Sinal misterioso vindo de uma galáxia morta intriga astrônomos

Por , em 27.01.2025
O radiotelescópio CHIME, localizado próximo a Penticton, na Colúmbia Britânica, auxiliou pesquisadores a identificar duas rajadas rápidas de rádio, detalhadas em quatro novos estudos. Essas rajadas, conhecidas como FRBs, são flashes brilhantes de ondas de rádio provenientes do espaço, com duração de apenas alguns milissegundos. Créditos: Andre Recnik/Dunlap Institute for Astronomy & Astrophysics, Universidade de Toronto.

Um estranho fenômeno astronômico capturou a atenção da comunidade científica: um raro e poderoso sinal de rádio, conhecido como “rajada rápida de rádio” (FRB, na sigla em inglês), foi detectado emanando de uma galáxia morta a bilhões de anos-luz de distância. A descoberta não apenas contradiz teorias tradicionais, mas também abre novos horizontes para o estudo do universo.

A surpresa de um sinal vindo do silêncio

Galáxias mortas são, em essência, espaços onde a formação de estrelas cessou há eras. Então, o que poderia explicar um evento tão energético vindo dessas regiões? Dois estudos publicados no The Astrophysical Journal Letters relataram que esse FRB específico, chamado FRB 20240209A, foi localizado nos arredores de sua galáxia hospedeira, a aproximadamente 130 mil anos-luz do núcleo. Curiosamente, essa área é povoada apenas por estrelas envelhecidas em seus estágios finais.

Vishwangi Shah, astrônoma da Universidade McGill, destacou que essa descoberta é intrigante justamente por desafiar a crença de que FRBs se originam em regiões onde novas estrelas estão sendo formadas. Para Shah, o fato de o sinal surgir de um local tão isolado questiona os mecanismos conhecidos que geram esses eventos.

Energia em milissegundos

FRBs, apesar de sua duração extremamente curta — apenas alguns milissegundos —, liberam mais energia em um único pulso do que o Sol emite em um ano inteiro. Tradicionalmente, esses eventos eram atribuídos a magnetares, estrelas de nêutrons com campos magnéticos incrivelmente fortes, possivelmente trilhões de vezes mais intensos que o campo magnético da Terra.

Entretanto, essa explicação enfrenta um impasse. A galáxia morta em questão tem 11,3 bilhões de anos, e não há evidências de estrelas jovens que poderiam dar origem a magnetares. Grandes estrelas, necessárias para formar esses objetos colapsados, têm vidas curtas e precisariam ter sido formadas recentemente — algo incompatível com o cenário observado.

Estranhos no mesmo clube

Embora esse FRB seja uma descoberta rara, não está completamente sozinho. Em 2022, outro sinal semelhante foi encontrado nos arredores de Messier 81, uma galáxia onde também não há formação estelar ativa. Essa detecção foi associada a um aglomerado globular — uma densa coleção de estrelas antigas.

Wen-fai Fong, astrofísica da Universidade Northwestern e coautora dos estudos, explicou que o caso de Messier 81 mudou a perspectiva dos cientistas, levando-os a considerar outros cenários para a origem dos FRBs. Agora, com o surgimento de FRB 20240209A, é provável que sua localização também esteja ligada a um aglomerado globular. Para investigar mais a fundo, os astrônomos planejam usar o Telescópio James Webb para observar a região.

E se o universo estiver nos pregando peças?

A presença de FRBs em lugares tão improváveis levanta questões fascinantes. O que mais pode estar gerando essas rajadas poderosas? Os aglomerados globulares podem conter pistas ocultas sobre mecanismos que ainda não compreendemos.

Com cada nova descoberta, como essa, o universo parece sussurrar seus segredos de forma provocativa, deixando os cientistas intrigados e ansiosos para decifrar suas mensagens.

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