Fantasma das Profundezas: Raro Tubarão Branco é Encontrado na Costa da Albânia

Por , em 8.11.2024
O cientista Andrej Gajić segura o tubarão debaixo d'água. Fonte da imagem: Fotografias de Andrej Gajić, Sharklab ADRIA, estudo patrocinado pela Expedição Grant do Explorers Club "O que se esconde nas profundezas?!"

Um evento fascinante trouxe um raro tubarão branco às águas da Albânia, próximo à Ilha de Sazan. Este tubarão pertence à espécie angular roughshark (Oxynotus centrina), uma criatura ameaçada de extinção e quase invisível ao mundo científico — até agora.

Um Achado Excepcional nas Profundezas

Pescadores da região de Vlorë, Albânia, se depararam com algo inesperado a cerca de 200 metros de profundidade: um tubarão com uma coloração completamente pálida, inusitada para a espécie. O que distingue esse indivíduo é o leucismo, uma condição genética que resulta em uma pigmentação branca parcial ou completa na pele, mas preserva a cor dos olhos — diferentemente do albinismo, que afeta também a íris. Segundo Andrej Gajić, diretor do Sharklab ADRIA, este é o primeiro registro de leucismo entre os angular roughsharks e, mais amplamente, entre membros da família Oxynotidae.

O Que o Leucismo Pode Revelar Sobre os Tubarões?

No reino animal, o leucismo é como um fenômeno raro que desafia a camuflagem e a sobrevivência. Embora tubarões leucísticos se destaquem no ambiente aquático, pesquisadores notaram que essa condição não prejudica tanto suas habilidades de sobrevivência como se imaginava. Gajić explica que, embora a falta de pigmento os torne mais visíveis, o tubarão leucístico albanez parece ser tão eficaz quanto seus pares em capturar presas e evitar predadores. Com apenas cerca de 15 casos conhecidos de distúrbios de pigmentação em tubarões de profundidade, este achado se junta a uma lista bem curta e intrigante.

Uma visão detalhada do tubarão. Fonte da imagem: Fotografias de Andrej Gajić, Sharklab ADRIA, estudo financiado pela Expedição Grant do Explorers Club “O que se esconde nas profundezas?!”

Pesquisas indicam que o leucismo em tubarões pode ter causas variadas, desde mutações genéticas até exposição a poluentes e fatores ambientais. Entre as hipóteses, os cientistas consideram também os efeitos de temperaturas elevadas e desequilíbrios hormonais durante o desenvolvimento embrionário.

O Enigma da Conservação: Desafios no Habitat e na Genética

Vlorë, onde o tubarão leucístico foi encontrado, pode ser mais do que um mero ponto no mapa. Essa região está emergindo como um ponto quente para espécies marinhas ameaçadas, incluindo o pequeno tubarão gulper (Centrophorus uyato) e as raras raias-borboleta espinhosas (Gymnura altavela), que não eram vistas no Mar Adriático há décadas. Isso sugere que áreas como essa podem ter uma biodiversidade mais rica do que se acreditava, com espécies que ainda resistem às pressões da pesca e da poluição.

Enquanto estudos seguem tentando desvendar como as atividades humanas, como a poluição e a pesca em excesso, afetam as condições de saúde e a sobrevivência dos tubarões, pesquisadores alertam para os perigos que ameaçam a população dessas criaturas.

O estudo foi publicado na revista científica Fish Biology.

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