5 realidades chocantes que a mídia ignora sobre ser um transexual

Por , em 25.03.2014

A transexualidade é uma daquelas questões nebulosas que pairam sobre a sociedade mundial. A maioria das pessoas prefere evitar o assunto, do que entender exatamente do que ele se trata. Ao contrário do que muita gente ainda pensa, não é um modismo, ou um impulso para simplesmente chamar atenção.

Ser transexual é ter o que os médicos chamam de Transtorno de Identidade de Gênero. Ou seja: é nascer com um determinado sexo, mas não se identificar com ele. E esse “transtorno mental” leva a pessoa a procurar tratamentos e até cirurgias que possam fazer seu corpo se parecer cada vez mais com o sexo com o qual ela se identifica.

Trata-se uma condição extremamente complexa, e só quem realmente está nela pode compreendê-la plenamente. Por isso, vamos mostrar as cinco coisas que Amy P., uma transexual de 20 e poucos anos que vive na Califórnia, Estados Unidos, crê que todo mundo deveria saber sobre ser transexual.

5. Um transexual não está tentando enganar ninguém

Mulheres transexuais sentem atração por homens, simples assim e sem enganação alguma. Mas como essa questão é sempre motivo de piada, especialmente na cultura pop, essa interação acaba ficando ainda mais complicada do que deveria ser. No caso de Amy, ela conheceu um cara em um bar, e não tinha certeza se ele sabia que ela era uma transexual. Como ela tinha medo de se abrir para ele, até porque o cara era muito maior que ela, Amy esperou cerca de 1 mês e meio até conversar sobre isso com ele. “Eu demorei esse tanto porque queria ter certeza de que estaria segura”, conta.

Talvez fosse mais fácil andar por aí com uma placa amarrada no pescoço, “mas algumas pessoas me odeiam pelo simples fato de eu existir”, lamenta Amy.

A melhor solução seria, então, ficar em casa, em segurança, e conhecer pessoas pela internet? Segundo Amy, não. As agressões verbais não têm limites. A gíria da internet para se referir a uma mulher transexual é “armadilha”, como se mulheres como ela fossem uma cilada que leva os homens a questionarem sua própria sexualidade.

4. A transexualidade não deve ser tratada como uma doença

De acordo com os médicos, toda pessoa transexual tem um transtorno que pode ser tratado com atitudes como, no caso de Amy, desencorajar o fato de ela querer se vestir como uma mulher. Há pouco tempo atrás, a homossexualidade foi tirada da lista de doenças mentais, mas, para os transexuais, a espera foi maior – principalmente por conta dos relativamente poucos casos verificados.

“Eu estava trabalhando com um psiquiatra devido a ataques de pânico antes de eu me assumir. Quando eu disse a ele que era transexual, ele de repente concluiu que eu poderia ser esquizofrênica e precisava ser medicada contra isso. Ele não tinha nenhum outro caso como referência para saber como lidar com alguém como eu”, relata Amy.

E isso é um grande problema.

Ela conta que um pai transexual de Ohio (EUA) perdeu o direito de visitar seu filho porque o tribunal considerou que o fato de ele ser transexual o desqualificava para a função de criar seu próprio filho. Aos olhos do sistema judicial de Ohio, esse pai foi considerado um psicopata e, então, poderia ser uma “má influência” no desenvolvimento da criança.

3. Transexualidade não é apenas sobre cirurgia

Imagine você acabar de conhecer uma pessoa e ela fazer perguntas ultrapessoais a respeito dos seus órgãos genitais. Constrangedor, não? Segundo Amy, a razão de tamanha curiosidade é por causa da ideia equivocada de que ser transexual requer algum tipo de cirurgia, obrigatoriamente, quando, na verdade, fazer ou não uma cirurgia de reconstrução genital é uma escolha – e muito pessoal, diga-se de passagem. Um grande número de transexuais não vê necessidade e, aliás, convive muito bem com sua identidade biológica.

2. Não existe apenas um tipo de transexual

Existe uma série de estereótipos para pessoas homossexuais. E como a grande maioria da população não entende a real natureza do que é ser transexual, acaba “emprestando” esses estereótipos para uma condição diferente – a verdade é que eles não se aplicam. Amy explica melhor:

“Acredita-se por aí que uma pessoa transexual é apenas uma pessoa muito gay que em um certo ponto quer ser do outro gênero, para assim ser normal. Isso é muito comum na televisão e nos filmes, onde muitas vezes não há distinção entre gays, travestis e transexuais. A relativamente simples premissa de se sentir bem com uma coisa que é diferente ainda tem que ser infiltrada na cultura pop. E quando você tentar explicá-la, muitas pessoas vão ficar zangadas”.

1. Ser transexual é perigoso

A questão transexual é cada vez mais presente na mídia, mas isso ainda não tem facilitado a vida de quem tem essa condição. Com poucas pessoas realmente assumidas, a responsabilidade de encarar a curiosidade e o preconceito da sociedade acaba ficando concentrado em corajosas como Amy. “Eu tenho uma camada extra de cautela em minha mente antes de ir a público”, confessa.

A reação das pessoas é absolutamente imprevisível e, nesse caso, inclui até risco de assassinato. A taxa de homicídios para as pessoas transexuais no hemisfério norte é cerca de 50% maior do que a taxa de homicídios de gays e lésbicas. Pior: segundo Amy, os tribunais de hoje em dia estão dispostos a dar o benefício da dúvida a um assassino caso a vítima tenha sido transexual.

Parece loucura, não?

“Se você for uma pessoa transexual que ainda não está totalmente assumida quanto a isso, ou não está pronta para falar sobre o assunto, pode ser por isso. Ainda há um longo, longo caminho a percorrer”, conclui Amy.

Como diria Nelson Mandela, “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, também podem aprender a amar”. Concorda? [Cracked]

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25 comentários

  • Eduardo Greco:

    mulher trans gostar de homem é normal gora eu queria saber se com tantas mulheres de verdade se é normal se apaixonar por uma trans.

  • Eduardo Greco:

    isso de falar que trans nao é doença e só informacoes vagas ,queria que um especialista explicase a diferenca de um trans com hipocondriaco

  • Eduardo Greco:

    o esqueleto de homem e de mulher sao diferentes e nao sao alterados com tratamento algum,a ossada no tumulo sera biologico

  • Cora Dos Anjos:

    Não concordo com o que diz no ponto 5. ” Mulheres transexuais sentem atração por homens”. Orientação sexual não tem relação com identidade de género. Eu sou mulher transexual e não sinto atração por homens, não gosto de homens.

    • Cleber Nunes:

      Olá Cora dos Anjos, bom dia!
      Não entendi sua afirmação em dizer que é mulher transexual e não gosta de homens?
      Não poderia gostar de mulher.

  • Bianca Santos:

    Sou mulher trans (MtoF) e digo que não é doença. Doente é a nossa sociedade que nos inflige tantos danos, tanto ódio… Sem necessidade…

  • Pamela Dilly:

    Primeiro de tudo a palavra transexualidade não se enquadra quando se trata de um transtorno. Transexualismo é uma doença F64.0! E a depressão? Transexualismo leva a depressão, por tando a depressão é sintoma do transexualismo, assim como fobia social.
    Tenho depressão grave, fui internada duas vezes. Gasto com antidepressivos, hormônios, terapia, psiquiatra, fonoaudiologia e endocrinologista. Se não é doença é o que? Uma opção? Ninguém escolhe sofrer.

    • Cesar Grossmann:

      Transexualidade é expressão sexual, não se escolhe e não é doença.

      Depressão é doença.

  • Gabriel Fernandes:

    “Mulheres transexuais sentem atração por homens”
    Assim como homens SÓ sentem atração por mulheres, né? Nope. Transexualidade não tem nada a ver com orientação sexual. FTMs/MTFs podem tanto sentir atração por homens quanto por mulheres. Eu vi um caso no Discovery H&H de um casal hétero que depois de casado, o cara saiu como trans, e virou mulher, mas ainda se sentia atraído pela a esposa, eles tiveram que terminar pois a esposa não era homo; aí um exemplo de MTF homo.

  • Antonio Pereira:

    O que alimenta a descriminação, seja ela qual fôr, é o desconhecimento

    • Cesar Grossmann:

      Concordo. Enquanto o outro permanece desconhecido, ele suscita ódios e medos – e isto é natural. E para terminar com isto, tem que romper as distâncias e tornar o desconhecido, conhecido.

      Neste aspecto, achei extremamente positivo aquele programa de TV que colocou juntos adolescentes e idosos. Acho que este tipo de convivência pode acabar com o preconceito.

    • Henrique Martelli Dominguéz:

      Será? Desconheço o fato da pele ser de outra tonalidade e por isso vou descriminar, vou tratar mal? Não compreendo isso.

  • Guilherme Ferreira:

    Tem gente que pensa que quem é Travesti gosta de trabalhar com a prostituição e nasceu fadada a uma vida marginal. Mas essas coisas só ocorrem porque a sociedade insisti em discriminar essa minoria negando emprego, oportunidade, espaço e respeito, empurrando essas pessoas para a marginalidade que a maioria atualmente vive.

    É lamentável.

    Não é a toa que muit@s seguem o caminho das drogas e do suicídio.

  • Guilherme Ferreira:

    Trabalho com políticas para o público LGBTT no município de São Paulo e depois que comecei conhecer mais sobre este lado, pude vivenciar algumas coisas realmente tocantes na minha vida.

    O preconceito e discriminação que ocorre em TODOS os âmbitos contra Transexuais e Transgêneros é algo execrável na nossa população. Hoje em dia nós podemos conviver com mais facilidade com gays, lésbicas e bissexuais, mas a falta de oportunidades e a negação de direitos que acontece com os TTs é enorme.

  • João Alberto:

    Questionamentos:

    Como pode ser um transtorno mental e não ser considerado doença?

    Etimologicamente “Gênero” é um termo da biologia usado como sinônimo de sexo, só recentemente que passaram a usá-lo como o sentido de “identidade de gênero”. Porque mudar o significado das palavras? Ao invés de esclarecer esse tipo de coisa faz uma confusão dos diabos.

    • Marcelo Ribeiro:

      Homossexualidade já foi doença, não é mais considerado tal.

      Sou leigo, mas o termo “transtorno” não é necessariamente sinônimo de doença. Para pessoas que tem um estado funcional bom e tem habilidade cognitiva normal o transtorno pode ser o fato de ter nascido com o sexo “errado”. Mudando o sexo resolve, imagino.

    • João Alberto:

      Psiqweb: Baseado na – OMS – ONU, entendem-se como Transtornos Mentais e Comportamentais as condições caracterizadas por alterações mórbidas do modo de pensar e/ou do humor (emoções), e/ou por alterações mórbidas do comportamento associadas a angústia expressiva e/ou deterioração do funcionamento psíquico global. Os Transtornos Mentais e Comportamentais não constituem apenas variações dentro da escala do “normal”, sendo antes, fenômenos claramente a claramente anormais ou patológicos.

    • Marcelo Ribeiro:

      Possivelmente mudar o sexo é um passo para resolver o transtorno. Mas este é chute como leigo. O ideal seria investigar se há publicações no assunto.

    • João Alberto:

      Marcelo, eu também leigo. Mas, porque outros tipos de transtorno o tratamento constitui em desestimular a “neura” enquanto o assunto é transexualidade opta-se por alimentá-la?

    • Marcelo Ribeiro:

      Minha elucubrações sobre o assunto estão aí. Ambos assumimos ser leigos no assunto, portanto acho que precisaríamos da ajuda de alguém que entende do mesmo para esclarecê-lo.

    • Laizinha8:

      O transtorno é apenas p/ nomenclatura, posto q não temos psiquismos. Há uma má formação física e, para tanto, tratamento cirúrgico.

  • Roberto Junio:

    O preconceito no caso, quando é direcionado ao transsexual, é de ordem ideologica. Isso significa que se ele existe, é porque de alguma forma a educação do individuo que subjulga é atrofiada, em algum momento ela abdicou a boa instrução que sugere aceitação à diversidade. Esse é um dos males mais nocivos da sociedade, a opressão pela ideologia, o direito de liberdade é privatizado pelas normativas. Que infortúnio.

  • Douglas Carvalho:

    Se isso é um transtorno mental então enquadra-se como doença na minha opinião, nada contra quem é gay, transexual ou corintiano, ou tudo junto sei lá (brincadeira), mas penso que cada um faz o que entende melhor pra sua vida, só acho que o respeito deve estar acima de tudo…

    • Marcelo Ribeiro:

      Atração por pessoas do mesmo sexo era considerado doença até pouco tempo atrás. Estava inclusive em livros famosos sobre doenças psiquiátricas. Estes livros foram revisados e não é mais considerado doença.

    • Laizinha8:

      Posso afirmar que NÃO é doença. É uma má formação, digamos. Quem vos fala é uma mulher trans obviament e uma amante da psiquiatria.

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