Explorando a Origem Surpreendente do Vento Solar: Descobertas do Solar Orbiter
Por quase cinco anos, uma sonda dedicada à observação solar tem se aproximado do Sol, capturando vistas de áreas polares para desvendar segredos sobre sua atividade magnética, coroa e atmosfera. Em dois sobrevoos recentes, a Solar Orbiter da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou pequenos jatos de material que se assemelham a finos fios brilhantes, surgindo próximos ao polo sul do Sol. Para surpresa dos cientistas, essas estruturas se revelaram uma fonte inesperada do vento solar.
O Encontro com os Jatos Solares
Em 2023, a Solar Orbiter foi a primeira a identificar esses jatos piscando na superfície solar. Observações subsequentes não apenas confirmaram sua existência, mas também os identificaram como a origem das duas formas principais de vento solar: o rápido e o lento. Enquanto a origem do vento solar rápido era conhecida há décadas, a fonte do vento solar lento permanecia um mistério até que as câmeras da Solar Orbiter capturaram mais desses pequenos jatos em ação. Detalhes desses achados foram publicados na revista Astronomy and Astrophysics.
O vídeo de 40 segundos acima é uma filmagem acelerada dos novos jatos, que brilham brevemente perto do polo sul do Sol. Na realidade, esses jatos duram cerca de um minuto, lançando partículas carregadas a uma taxa explosiva de aproximadamente 100 quilômetros por segundo.
Entendendo o Vento Solar
O vento solar é uma corrente de partículas carregadas que emanam da coroa do Sol — a camada mais externa de sua atmosfera — e viaja por todo o sistema solar. O vento solar rápido se origina de manchas escuras na atmosfera solar, chamadas buracos coronais, ou regiões onde o campo magnético do Sol não retorna à sua superfície, mas se estende para o espaço, conforme explica a ESA. As partículas carregadas usam as linhas do campo magnético para fluir para longe do Sol, criando o vento solar.
Para entender como essas partículas são lançadas do Sol, os pesquisadores combinaram imagens de alta resolução da Solar Orbiter com medições diretas das partículas do vento solar e do campo magnético solar. Com isso, conseguiram vincular o vento solar aos jatos observados pela sonda. Curiosamente, os pesquisadores puderam também rastrear a origem do vento solar lento até esses pequenos jatos. A ESA destacou que é surpreendente que o mesmo processo subjacente impulsione tanto o vento solar rápido quanto o lento.
A Missão da Solar Orbiter
Lançada em fevereiro de 2020, a Solar Orbiter carrega um telescópio a bordo que a leva a cerca de um quarto da distância entre a Terra e o Sol, permitindo observações de alta resolução e de perto da nossa estrela. A espaçonave realiza duas aproximações ao Sol por ano, e os pesquisadores por trás do estudo esperam coletar mais dados sobre os pequenos jatos e como eles lançam o vento solar durante o próximo sobrevoo da sonda.
Em mais uma tentativa de desvendar os mistérios do Sol, a Solar Orbiter continua sua jornada, prometendo revelar ainda mais segredos sobre a natureza do vento solar. Quem diria que fios de cabelo cósmicos poderiam ter tanto a nos ensinar sobre o universo?
