A libertadora reprodução assexuada

Por , em 2.01.2013

Em artigo publicado na CNN, a bióloga Aarathi Prasad comenta como as tecnologias de reprodução devem impactar as regras sociais em torno do sexo e da sexualidade nas próximas décadas.

Prasad cita uma declaração do criador da pílula anticoncepcional, Carl Djerassi, feita em 2011 por ocasião dos 50 anos do invento: “Há um grande número de mulheres educadas, hábeis, que, quando encaram o relógio biológico, primeiro prestam atenção a suas ambições profissionais… nos próximos 20 anos, mais jovens irão congelar seus óvulos [e esperma] nessa faixa de idade, e armazená-los em bancos para uso posterior. Eles irão resolver a necessidade de contraceptivos com a esterilização, e irão retirar seus óvulos e esperma do banco quando estiverem prontos para ter um filho por meio de fertilização in vitro”.

A autora acrescenta algumas alternativas que estão em desenvolvimento, como o congelamento de tecido ovariano, ou o uso de recém-descobertas reservas de células-tronco ovarianas que podem dar origem a óvulos novos, ou ainda a criação de gametas a partir de células-tronco da pele ou da medula óssea – técnica que já se mostrou viável em ratos.

Tanto a ideia de planejamento familiar como as tecnologias de reprodução, opina Prasad, devem ser uma grande ajuda para mulheres que desejam ter filhos depois de se estabelecer profissional ou academicamente – mas isso pode não ser o bastante.

“Tem havido uma ‘avalanche’ de estudos e discussões sobre igualdade – a ausência de mulheres na ciência, nos quadros administrativos de grandes empresas e a diferença de remuneração que ainda não foi superada –, mas ainda não está claro se aqueles que participam dessas discussões compreendem totalmente que, na busca paralela por alcançar metas de educação e trabalho e ter uma família, nós estamos limitadas tanto por barreiras sociais como biológicas”, aponta.

A menopausa (e seus efeitos negativos) é uma dificuldade que precisa receber mais atenção por parte da ciência, e a pouca oferta de serviços de creche em empresas contraria o incentivo para que mulheres com filhos cresçam profissionalmente.

Além disso, a tecnologia reprodutiva pode não apenas ajudar mulheres, mas também casais homossexuais – que, com a criação de gametas a partir de células-tronco e o uso de úteros artificiais, poderiam ter filhos biológicos.

“Em nosso mundo, meninas estudam tanto quanto meninos, mas encaram muito mais escolhas difíceis quando chegam no local de trabalho. Para ganhar dinheiro, mulheres pobres de países como Índia e Ucrânia ‘doam’ óvulos ou seus úteros, ou igrejas se recusam a casar gays porque não podem se reproduzir. Liberdade, poder, escolha? É a alternativa que soa assustadora para mim”.[CNN]

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2 comentários

  • Costa:

    Me parece que pelo andar da carruagem, sexos diferentes, pelo menos entre os humanos, está em extinção. É muito homem querendo ser mulher e muita mulher querendo ser homem. Talvez em algumas décadas todos serão andróginos e auto reprodutores.

  • Jaime Junior:

    Reprodução “assexuada” não diz respeito a ausência de coito entre parceiros de sexos diferente, mas pela AUSÊNCIA de um deles, geralmente o macho que NÃO participa com a colaboração dos seus gametas. Um exemplo comum, está na Classe Insecta, o pulgão da soja, Ordem Hemiptera Classe Aphidae, cuja reprodução assexuada, reproduz a partir de uma única fêmea, vários “filhotes” que já nascem idênticos a mãe, se desenvolvem rapidamente e causam enorme danos à lavoura por sua agressividade, sendo a reprodução desenfreada, uma delas.

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