Descoberta uma nova classe de antibióticos por pesquisadores da Universidade McMaster

Por , em 28.03.2025

Há quase trinta anos, o mercado não via o surgimento de uma nova classe de antibióticos, mas isso pode estar prestes a mudar. Pesquisadores da Universidade McMaster fizeram uma descoberta promissora que pode revolucionar o combate às bactérias resistentes.

Gerry Wright, à frente da equipe de pesquisa, identificou um candidato forte para enfrentar as bactérias mais resistentes do planeta: um novo composto denominado lariocidina. Os resultados dessa pesquisa foram publicados no periódico Nature em 26 de março de 2025.

Enfrentando a resistencia antimicrobiana com criatividade

A descoberta dessa nova classe de antibióticos é uma resposta crucial à necessidade de novos medicamentos antimicrobianos, uma vez que as bactérias e outros microrganismos vêm desenvolvendo formas de resistir aos medicamentos existentes. Conhecido como resistência antimicrobiana, ou AMR, esse fenômeno é considerado uma das maiores ameaças à saúde pública global pela Organização Mundial da Saúde.

Wright professor do Departamento de Bioquímica e Ciências Biomédicas da McMaster e pesquisador no Instituto Michael G. DeGroote para Pesquisa de Doenças Infecciosas, explica que nossos medicamentos antigos estão perdendo eficácia à medida que as bactérias se tornam mais resistentes. Estima-se que cerca de 4,5 milhões de pessoas morrem anualmente devido a infecções resistentes a antibióticos e a situação só piora.

A lariocidina, um peptídeo laço, se destaca como uma promissora candidata a medicamento porque ataca as bactérias de uma maneira completamente nova. Ela se liga diretamente à maquinaria de síntese proteica das bactérias, inibindo sua capacidade de crescer e sobreviver.

Um novo modo de ação revolucionário

Wright ressalta que a lariocidina representa um grande avanço por seu modo de ação inédito. Esse composto é produzido por um tipo de bactéria chamado Paenibacillus, descoberta em uma amostra de solo coletada no quintal de uma casa em Hamilton.

A equipe de pesquisa cultivou as bactérias do solo em laboratório por cerca de um ano, permitindo a revelação de espécies de crescimento lento que poderiam ter sido facilmente ignoradas. Uma dessas bactérias, o Paenibacillus, produzia uma nova substância com forte atividade contra outras bactérias, incluindo aquelas tipicamente resistentes a antibioticos.

Manoj Jangra, pós-doutorando no laboratório de Wright, descreve o momento em que compreenderam como essa nova molécula destruía outras bactérias como um verdadeiro divisor de águas.

O próximo passo: transformar a descoberta em tratamento

Além de seu modo de ação único e eficácia contra bactérias resistentes, a lariocidina possui várias características desejáveis: não é tóxica para células humanas, não é suscetível aos mecanismos de resistência existentes e mostrou bons resultados em modelos animais de infecção.

Atualmente, Wright e sua equipe estão focados em modificar a molécula e produzi-la em quantidades suficientes para o desenvolvimeto clínico. Wright destaca que, como essa nova molécula é produzida por bactérias, é necessário muito tempo e recursos até que a lariocidina esteja pronta para o mercado.

O momento inicial da descoberta foi impressionante, mas agora começa o verdadeiro trabalho pesado, afirma Wright. Eles estão desmontando e remontando a molécula para torná-la um candidato a medicamento ainda melhor.

Para mais informações, consulte o artigo completo de Gerard Wright em Nature.

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