Essa fibra alimentar pode ter um efeito similar ao Ozempic e Wegovy para o emagrecimento

Por , em 5.02.2025

Nos últimos anos, a pesquisa sobre o microbioma intestinal tem provocado uma verdadeira revolução na ciência da nutrição. A fibra alimentar, agora considerada o “novo superalimento”, é adicionada em abundância às dietas para nutrir nosso intestino e melhorar a saúde geral.

Um estudo recente com camundongos, no entanto, sugere que nem todos os suplementos de fibras têm os mesmos benefícios. Uma forma de fibra encontrada em aveia e cevada, conhecida como beta-glucana, mostrou controlar os níveis de açúcar no sangue e auxiliar na perda de peso em camundongos alimentados com uma dieta rica em gorduras.

O segredo bem guardado das fibras para emagrecer

Pesquisadores das universidades do Arizona e de Viena identificaram beta-glucana como o único tipo de fibra que reduziu significativamente a gordura corporal e o peso dos camundongos em 18 semanas. Outras fibras, como dextrina de trigo, pectina, amido resistente e celulose, não tiveram o mesmo efeito, apesar de modificarem o microbioma intestinal dos camundongos.

Frank Duca, cientista biomédico da Universidade do Arizona, explica que, embora a importância das fibras seja clara, existem muitos tipos diferentes disponíveis. Ele afirma que o objetivo era identificar quais fibras são mais eficazes para perda de peso e controle de glicose, ajudando consumidores e a indústria agrícola.

Menos de 5% dos americanos consomem a quantidade recomendada de 25 a 30 gramas de fibra por dia, apesar de estas serem a principal fonte de energia para as bactérias em nossos intestinos. Para compensar essa deficiência, os suplementos de fibra e alimentos enriquecidos com “fibras invisíveis” estão se tornando cada vez mais populares.

Desvendando o mistério das fibras solúveis e insolúveis no emagrecimento

Algumas fibras, como as beta-glucanas da aveia e a dextrina de trigo, são solúveis em água, o que significa que são facilmente fermentadas pelas bactérias intestinais. Outras, como a celulose e o amido resistente, são menos solúveis e ajudam na formação das fezes.

Elizabeth Howard, também da Universidade do Arizona, ressalta que até agora não havia estudos abrangentes sobre o papel de diferentes fibras em um único grupo de teste. Este estudo pioneiro testou várias formas de fibras em camundongos, demonstrando que apenas a beta-glucana aumentou a presença de Ileibacterium, bactéria associada à perda de peso.

Os resultados se alinham com outro trabalho de Duca, no qual ratos alimentados com farinha de cevada rica em beta-glucana perderam peso, mesmo mantendo uma dieta rica em gorduras, graças ao aumento do gasto energético.

O papel do butirato no controle do apetite para perda de peso

Camundongos alimentados com beta-glucana também mostraram concentrações elevadas de butirato, um metabólito produzido pela quebra de fibras, que estimula a liberação de peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1). Este peptídeo, imitado por medicamentos como o Ozempic, ajuda na liberação de insulina.

Segundo Duca, parte dos benefícios das fibras alimentares vem da liberação de GLP-1 e outros peptídeos intestinais que regulam o apetite e o peso corporal. Porém, ele sugere que o butirato pode ter outros efeitos benéficos, como melhorar a saúde da barreira intestinal e impactar outros órgãos, como o fígado.

Embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar esses resultados em humanos, o estudo, publicado no Journal of Nutrition, indica que algumas fibras podem ser mais eficazes para perda de peso e controle de insulina.

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