idade”. Só que essa crise não é afetada de fato pela idade, mas sim causada pela esposa.

Do ponto de vista da psicologia evolucionária, a crise da meia-idade é precipitada pela entrada iminente da esposa na menopausa, e o fim da sua carreira reprodutiva, o que renova no homem a necessidade de atrair mulheres mais jovens.

Por consequência, homens de 50 anos casados com mulheres de 25 anos não passam pela crise de meia-idade, e homens de 25 anos casados com mulheres de 50 anos a têm, da mesma forma que os de 50 casados com mulheres de 50 anos.

Não é a meia-idade do homem que importa, é a meia-idade da mulher. Quando ele compra um carro esporte conversível vermelho, ele não está tentando recuperar a juventude, mas atrair mulheres jovens para substituir sua esposa que está entrando na menopausa. Cruel… [en.Wikipedia]

2. Coisas que são “fofas”

Já se perguntou por que achamos certas coisas “fofas”? A essência da evolução é conseguir passar seus genes para a próxima geração da forma mais efetiva possível. Assim, era vantajoso que nossos ancestrais fossem capazes de reconhecer suas crias e sentir-se naturalmente compelidos a cuidar delas. E é daí que vem o conceito de “fofo”.

Os humanos desenvolveram uma sensibilidade natural para tudo que tem as características de um bebê humano. Isto inclui a desproporção enorme entre cabeça e corpo, e olhos grandes. O problema é que existem muitas coisas que têm estas características, como cães, gatos e outros animais. Estas semelhanças a bebês humanos disparam nosso instinto e enganam nosso cérebro, fazendo-nos gostar deles. Mesmo objetos inanimados podem criar este efeito, como, por exemplo, uma cenoura “bebê”. [GizMag]

1. A Teoria do Tio Gay

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Já se perguntou por que certa porcentagem da população é homossexual? Imagine um bando de ancestrais humanos sem homossexuais na população. A taxa de reprodução seria muito maior, o que parece ser uma vantagem evolutiva. Mas com tantas crianças para cuidar, recursos como comida, supervisão, defesa e abrigo seriam limitadas. Muitas das crianças não conseguiriam chegar à idade adulta.

Agora, imagine o oposto: um grupo de ancestrais humanos com uma porcentagem enorme de homossexuais. Neste caso, teremos um pequeno número de crianças que seriam bem cuidadas. Mas ainda assim não teríamos muitas crianças chegando à idade adulta, por que começaríamos já com poucas crianças.

Finalmente, em uma abordagem parecida com a da “Cachinhos Dourados”, imagine um grupo com a quantia certa, nem demais, nem de menos, de heterossexuais e homossexuais. O número de crianças com supervisão adequada atingindo a idade adulta seria maximizada. E é exatamente o que vemos na população humana atual – uma comunidade gay pequena, mas consistente. [InstinctMagazine, HuffingtonPost] [Listverse]

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23 comentários

  • Daian Tai:

    A primeira confusão que vi aqui foi o título da matéria… aquele “que” teria que ser “com as quais” ou ainda “10 maneiras de a evolução nos confundir”.

  • Givanildo Calixto:

    Muitos criticam os cristãos porque creem em algo que não podem provar diretamente pelos meios científicos. A Teoria da Evolução também nunca foi provada realmente e mesmo assim muitos professos sábios creem nela. Por quê?

  • Cícero Farias:

    Ótima matéria, adorei, parabéns!!

  • Wesley Evolutions:

    • Casamento não se trata de uma estratégia evolutiva para a procriação e o impedimento da descontinuidade ou extinção da espécie.

    • Casamento não se trata de pretexto para obtenção de satisfação e saciedade dos desejos sexuais.

    • Casamento não se trata de procura a estabilidade familiar e a comodidade de um lar, e nem de um processo seletivo de escolhas de uma fêmea homo sapiens para a seleção do seu macho que será o melhor reprodutor.

    Os Evolucionistas tentam ser céticos mais não conseguem, afinal, evidências da vida real contradizem tais afirmações. Não existe ”crise da meia idade” nem ”estabilidade ou segurança no casamento por causa de filhos ou filhas”. O que determina um casamento duradouro ou um futuro divórcio nada mais é do que o sentimento que um tem pelo outro.

    Existem casais que tem filhos do sexo masculino e se separam(como no caso dos meus pais) e existem casais que não possuem filhos e envelhecem e morrem juntos, fiéis, leais e amando um ao outro.

    Casamento não trata-se apenas de sexo, muitos homens solteiros possuem antes do casamento uma vida sexualmente ativa e depois do casamento se tornam monógamos, e o mais impressionante para alguns, se tornam fiéis e leais, pois passam a amar de verdade suas respectivas parceiras.

    Quando se ama de verdade nenhum princípio da macro evolução das espécies de Charles Darwin se aplica, seja isso por ironia ou não. A Mulher não vai selecionar o homem mais forte, mais bem posicionado social e financeiramente e nem o com maior potencialidade sexual e reprodutiva… a prova disso é que muitas mulheres lindas escolhem homens menos providos de beleza, com status social modesto e com poder aquisitivo humilde mesmo havendo muitas vezes concorrências que ”desbancam” do ponto de vista evolucionista, o amado.

    Quando se ama de verdade, os homens não abandonam e nem sentem tentados s substituir suas mulheres por uma mais jovem, a exemplo disso encontramos ainda muitos homens fiéis, leais e honestos a suas esposas.

    Quando se ama de verdade não há justificativas para ação de estinhos como a necessidade de reprodução, muitas mulheres e homens tem o desejo de serem pais, porém, muitos homens e mulheres casados não se sentem atraídos a ideia e acabam que não procriam ou não deixam descendentes.

    POR FIM, O AMOR SUPERA QUALQUER BARREIRA APARENTEMENTE EXTINTIVA PROMOVIDA POR IDÉIAS PRINCÍPIOS DE ADEPTOS DE UMA SUPOSTA TEORIA DE EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIAS.

    NÃO CABE A COMUNIDADE CIENTÍFICA EXPLICAR O QUE É O ”AMOR”, NÃO CABE A CIENTISTAS EXPLICAREM DETERMINADOS ESPECTROS DE COMPORTAMENTOS EMOCIONAIS DO SER HUMANO, NÃO CABE A CIÊNCIAS EXATAS TENTAREM EXPLICAR O QUE SÃO SENTIMENTOS.

    A Ciência, a física e a biologia pode explicar o que são atrações físicas e sexuais, o que são estímulos hormonais e o que é a paixão, como ocorrem os processos eletroquímicos no cérebro de maneira cética… mas o AMOR que é uma condição de espírito, um sentimento e não um simples estímulo químico nervoso, não. Não cabe a biologia explicar!

    O AMOR VERDADEIRO É INDESCRITÍVEL E INEXPLICÁVEL!

    • Cesar Grossmann:

      Existem muitos fatos que foram levantados pelos cientistas e que contradizem as suas crenças. É preciso sempre verifica se o que você acredita realmente é verdade, não acha? Esta é a função da ciência.

      Claro, você não precisa aceitar os fatos descobertos pela ciência. Mas isto pode ser perigoso para você e para quem você ama.

    • pmahrs:

      Todos sabem que não sou ateu, mas existe gente que cai de alturas que toma tiro e que fuma a vida inteira e não morre destes eventos. Isto não quer dizer que tiro, queda e tabagismo não antecipa a morte. Os conceitos científicos são baseados em estatísticas matemáticas, não num ou outro caso isolado. Não há como negar o sucesso evolutivo do homem sobre todos animais a mais tempo no planeta graças as ciências e extintos; a maioria entende o amor como muito mais que conceitos definidos e as vezes transcende toda filosofia, matemática e ciência inclusive as biológicas que para alguns religiosos nesta parte a transcendência do amor não vale mais nada; ou vai dizer que o amor só não transcende sua religião? Vivemos num mundo real material sujeitos as leis da física e temos que respeitar estas leis. Não é negando a ciências e a realidade palpável mensurável que chegaremos a Deus, pois para religiosos tudo foi criado por ele e entendendo a obra compreendemos o autor. Nem todos podem atingir estados mentais de monges estudam e meditam a décadas. A única forma de presumir um mundo espiritual além da matéria, para que todos possam considerar e esgotar todas possibilidades de sermos apenas bilhões de combinações de coincidências de reações biofisioquímica que cessam na morte é através das ciências e métodos matemáticos; porém se isto acontecer poucos de nós entenderemos todas fórmulas complexas e peculiaridades de supercomputadores que faturam estas equações em nanosegundos. Só poderemos acreditar mesmo como atualmente em monges, quarks, bóson de higgs ou reptilianos

    • Fernando Augusto:

      Que piegas.

    • aguiarubra:

      Wesley Evolutions

      P.: “…NÃO CABE A COMUNIDADE CIENTÍFICA EXPLICAR O QUE É O ”AMOR”, NÃO CABE A CIENTISTAS EXPLICAREM DETERMINADOS ESPECTROS DE COMPORTAMENTOS EMOCIONAIS DO SER HUMANO, NÃO CABE A CIÊNCIAS EXATAS TENTAREM EXPLICAR O QUE SÃO SENTIMENTOS.
      A Ciência, a física e a biologia pode explicar o que são atrações físicas e sexuais, o que são estímulos hormonais e o que é a paixão, como ocorrem os processos eletroquímicos no cérebro de maneira cética… mas o AMOR que é uma condição de espírito, um sentimento e não um simples estímulo químico nervoso, não. Não cabe a biologia explicar!
      O AMOR VERDADEIRO É INDESCRITÍVEL E INEXPLICÁVEL!…”

      Comentário: é isso aí, camarada, estou consigo e não abro! A vertente “pseudo-cética” de ateistas estão levando adiante uma ideologia materialista radical, que pretende substituir o nosso simples bom senso pela psicopatia deles, em nome da velha ganância de poder de manipulação.

      Tentam dar uma de “Rev. Jones”, mas são patéticos. Fico feliz em saber que vc ainda não perdeu a capacidade de diferenciar “alhos” científicos de “bugalhos” cientificistas.

      Uma mera observação simplória de efeitos bioquímicos da atração física entre as pessoas não chega nem perto da dimensão amorosa que permeia o verdadeiro relacionamento romântico entre as pessoas. Assim, aplicar “reducionismo metodológico” para explicar (????) os casamentos que não dão certo e generalizar para todo e qualquer casamento não passa de uma tremenda impostura intelectual, que só atinge mentalidades ingênuas e/ou insensibilizadas por uma alienação da realidade imposta sub-repticiamente com o passar dos anos.

      Infelizmente, nas próximas décadas a manipulação neoliberal será cada vez mais efetiva sobre as consciências das pessoas, à começar pelas crianças enredadas pelos meios de comunicação que fornece-lhes informações às custas do sacrifício da capacidade de pensar (o Brasil, onde há uma das maiores redes de pessoas conectadas, está nos últimos lugares na classificação do P.I.S.A. em Ciências, Matemática e na “mera” Interpretação de Textos!!!).

      Somos seres em extinção, camarada.

  • aguiarubra:

    9. O efeito “Tubarão”

    Se isso fosse verdade, não teríamos exércitos pelo mundo (ou seriam um bando de “bobões” com medo da própria sombra).

    Ter medo de tubarão, depois de assistir filme, é coisa de criança. Não é coisa de caçadores de tubarões de tribos primitivas ou mesmo de biólogos marinhos. Pode ser para gente ‘de cidade’, efeito de uma “falta de costume” até compreensível.

    No entanto, os “civilizados” passam por situações similares em que tem que aprender a utilizar seus medos a seu favor. Um soldado, por exemplo, passa por coisas piores em seu treinamento e tais situações nas guerras são, antes, estimulantes ao combate, fazendo-o trabalhar com o instinto antes de com a razão. Por isso, temos alguns “rambos” pelo mundo afora nas tropas de elite de qualquer país! Claro, os melhores deles são psicopatas, né, não sentem o perigo da situação! Não precisam ser corajosos, pois são “temerários” inconsequentes. Apreciam muito bem situações que onde “os normais” adquirem traumas de combate! O mesmo para policiais e para bandidos!

    Eu assisto telejornais com relatos de crimes na rua e por isso me precavenho quando tenho que sair à noite de casa. Mas isso não me impede de sair, só me torna mais “esperto”: sei quando dois “nóias” se juntam para fazer um roubo, já fui roubado duas vezes à mão armada e o “efeito Tubarão” não me impediu de continuar saindo pelas ruas!!!!

    • pmahrs:

      A matéria, alias excelente, fala de medo e ansiedade, não de paralisia total na situação parecida que requer tratamento, mas se alguém for mordido pelas centenas de dente de navalha de tubarão na praia ele terá alguma dificuldade para entrar de novo, mesmo sabendo não ter tubarão. Depois de um tiroteio real que presenciei fiquei uma semana sem poder ouvir estouro de bexiga e escapamento e dar vontade de me pinchar no chão. O medo é instintivo e não respeita muito razão e lógica. Mas eu queria lembrar que guerra e soldados de elites são diferentes de em filmes com pobres e oprimidos para salvar e entre eles uma modelos de lábios carnudos e tudo com músicas empolgantes, ângulos selecionados e projéteis e estilhaços guiados por roteiro com tudo terminando num ardente beijo ao lado do inimigo morto.

    • pmahrs:

      Mas de fato muitos bandidos de hoje desde pequenos recebem um condicionamento mental mais pesado, em termos emocionais, do que de soldado de elite; ameaças, tapas, chutes, surras, ameaças, privações tensão constante, torturas e até mortes não só na rua como dentro do próprio lar, depois em reformatórios e finalmente se formam em prisões lotadas, promiscuas e insalubres. Um soldado, bem alimentado que passar por isto desde criança e de forma real e não apenas treinamento dosado e assistido, sim, viraria verdadeiro “RamboSchwarzeneggerchuck Norris”.

      Alguns até podem desistir do crime por não suportar o medo a dor e a pressão, mas os “melhores” que resistem são os selecionados mais durões e espertos e hoje já temos bandidos bem organizados e capazes de ações cada vez mais planejadas e ousadas e de viverem procurados e perseguidos já sabendo que mais cedo ou mais tarde acabaram preso ou morreram em tiroteios, torturas, disputas, acertos, milícias, execuções sumárias, drogas, rebeliões e julgamento de facções organizadas e de fato morrem todos dias a décadas mais do que em qualquer país que tenha pena de morte regulamentada. Sabem como se faz uma super bactéria assina? Todos aqui sabem, não é dando amor e carinho para elas. A matéria fala de medo e ansiedade não de paralisia, ouvir mentalmente a música não me impediu de entrar em piscina e nem no mar, mas se um tubarão me encarar na praia acho que vou ter alguma dificuldade para entrar de novo.

    • Fernando Augusto:

      O seu argumento não faz sentido. Os soldados treinam por anos e anos (principalmente os de elite) exatamente para reprimir esse desejo instintivo de se proteger do perigo e não correr para ele. E certeza que msm assim, eles sentem medo. Além disso, existem os testes psicológicos para entrar, exatamente para selecionar os com disposição (genética ou pelo meio) que se enquadram nas características necessárias.

    • aguiarubra:

      pmahrs

      P.: “…A matéria, alias excelente, fala de medo e ansiedade, não de paralisia total na situação parecida que requer tratamento…”

      Comentário: vc há de concordar que esse trecho “…toda vez que você experimenta uma situação similar à do ataque do leão, você sente uma ansiedade extrema e uma necessidade de evitar a situação, identificada através dos odores e do aspecto da área…” é tremendamente exagerado!

      “…Toda vez…” (???) já é indício de trauma, exige tratamento sim, camarada! É uma tremenda mentira, não tem pouco a ver com a realidade. Assista “Meninos do Tráfico” do BV Mill e vc saberá que aquelas crianças da favela do Rio de Janeiro quando experimentam uma situação similar a ataque de leão (no caso, ataque dos policiais), aí é que elas reagem mesmo (no “Meninos do Tráfico”, só um deles sobreviveu, pq. foi preso antes de morrer. Eles sabem que não chegam aos 18 anos).

      Então, esse “efeito Tubarão” é coisa de classe média alta (minoria de frescos), não é prá pobre não! Caiçara que precisar depender de matar Tubarão para se alimentar, vai ter “trauminha” pq. viu seu colega ser mordido na perna? Nunca, camarada. Esse artigo não serve para esses casos. Bilhões de pessoas passam fome no mundo e não duvide que eles caçariam leões e tubarões se avistassem alguns para comer, o que mostra que esse artigo não pode, de jeito nenhum, representar o que é mais básico nos seres humanos em geral: no máximo, indica que nós, os civilizados, é que estamos com problemas sérios com nossos instintos!

      P.: “…Depois de um tiroteio real que presenciei fiquei uma semana sem poder ouvir estouro de bexiga e escapamento e dar vontade de me pinchar no chão…”

      Comentário: não vou discutir isso com vc, eu fiz serviço militar e participei de vários treinamentos com tiroteios reais. Em combates simulados, tive que me virar com gás lacrimogênio e com granadas de efeito “imoral” o suficiente prá deixar meus ouvidos zunindo por muito tempo, podes crer. Mas não tive quaisquer sequelas disso. Portanto, esse artigo não vale nada como ítem de informação.

      P.: “…O medo é instintivo e não respeita muito razão e lógica…”

      Comentário: é aí que vc se engana redondamente. O medo é instintivo, e por isso mesmo a tua razão e lógica vai funcionar ao máximo se vc estiver num combate. Viví e sobrevivi por 10 anos em um bairro onde vizinhos próximo costumavam treinar suas metralhas de madrugada, pois tinham que assaltar algum carinha da região central logo de manhã, entende? Com muita razão e lógica eu seguia ‘as regras’ do bairro de periferia que eu morava. Dar uma de “temerário” é que é perigoso nessas regiões. Por isso, mais uma vez te digo que esse artigo tá bem por fora da realidade. Pelo menos, da realidade de gente pobre demais para ter que se preocupar com medo do escuro depois de assistir filme de tubarão.

    • aguiarubra:

      pmahrs

      P.: “…Mas eu queria lembrar que guerra e soldados de elites são diferentes de em filmes com pobres e oprimidos para salvar…”

      Comentário: não sei que filmes são esse. Eu cresci assistindo filmes da série “Combate” e não vi nada como um “…com tudo terminando num ardente beijo ao lado do inimigo morto…”. Muito pelo contrário, não se matavam os protagonistas pq. senão a série terminava e não se podia transmitir a mensagem, né? Em “Agonia e Glória” (que conta parte da história do famoso pelotão “The Big Red One” vc vai sentir um pouco da melancolia da guerra. Acho que vc não conhece “O Resgate do Soldado Ryan” para achar que filmes de guerra são tão glamurosos assim.

      Recomendo-lhe, então, “A Cruz de Ferro”: acredito que esse filme vai “curar” vc dos filmes muito ingênuos sobre a guerra, ok?

    • Cesar Grossmann:

      O “stress pós traumático” que faz com que veteranos se joguem no chão, debaixo da cama, e chorem como crianças, é explicado como, então?

    • pmahrs:

      Vou repetir de forma mais simples. A matéria fala de medo e ansiedade não de paralisia, total que requer tratamento. Não quer dizer que após estar num tiroteio toda vez que ouvir um balão estourar vai sacar a arma e se atirar ao chão antes da razão falar mais alto. O alerta inicial é natural se um soldado reprimir seu medo ele está morto. Treinamento não supera a realidade com projéteis zunindo a poucos centímetros do crânio e podem o espatifar antes de ouvir o estampido, amigos feridos ou em chamas gritando e corpos pulverizados chapiscando no seu rosto onde não há a “opção pedir para sair”

    • pmahrs:

      As vezes confundimos um pouco com filmes, um dos mitos e soldados musculosos, seria bom no tempo de capa e espada ou dos 300, mas nem os verdadeiros espartanos eram assim, bom para luta mano a mano não guerra. Totalmente obsoleto hoje; mais lento, consome muita energia e água além de ser mais difícil de se esconder e alvo fácil em emboscada, é o primeiro a ser alvejado, muito peso para carregar se ferido.

    • aguiarubra:

      Cesar Grossman

      P.: “…O “stress pós traumático” que faz com que veteranos se joguem no chão, debaixo da cama, e chorem como crianças, é explicado como, então?…”

      Comentário: antes de generalizar, leia o artigo da revista SUPERINTERESSANTE disponível na web como:

      Traumas de guerra
      O Exército americano transforma homens em máquinas de matar, mas não os ensina a continuar vivendo. Milhares são vítimas de estresse pós-traumático, uma doença que condecora soldados com paranóia, vícios e suicídio.

      Vai encontrar referências a um livro do tenente-coronel Dave Grossman “On Killing”.

      Paralelo a isto, há o livro: “Ponerologia Política: Uma Ciência sobre a Natureza do Mal ajustada para propósitos políticos”, de Andrew M. Lobaczeski, que amplia essa discussão para as superestruturas administrativas da sociedade política.

      O elo de ligação entre essas duas ideias é um artigo que achei anos atrás atrelado a “A Batalha pela sua Mente” (por Dick Sutphen). Nesse artigo (que não reencontrei mais), revela-se que há um programa do exército americano para formar soldados atualmente.

      Parece que estão selecionando psicopatas para compor as elites dos exércitos, pois eles são imunes aos efeitos pós-traumáticos que atingem soldados comuns. Para isso, “costuma-se” arriscar os melhores fuzileiros numa empreitada horrorosa para escolher só os que ficam numa boa após 2,5 meses (segundo um gráfico que está no artigo que li e não encontrei novamente).

      Mas isso é outro assunto. Muito mais próximo de nós é que, nas favelas, as pessoas não tem medo de tubarão após assistir filmes de tubarão, ok?

    • aguiarubra:

      pmahrs / 29.10.2013
      P.: “…Vou repetir de forma mais simples. A matéria fala de medo e ansiedade não de paralisia, total que requer tratamento…”

      Comentário: primeiro, releia o título geral que precede os 10 ítens: “10 maneiras que a evolução nos confunde”.

      Após, reflita em tudo o que está escrito no ítem “9. O efeito “Tubarão”: aquilo não se coaduna com a vida real, camarada! Já vi reportagens de surfistas atingidos por tubarão em praias do nordeste que, além de continuar indo à praia, ainda deu razão ao tubarão por estar defendendo seu habitat da invasão deles, surfistas! Eu assisti todos os 4 filmes “Tubarão”, com musiquinha e tudo, e não tive o menor medo ou ansiedade ao dormir.

      As explicações do ítem 9 são muito simplórias. O buraco é mais embaixo, cara!

      Leia a reportagem do G1: Edição do dia 18/09/2013
      18/09/2013 18h10 – Atualizado em 21/09/2013 18h44
      “…Grupo de surfistas quer extermínio de tubarões em PE: ‘tubarão na panela’
      Moradores de Recife arrecadam dinheiro para caçar os animais em barcos pesqueiros. Autoridades afirmam que prática é irregular…”

      Nessa reportagem, eu destaco: “…O músico Raz Henrique é líder do movimento “surfe suicida”, em que os surfistas se jogam no mar mesmo sabendo que o local tem tubarões. “Mesmo sabendo do problema, eu quis tomar essa atitude para chamar a atenção do pessoal. As ações que sacodem a sociedade têm de ser drásticas”, diz…”.

      Compare com o que diz o ítem 9. Efeito Tubarão:

      “…As pessoas que assistiram ao filme sabiam que era uma ficção, mas durante algum tempo evitaram praias. Nossos instintos não entendem ataques fictícios de tubarão, e o resultado foi que quem assistiu “Tubarão” experimentou ansiedade real…”

      …dããããã…

      O problema não são instintos confusos: é a “racionalidade civilizada” pós-moderna que está nos fazendo temer a própria sombra, meu chapa. Vc é bastante inteligente para entender que medo e ansiedade são aliados quando se dá uma saida para eles (é bom para caçadores e para praticantes de artes marciais), mas fazem muito mal numa vida sedentária, “presa” nos fundos da caverna sedentária contemporânea de TV’s, videogames e cinemas!!!

      Assistindo “O Clube da Luta” eu aprendi que estamos sendo infantilizados cada vez mais; por isso há “…10 maneiras que a evolução nos confunde…”…!!!

  • pmahrs:

    De fato alguns dizem que a terra já está se estagnando; gente falando em harakiri para idoso (Ministro das Finanças do Japão, Taro Aso) Guerras, conflitos e desavenças por recursos naturais como petróleo, diamantes, minérios, madeira, água….; outros sugerindo abortos forçados por lei para pobres e ainda discriminam homossexuais citando a procriação humana como se faltasse gente na terra, mais contraditoriamente ainda quando citam Gêneses da Bíblia.

    A evolução é lenta em seres que vivem quase 100 anos e cada vez mais lenta conforme se avança no conhecimento e diminui a natalidade e mortalidade antes da idade de reprodução. Uma “mutação genética” só vai prevalecer e excluir outros sem ela, se esta for um fator de seleção natural, ou seja, quem não a ter, tem menos chances de sobreviver até a reprodução, mas hoje com recursos avançados da medicina as chances de sobreviver, mesmo com baixa imunidade e problemas sérios ao nascer são grandes e reversíveis.

    Se trouxermos para hoje um bebê das cavernas ele vai aprender tudo que nossos filhos aprendem, desde andar de skate até configurar Playstation 3 para nos sacanear e nos dar uma surra no futebol, rachas de carros e jogos violentos. (só não acho muito evoluído quem compra o PS 4 neste preço) A nossa vantagem na média de altura, longevidade se deve a alimentação, desenvolvimento tecnológico e mais gasto em dinheiro do que calorias atrás de comida e água que cada vez mais chega dentro de casa ou ao menos no portão sem tirarmos os glúteos da poltrona.

    • Munhoz:

      Oque você disse sobre um “bebê das cavernas” não faz o menor sentido,se fosse assim, teoricamente todos os seres humanos nasceriam com “capacidades de aprendizado” exatamente iguais, na prática sabemos que não é bem assim.
      Albert Einstein que o diga.

  • pmahrs:

    Quando vi o filme tubarão na primeira versão eu nem entrava nem na piscina tranquilo sem vir aquela música na cabeça turum turum turum turum……

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